quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Desespero (The Incident) - 2011

AKA Asylum Blackout


Sinopse: Um grupo de funcionários de um hospício ficam presos junto aos internos durante uma intensa tempestade.

Direção: Alexandre Courtès

Elenco: Rupert Evans, Kenny Doughty, Joseph Kennedy, Dave Legeno, Richard Brake, Marcus Garvey, Anna Skellern

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Comentário: Courtès faz sua estreia no cinema depois de uma carreira em videoclipes, mas o resultado lembra mais o estilo dos filmes do roteirista S. Craig Zahler: câmera parada e paciente, levando o seu tempo para revelar as salas e corredores claustrofóbicos que em breve se tornarão o lar de um pesadelo, assim como as sequências mais pesadas, em um caos controlado de ultraviolência e efeitos práticos. O diálogo atinge um tom naturalista, pois remete aos elementos autobiográficos de vivência do próprio Zahler, que já trabalhou em cozinhas (local de trabalho dos protagonistas) e é músico (personagens têm uma banda). A ambientação oitentista resgata o exploitation pé no chão, de um período pré-celular, e não essas palhaçadas modernas que forçam a barra.  Richard Brake não precisa de uma linha de diálogo para justificar o porquê do protagonista ser tão avesso à sua presença. Uma adição bem feita ao subgênero prisão/manicômio que não tem pressa em passar tempo com seus  personagens antes de os condicionarem a destinos terríveis.


Female Prisoner #701: Scorpion (Joshuu 701-gô: Sasori) - 1972

Sinopse: Após ser abusada e tentar se vingar, Nami Matsushima é enviada para uma prisão controlada por guardas sádicos. Durante uma rebelião, Matsushima consegue fugir e então vai atrás dos responsáveis por sua prisão.

Direção: Shun'ya Itô

Elenco: Akemi Negishi, Fumio Watanabe, Hideo Murota, Isao Natsuyagi, Meiko Kaji Nami Matsushima











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720p (800MB)>> Magnetic Link

1080p (1,45GB)>> Magnetic Link




Comentário: É aquela coisa de sempre que algum idiota vai dizer que o Tarantino se apropriou. Se apropriou, de fato, em alguns aspectos, mas ainda bem porque fez melhor proveito.
É bem representativo no nicho de exploitations asiáticos da década de 70, mas não vai muito além disso. Então terá todo o pacote que se espera, das asiáticas peladas que você postava no Tumblr achando que era aesthetic, zooms em efeitos grotescos de mutilação, substâncias viscosas sendo derramadas e digeridas por um monte de gente e gargalhadas caricatas de personagens sádicos porque aparentemente é a única forma de os japoneses conseguirem simbolizar as diferenças comportamentais de quem comete uma barbárie rotineira. Rola também um espancamento suspeito de um cachorro nos primeiros cinco minutos de filme.
Cabe, no entanto, exaltar o visual, que chama a atenção, em parte pela magnífica restauração, cujo ruído ressaltado agregou à estética toda. O diretor também não é um completo abobado, tem coisa vanguardista ali, se você se prestar a querer dar esse crédito a ele. 
Enfim, esse filme é o primeiro de uma quadrilogia. O único que presta. 

domingo, 16 de janeiro de 2022

Eu Matei Lúcio Flávio - 1979


Sinopse: Mariel Mariscöt é um salva-vidas no Rio de Janeiro na década de 1970. Após uma briga em um bar que chama atenção do lendário detetive Le Cocq, ele é escalado para integrar os Homens de Ouro - o primeiro esquadrão da morte brasileiro. No grupo, bancando por deputados cariocas influentes e pelo regime militar com o objetivo de exterminar a marginália, Mariscöt se torna obcecado por Lúcio Flávio, notório ladrão de carros e assassino, figura carimbada dos tabloides da época. No entanto, ele começa a se tornar uma ameaça para as mesmas elites que o criaram quando descobre que Lúcio Flávio é um peixe pequeno um esquema muito maior ligado ao governo. Baseado em fatos reais (mais ou menos).

