terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Ritual dos Sádicos - 1970

AKA: O Despertar da Besta

 

Sinopse: Como parte de um experimento, psiquiatra leva quatro voluntários para assistir a um filme do personagem Zé do Caixão e após isso os droga com LSD para estudar os efeitos do personagem em seus subconscientes. Os delírios dos voluntários, porém, começam a fugir do contole.

Direção: José Mojica Marins 

Elenco: José Mojica Marins
Mário Lima
Carlos Reichenbach
Andreia Bryan





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Link para o download direto do filme (7 partes, 700 Mb):

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Parte 2
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Parte 5
Parte 6
Parte 7


Comentário: 


O Ritual dos Sádicos” é um filme bizarro e impossível de ser classificado. O último grande filme de José Mojica Marins é um estudo metalingüístico sem precedentes, e é tão complexo e intelectualmente refinado em seu propósito que é quase impossível entender exatamente o que Mojica quis dizer com ele. Além disso, o filme guarda em si qualidades experimentais tão chocantes que, se tivesse sido feito na Europa, por exemplo, com certeza seria influência para gerações e gerações de cineastas por vir. Mas foi azar de Mojica ter nascido brasileiro, e nunca saberemos exatamente o impacto que a obra poderia ter tido na formação cultural do Brasil dos anos 70: apesar de sempre ter tido problemas com a censura, “O Ritual dos Sádicos” detém a façanha de ser o único filme de Mojica (e um dos únicos filmes brasileiros do período) a ser sumariamente proibido pela ditadura militar, vindo a público apenas no período de abertura, no início dos anos 80 (com o título de "O Despertar da Besta").


Não foi para menos. Apesar da sinopse oficial ali em cima, os primeiros 40 minutos do filme são pequenas esquetes sobre a relação entre o uso de entorpecentes e perversões sexuais. Entre alguns dos temas leves que o espectador encontrará nessa primeira parte do filme podemos citar estupro, estupro coletivo, cropofilia, pedofilia, prostituição e abuso de autoridade. Aliás, “abuso de autoridade” é um dos termos-chave para entender a obra. Diz Mojica ter concebido o argumento do filme após ver um grupo de policiais espancando brutalmente uma mulher grávida no meio da rua.

O outro aspecto capital do filme é o poder imagético do imaginário cinematográfico. Os voluntários alucinam com todo o tipo de perversão sexual e moral, simbolizados no personagem de Zé do Caixão, após assistir ao filme “Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver” e consumir LSD. Porém, é revelado depois que o LSD na verdade era um placebo. Todas essas perversões (e Mojica ainda questiona se seriam mesmo perversões) já estavam nos voluntários antes de verem o filme. Zé do Caixão foi só o bode expiatório para eles libertarem todos os seus desejos reprimidos. Seria essa a função do cinema, e em especial, do cinema de horror?

A proibição do filme arruinou a vida de Mojica, que faliu por ter investir dinheiro do próprio bolso na obra. Daqui para frente, ele seria obrigado a dirigir filmes pornográficos, área em que também se sobressaiu, ao realizar o primeiro filme de zoofilia do Brasil, “24 Horas de Sexo Explícito”. Mojica ainda voltaria a usar o personagem de Zé do Caixão em mais dois filmes com essa pegada metalingüística, “Exorcismo Negro” e “Delírios de Um Anormal”. Mas já nesses filmes a decadência e a exaustão são visíveis. “O Ritual dos Sádicos” é o filme que quebrou o espírito de Mojica. E cabe a nós, jovens cinéfilos, fazer justiça, apreciando as obras de um cineasta que foi vencido pelo seu tempo.


Extra: O filme encontra-se completo no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=_jbomTH0vn8  

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