Direção: Antônio Calmon

Elenco: Jece Valadão
Monique Lafond
Anselmo Vasconcelos
Vera Gimenez
Otávio Augusto



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Comentário: 

    Eis um legítimo exploitation brasileiro (com tudo que o "brasileiro" implica). Lançado dois anos depois da versão mais "madura" da mesma história ("Lúcio Flávio - Passageiro da Agonia", do Babenco), "Eu Matei Lúcio Flávio" se aproveita do sucesso de bilheteria daquele e da figura mitológica de Lúcio - nosso Jesse James tardio, ou Lampião moderno - para ser palco de um festival de barbaridades, violência grosseira, canastrice sem limites (o grande Jece Valadão personifica à perfeição essa escrotice) e uma explosão berrante de cores e música brega. É um filme particularmente explícito nas denúncias à ditadura brasileira, que longe de ser um "pulso firme" contra os foras da lei, era muito mais o próprio monopólio da criminalidade, já que o criminoso que ia pra vala era só o que não pagava sua porcentagem da pilhéria, mas está  naquele limiar perigoso entre a crítica e a homenagem. 

    Se a história da picaretagem dos milicos é conhecida, a matança psicótica promovido por Mariscött é retratada num ritmo tão vibrante, empolgado e enérgico que a dúvida se instaura em qual exatamente é o ponto do filme. De minha parte, sem reclamações: é uma trama tão imunda, perversa, com tanta violência, estupros e aquela coisa toda que vocês querem, e conduzida de forma tão carismática por Valadão que é impossível não simpatizar e se divertir, nem que seja pelo shock value

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Night of the Juggler - 1980

Sinopse: Filha de ex policial é sequestrada ao ser confundida com a filha de um milionário. Ao longo de um dia, o pai vai travar uma cruzada frenética em busca do psicopata que a levou, custe o que custar.
 
Direção: Robert Butler
 
Elenco: James Brolin (sim o pai do bicho roxo lá)    
Cliff Gorman     
Richard S. Castellano     
Linda Miller     
Joseph Carberry 
 
 
 
 
 
 

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OU
 
 



Links alternativos para a legenda:

 
 
OBS: Falando sério galera, a legenda contém diversas expressões extremamente racistas e misóginas - com as quais não compactuamos - mas que foram preservadas e traduzidas da forma mais fiel possível em nome da integridade do texto original, que, à sua maneira, lida também com tensões raciais.


Comentário: 
 
    "Night of the Juggler", uma espécie de "Céu e Inferno" pra fãs do Michael Bay (burros), poderia facilmente ser confundido com uma ficção-científica distópica pós-apocalíptica... mas é apenas mais um thriller ambientado na Nova York dos anos 80 em toda a sua perturbadora e gloriosa imundície, degradação e violência. O filme parte de uma premissa conhecida - o pai desesperado em busca de sua filha sequestrada -, mas é impossível traduzir exatamente (eu que o diga, que fiz essa porra de legenda) a energia caótica, anárquica, raivosa e agressiva da atmosfera. É herdeiro direto das tramas policiais irritadas nova-iorquinas setentistas ("The Taking of Pelham One Two Three" e a sequência do "Operação França" vem à mente), mas com toda a decadência radioativa pela qual a cidade passou.
 
    Nova York em si é uma personagem, de maneira pouco sutil; o vilão (em uma interpretação particularmente grotesca de Cliff Gorman) trabalhador dos esgotos, os ricos completamente isolados nas coberturas, os bairros proibidos, os privilegiados, e todos os membros desses espaços desafiando a estrutura imposta cruzando suas fronteiras. É um lixão tão orgânico que nada me convence que algumas das sequências não foram gravadas de forma clandestina nas ruas, captando a reação verdadeira dos transeuntes - já que a ficção jamais poderia conceber toda essa estranheza. É um caos hipnótico, frenético, um surto em forma de filme tanto na estrutura quanto na mensagem. Lado a lado caminha a luta de classes marxista explícita, e do outro todas as fantasias reacionárias da extrema-direita no seu grau mais anabolizado (esse aspecto curioso me lembrou do injustiçado "Dragged Across Concrete").
 
    Talvez seja reflexo dos tumultos atrás das câmeras: produção paralisada por dois anos porque o protagonista quebrou o pé numa cena de perseguição (se cuida Tom Cruise), e uma troca interminável de diretores (do Frankenheimer e descendo até o desconhecido e desaparecido Butler). Isso pode explicar porque esse filme sumiu do espaço-tempo (eu próprio só fiquei sabendo porque o Sean Baker recomendou na conta dele no letterboxd), mas certamente não explica como diabos isso ainda não conseguiu  devido culto a essa altura do campeonato. Enfim, aceito elogios pela primeira e única tradução para o português dessa pérola. Juro que fiz meu melhor para captar o delírio febril que é "Night of the Juggler".

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

The Untold Story (Bat sin fan dim: Yan yuk cha siu bau) - 1993

AKA The Eight Immortals Restaurant: The Untold Story 

 
Sinospe: Em Macau, na década de 1970, a polícia começa a investigar uma série de desaparecimentos, além de pedaços de corpos que começam a ser encontrados pela cidade. É a obra de Wong Chi-hang (Anthony Wong), um psicopata que usa os corpos de suas vítimas para fazer deliciosos baos e vende-los no seu restaurante.
 
Direção: Herman Yau
 
Elenco: Anthony  Wong     
Danny Lee     
Emily Kwan     
Julie Lee     
Fui-On Shing
 
 
 
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Comentário: Um dos mais emblemáticos da era tardia dos category III, "The Untold Story" - supostamente baseado em fatos reais - é um filme indigesto (*som de bateria*). Anthony Wong carrega nas costas esse festival de atrocidades - que vão do estupro, tortura, assassinato em massa e canibalismo de minuto em minuto. Tem todo o clima desprezível e imundo dos piores exploitations, gore desagradável de sobra, uma atmosfera completamente escrota e doentia... e praticamente nenhuma característica redentora fora o próprio culhão em ser o filme mais depravado que poderia ser sem a menor vergonha. Pra piorar, a história do psicopata dono de restaurante que alimenta seus clientes com suas vítimas (inclusive crianças) é intercalada com o hilário alívio cômico - os policiais atrapalhados e cheios de tesão investigando o caso - mais deslocado que cebola em salada de fruta. Esses são os policiais heroicos que ao final mandam o assassino para cadeia - com confissão obtida sob torturas bárbaras e perturbadoras -, onde ele é novamente torturado de forma escatológica até a morte. Ou seja, o filme perfeito para esse blog. Recomenda-se tomar um banho após a sessão.
 
Ah, esse mesmo pessoal gente boa depois fez o "Síndrome de Ebola" que é quase a mesma coisa... mas um pouco mais pesado.

domingo, 9 de janeiro de 2022

The Sea and Poison (Umi to Dokuyaku) - 1986

Sinopse: Japão, década de 1940. Um hospital civil referência em tratamentos pulmonares se prepara para realizar um experimento de vivissecção em prisioneiros americanos. Dois jovens residentes se dividem quanto a participar da monstruosidade. Baseado em fatos reais.
 
Direção: Kei Kumai

Elenco: Eiji Okuda    
Ken Watanabe    
Takahiro Tamura    
Kyôko Kishida    
Mikio Narita 








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Comentário: 

    A princípio é de se estranhar que o classudo "Sea and Poison" seja absolutamente desconhecido enquanto o ignóbil clássico das locadoras de bairro "Campo 731", e suas sequências ainda piores, tenham notoriedade quase mitológica. A comparação vem de ambos terem sido produzidos mais ou menos pela mesma época, baseados em atrocidades reais que os japoneses cometeram na Segunda Guerra Mundial e os dois se valem da violência gráfica chocante como recurso narrativo (a do presente filme mais bem feita e comedida, contudo). Porém, há um motivo para você não ter ouvido falar dele. Enquanto o "Campo" foi financiado pelo governo chinês e amplamente distribuído pelo mundo com função propagandista antinipônica (nesse caso justificável até se for parar para pensar), "Sea and Poison" foi feita de forma praticamente independente dentro de um Japão mal resolvido com a sua história, onde qualquer menção da participação do país no conflito era (e ainda é) um tabu inominável.
     
    Após seu lançamento e subsequente controversa, a distribuição foi soterrada pelo estúdio e a coisa morreu. Uma pena. Trata-se de uma pequena obra-prima atmosférica com direção - perdão pelo trocadilho - cirúrgica e belíssima fotografia em preto e branco. A apuração minuciosa dos detalhes - oriundas da vasta pesquisa realizada por Shûsaku Endô, autor do "Silêncio", para seu romance homônimo - é secundária à fábula moral no cerne do filme. Quando médicos respeitados decidem puxar o saco dos milicos oferecendo sua então imaculada instituição para servir de palco para uma atrocidade, o interesse de Kumai se volta para a perspectiva de dois jovens e idealistas residentes que são cooptados para serem cúmplices. Entre os dois, o profundo conflito entre o desejo de participar do "progresso" científico envolvido em vivissecar seres humanos e agradar seus mestres, do outro a obviedade monstruosa do ato. 

    É difícil para nosso cérebro mensurar e compreender a magnitude de hecatombes como o holocausto (a morte de muitos é uma tragédia, a de milhões uma estatística, já diria o camarada Stalin), por isso "Sea and Poison" se dedica a estudar em uma escala reduzida como pessoas normais podem tomar parte em crimes atrozes. Apesar da postura diametralmente oposta dos "inocentes" Toda e Suguro, ambos sucumbem ao mal diante do verniz institucional (o exército, o imperador, o hospital, os mais velhos e sábios) e também, finalmente, pela perversa lógica utilitarista liberal (já que esses prisioneiros americanos seriam condenados à morte por fuzilamento, por que não aproveitar?)

    "Sea" é uma preciosidade, construída com uma calma silenciosamente tensa à qual muitos de nossos leitores inteligentíssimos certamente acusarão de ser chata e blá blá blá, por isso jogo um ossinho para vocês: aqui temos algumas das cenas mais intensas, bizarramente realistas e doentias de cirurgias já realizadas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Catástrofe Nuclear (Threads) - 1984

Sinopse: O holocausto atômico da perspectiva de uma cidade industrial nos subúrbios da Inglaterra. Vai achando que é pouco...


Diração: Mick Jackson


Elenco: Karen Meagher    
Reece Dinsdale
David Brierly    
Rita May    
Nicholas Lane

 

 

 

 

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Magnet (Br-rip, 2,24Gb)

Legenda PT-BR 

 

Comentário:

     Eu, como redator desse blog, achei que nessa busca incessante pelo que há de mais doentio, depravado e intragável nos confins da história do cinema tinha visto de tudo, mas nada poderia me preparar para a experiência de assistir "Threads". Produzido pela BBC (e se não fossem os planos fechados e quadradões, você jamais imaginaria que é feito para TV), é uma espécie de exercício especulativo sobre o que aconteceria, longe das metrópoles, caso houvesse uma escalada fatal nas tensões nucleares na Guerra Fria. O primeiro ato, com muita calma, estabelece um bairro classe operária nos subúrbios industriais ingleses, seus habitantes e fragmentos de noticiários que vão dando conta da política internacional. Essa parte pode parecer arrastada para alguns, mas é fundamental porque, no seu tom semi-documental, quase neorrealista, conquista credibilidade para mostrar suas cartas adiante...

    O recente "Don't Look Up", escrito antes da pandemia, errou consideravelmente nas previsões quando o assunto é a reação do populacho à crises globais. "Threads" acerta em cheio. As opiniões controversas e as prateleiras de papel higiênico vazias nos mercados, quando um ataque nuclear parece iminente, são imagens que ressoarão forte no espectador de 2022. Esse mal estar involuntário é um aperitivo do que está por vir. Com amplo respaldo científico, o que segue é uma representação, nos mínimos detalhes, de como exatamente seria esse cenário - feito em uma época onde isso parecia efetivamente inevitável. De forma totalmente sóbria, distanciada, livre de sentimentalismo barato, vemos uma sociedade se reduzir a seu nível mais bárbaro e brutalizado numa lentidão dolorosa. Primeiro os efeitos imediatos (a destruição, os feridos), adiante os efeitos da radiação, a quebra das cadeias de fornecimento, o fim da ordem estabelecida, e assim vamos, gerações adiante nesse possível apocalipse, onde o mais aterrorizante acaba sendo não o fim da humanidade, mas sim a sua continuidade.

    Há quem queira em definir "Threads" como uma ficção-científica - e esses não tem a menor ideia de nada. O grande Kurt Vonnegut disse certa feita que os críticos insistiam em classifica-lo como um autor de gênero apenas porque ele "não ignorava os avanços tecnológicos como os vitorianos ignoravam o sexo", e essa é a chave para compreender a lição cuidadosa de Mick Jackson. Esses cenário pode até não se concretizar (nunca dá pra descartar nada), mas se fosse pra ser, é assim que seria. É a realidade nua, crua e documental de um futuro que não aconteceu, apenas. 

    "Threads" poderia ser apenas um cautionary tale (e não deixa de ser, também) mas é tão agressivamente perturbador, indigesto, aterrorizante e deprimente que está num seleto panteão de filmes que não são considerados "chocantes" gratuitamente, lado a lado, por exemplo, do soviético "Vá e Veja". Claro que não quero comparar com aquele em méritos técnicos e artísticos ("Threads" está longe de ser perfeito enquanto cinema), mas sim no mérito da experiência de assisti-lo ser um trauma, uma FACADA NO FÍGADO (marca registrada), certamente mais desesperador e violento que 90% dos filmes nesse blog. No meu mundo ideal, é isso que passariam nas escolas para as crianças (junto com o Ilha das Flores).

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Jogos de Estrada (Road Games) - 1981

Sinopse: Pat é um caminhoneiro que, ao lado de seu inseparável dingo, Bosworth, costuma, para matar o tempo, fazer uma brincadeira que consiste em tentar adivinhar as profissões e vidas dos seus companheiros de viagem nas infinitas estradas do outback australiano. Após o sumiço de uma caroneira, ele começa a suspeitar que um dos motoristas que ele observa pode ser um serial killer procurado.


Direção: Richard Franklin


Elenco: Stacy Keach    
Jamie Lee Curtis    
Marion Edward    
Grant Page




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Comentário: "Road Games" é um filme bastante incomum. Não por sua trama, que não tem nada de novo ou incrível - é praticamente um "Janela Indiscreta" dos pobres (caminhoneiros) -, mas no tom. É um ozploitation Sessão da Tarde (se quando criança eu vi o "Robocop" de tarde na Globo, esse tinha chances mesmo de ir pra curadoria - e por favor esquecer da existência do "Mad Max 3"). É tudo na medida certa: da canastrice do protagonista - e da fofura do dingo de estimação - ao tom do macabro, capaz de agradar tantos os leitores calejados desse blog quanto as mães que moram com eles.
    A exemplo do clássico de Hitchcock, o foco é quase que totalmente no protagonista e na sua crescente paranoia, não no pretenso psicopata - algo fundamental, já que para o suspense funcionar é preciso haver empatia. A violência é mais sugerida do que mostrada, apesar disso, graças ao bom desenvolvimento da trama e do espaço a tensão chega a níveis extremos. Um filme plenamente satisfatório em termos de divertimento, e fico feliz de, embora dando um spoiler, avisar: nada de ruim acontece com o dingo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

A Caçada do Futuro (Turkey Shoot) - 1982

Sinopse: Numa sociedade fascista do futuro (1995 kkk), regida por uma sangrenta ditadura, todos os cidadãos que se rebelam contra o governo autoritário são imediatamente encaminhados a um "centro de modificação de comportamento" - na verdade, um violento campo de concentração, onde são humilhados, torturados e forçados a trabalhar. Um dos prazeres do chefe do campo é selecionar os melhores prisioneiros para servirem de alvo em caçadas humanas. O problema é que um dos alvos selecionados é o revolucionário Paul Anders, que começa a virar o jogo a favor dos prisioneiros.

Direção: Brian Trenchard-Smith

Elenco: Carmen Duncan Jennifer, Michael Craig, Noel Ferrier, Steve Railsback



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1080p: Link magnético

Legenda


Comentário: Uma das obras-primas do Ozploitation, que ficou famosa por sua produção controversa, onde utilizaram munição real em algumas (ou várias cenas), ferindo alguns dublês, mas sem nenhuma alecbaldwinzação. 

Mas é a chinelagem convicta de tudo que torna o filme saboroso demais. O enredo é tão ordinário que a violência é só a tônica assumida mesmo, até resguarda a putaria (consegue evitar o estupro, veja só, coisa rara nos exploitation) para priorizar de uma vez a selvageria. E quando você vê a versão australiana do Sargento Pincel descendo o sarrafo numa mulher — possivelmente menor de idade — sabe que vem coisa especial. Aí quando aparece um lobisomem, do nada, com roupas civis, parece uma progressão bem natural. 


Esse


Um mérito nunca percebido no filme também é praticamente simular um campo de concentração numa distopia bolsonarista estabelecida. É quase inspirador como demonstra que seria um terreno propício e acessível para uma revolução social.

Até nas similaridades físicas o filme é eficiente, afinal o lugar é administrado pelo sósia do senador Luis Carlos Heinze e do general Heleno, cujo personagem, numa das sutilezas do filme, se chama Thatcher — no Reino Unido, aliás, o filme foi lançado com o nome de Blood Camp Tatcher e fez muito sucesso kkk. E acaba sendo fidedigno ao que seria um cenário desses: uma bagunça do caralho. Os caras querem ordem e não conseguem nem escravizar direito o pessoal, no meio da tarde mandam tudo os prisioneiros pro dormitório, liberam a fornicação de boa. E ainda deixam o trabalho no meio do expediente pra espairecer no mato, perambulando com umas carangas anacrônicas CÓPIAS FAJUTAS do design do Gurgel e se divertindo numa caçada? Que mamata. Mas o mais folgado mesmo é o lobisomem de meia idade acima do peso, cansado e sem consciência de classe (prefere trajes civilizados, cabelo escovado, e usar artes marciais ao invés dos privilégios da espécie), vagabundo mesmo.

Nessa sequência, guiado pelo sargento Pincel, o senador Heinze entra no mato achando que ia conseguir estuprar a moça (mas, mais uma vez, o filme evita o estupro). Porém, acaba falecendo com um tirambaço no saco e carbonizado no rancho queimado

Pra finalizar, os bastidores desse filme reservam uma das melhores anedotas do cinema (se for real): em um dos takes de uma cena que a personagem vai decepar a mão armada do sargento Pincel, durante a gravação, no movimento do facão, o diretor teria dito 'cut' para cortar a cena, e a atriz entendido cut para cortar o braço do ator, que teria salvo a mão por milímetros. Uma pena, valeria o sacrifício. 

O Colecionador de Almas (Dust Devil) - 1992

 

Sinopse: No deserto da Namíbia, mulher fugindo de seu ex-marido dá carona a um enigmático passageiro - um serial killer ligado a rituais de sacrifício a uma entidade maligna que os locais chamam de "demônio de poeira", um ser que assume a forma humana e precisa coletar almas para transcender novamente ao mundo dos espíritos. Na cola deles, um policial cético em negação de suas origens tribais.


Direção: Richard Stanley


Elenco: Robert John Burke
Chelsea Field     
Zakes Mokae
John Matshikiza     
Rufus Swart

 

 

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Magnet (Br-rip, 1,76Gb)

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Comentário: 

     Poucos filmes conseguiram invocar um universo particular de forma tão intensa e convincente quanto "Dust Devil", a obra-prima esquecida de Richard Stanley que definitivamente precisa ser descoberta. As raízes da sua obscuridade começam na pós-produção: o corte original de 2h do jovem diretor (que até então tinha feito apenas o independente "Hardware"), odiado pelos distribuidores ingleses, foi mutilado à revelia para uma versão incompreensível de 95min e lançado com o título de "Demonica". Massacrado pela crítica no seu breve circuito europeu, o filme então foi para os EUA onde a Miramax, coprodutora, o esquartejou novamente para incríveis 85min, no provavelmente maior crime que um Weinstein já cometeu - e que inclusive deu um calote no coitado do Stanley, que passaria os próximos anos juntando dinheiro desesperadamente para financiar o corte final do seu próprio bolso.

    A história prova que o esforço valeu a pena, pois da versão que nos chega hoje resta apenas a glória. Ambientado no saturado deserto namibiano - que poderia facilmente se confundir com o outback dos ozploitations - a obra altamente atmosférica assumidamente invoca tanto a grandiosidade dos faroestes de Leone quanto das obras surrealistas de Jodorowski. Nesse mundo de mandalas jungianas - onde nos são dadas apenas migalhas de uma mitologia complexa e profunda - os poucos personagens são reduzidos aos seu nível mais elementar arquetípico (o demônio, a vítima, o policial) que dançam em uma trama relativamente simples, contraposta pela grandiosidade do escopo espiritual e operático de Stanley.

    Algo posso conceder aos críticos: o terceiro ato se torna ligeiramente arrastado e ganharia com uns minutinhos a menos. Fora isso, um tour de force, um magnus opus, particularmente um dos meus favoritos e se você não gostou o problema deve estar no fato de você ser burro.

Noroi - A Lenda de Kagutaba (Noroi) - 2005

Sinopse: Documentarista começa a investigar fenômenos aparentemente sobrenaturais que rondam os subúrbios japoneses e que podem estar ligados a um demônio folclórica esquecido chamado de 'kagutaba".


Direção: Kôji Shiraishi

Elenco: Jin Muraki     
Rio Kanno     
Tomono Kuga     
Marika Matsumoto

 

 

 
 
 
 
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Comentário: Oriundo da safra do terror japonês do final da década de 1990 e começo dos anos 00 (de "Ringu" ao "O Grito", vocês sabem do que eu tô falando), "Noroi" acabou de escanteio perante seus pares, e nesse caso talvez com razão. É longo demais, vai longe demais em um terceiro ato que se recusa a acabar e, principalmente, comete o maior pecado capital do horror: revelar a assombração no fim sem ter os recursos para não deixá-la tosquíssima. Apesar desses elementos quase destruírem o filme num todo, ainda é um dos exemplares mais bem justificados do estilo found footage e, se assistido com as luzes apagadas, o celular no modo avião e sozinho, "Noroi" é sem dúvida nenhuma uma das experiências mais aterrorizantes da história do cinema. Juro.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

The Boxer's Omen (Mo) - 1983

 

Sinopse: Depois de ser derrotado nos ringues, o boxeador decadente Zhen Wei junta-se a seu irmão à procura de um monge tibetano que pode ter a resposta para livrar a família de uma maldição milenar... ou algo assim, não só não faz muito sentido como não tem a menor importância porque o que se segue é a mais pura demência.


Direção: Chih-Hung Kuei

Elenco: Phillip Ko    
Shao-Yen Lin            
Kar-Man Wai    
Lung-Wei Wang

 

 
 
 
 
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Comentário:  
 
    Hong Kong, por suas características geográficas e políticas (uma ilha administrada pelos ingleses até os anos 2000) gozou de relativa liberdade cultural em relação à China continental. Na década de 1970, em uma espécie de autorregulamentação, o governo local criou uma escala de classificação etária para sua frutífera produção cinematográfica (já lendária pelos filmes de artes marciais). O limite da escala de classificação era a infame category III, o X-Rated deles, que por englobar praticamente tudo (da violência à pornografia explícita) permitia que produtores pudessem combinar, por vezes, ambos no mesmo filme - e tudo mais que a imaginação pútrida pudesse conceber (questões orçamentais eram o de menos). Com uma forte produção de horror financiada por estúdios como Shaw Brothers e Golden Harvest, os category III logo se tornaram sinônimo para os exploitations vindos da potência em formação.
    
       A exemplo das produções bollywoodianas, onde o que vale é acima de tudo o senso de espetáculo, esses filmes normalmente são uma salada de frutas de gêneros e tons. Horror grotesco, musical, aventura épica, erotismo e um senso de humor dos mais duvidosos (nós aqui do blog não temos frescura com essa palhaçada do politicamente correto mas mesmo assim a misoginia nas piadas é tão intensa que causa certo desconforto até em machos como nós) se intercalam de uma cena a outra. "The Boxer's Omen" é talvez um dos melhores exemplos dessa safra porque é, por um lado, minimamente acessível e compreensível em termos de estrutura (apesar do choque cultural nítido na temática do folclore chinês, é como se um alienígena tentasse reproduzir a jornada do herói ocidental pela primeira vez) e por outro, eleva todas essas contradições à décima potência. Quando o filme praticamente desiste de tentar fazer sentido, o que sobra é um dos festivais mais inacreditáveis de bizarrice, escatologia, "efeitos especiais" grotescos e uma nojeira desenfreada. É uma das maiores fanfarras do mau gosto que o cinema foi capaz de nos presentear - e ao mesmo tempo transparece tanta sinceridade e alegria em fazer cinema que é impossível não lembrar desse filme por anos e anos com um sorrisão no rosto.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Origem Desconhecida (Of Unknown Origin) - 1983

Sinopse: Ratão enorme apronta todas em Nova York, mata até cachorro, sem escrúpulos. Cabe ao Robocop derrotá-lo.

Direção: George P. Cosmatos

Elenco: Peter Weller    
Jennifer Dale    
Lawrence Dane
Kenneth Welsh    
Louis Del Grande

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Magnet (741mb, Br-rip) 


 
Comentário: Uma obra saída da melhor safra oitentista, daqueles tipos de filmes redondinhos com uma premissa simples e clara levada até o fim. E é realmente isso: em 1h29min (!) Peter Weller (pré-Robocop), um yuppie sozinho em sua luxuriosa residência centenária recém restaurada, descobre um ninho de ratos no porão, mata os bebês (em uma cena particularmente desagradável) e é jurado de morte pela mãe ratazana. Enquanto o duelo silencioso escala, claro que ele vai enlouquecendo a níveis dostoievskianos. Funciona principalmente porque a direção eficiente do Cosmatos (pós-Rambo 2) utiliza de forma perfeita e completa tanto o espaço quanto o carisma natural de Weller (90% do filme se passa no mesmo cenário e com apenas ele em cena, e ainda assim nunca fica cansativo). A narrativa cuidadosamente econômica é potencializada por cenas pontuais de violência grotesca - para a satisfação garantida do depravado leitor médio deste blog. Alguns podem reclamar que o filme oferece um final miserável perfeito, só para revelá-lo um sonho e trocá-lo por um final real otimista, mas considerando tudo é difícil não ficar feliz pelo Weller, que no seu arco acaba se transformando no heroi clássico americano por merecimento.