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quarta-feira, 21 de maio de 2025

E Agora, José? (A Tortura do Sexo) - 1979

Sinopse: Nos anos de chumbo, José, secretário de um grande industrial, é preso acidentalmente por agentes da repressão. É o começo de uma orgia de violência que destruirá não a ele como a todos ao seu redor. O intelecto, porém, pode ser a última arma contra a barbárie.

Direção: Ody Fraga

Elenco: Arlindo Barreto (o Bozo!! sério)
Luiz Carlos Braga
Pericles Campos
David Cardoso
Henrique Martins







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(O único jeito de ver isso aqui é uma ripagem de VHS... uma indignidade mas a qualidade até que está razoável)


Comentário: Esse é pra quem quer filme sobre a ditadura mas sem as viadagens tipo "Ainda Estou Aqui", onde o José titular paga pra comer catadora de lixo, lê poesia enquanto participa de orgias bissexuais e declama Drummond no pau de arara, coisa de macho. Ironias típicas do cinismo deste blog à parte, "E Agora, José?" é a transubstanciação da pornochanchada em cinema político fisiológico; é a representação definitiva das consequências corpóreas do totalitarismo no cinema brasileiro - é bem superior, por exemplo, ao "Pra Frente Brasil", tido normalmente como a referência da área -, algo melhorado também por ter um protagonista carismático (apesar de ser petista) e, algo que muito falta ao nossos filmes, senso de humor. Se as cenas de violações sexuais e tortura foram feitas tendo um ideal de manifesto em mente, ou só para tirar uns trocos do público bagaço do cinemas pornô da Boca do Lixo, fica à interpretação do leitor (mas com certeza é a segunda opção).

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Que o Céu a Condene (Beatrice Cenci) - 1969


Sinopse: Na renascença italiana, a bela Beatrice é filha de um poderoso e repugnante nobre que a mantém presa em um calabouço como escrava sexual particular. Junto à sua madrasta, um servo e um bandido das redondezas ela planeja assassinar seu pai. O problema é que ele, por sua vez, tem a  seu dispor a Igreja, o Estado, e a inquisição.

Direção: Lucio Fulci

Elenco: Tomas Milian    
Adrienne Larussa    
Georges Wilson    
Mavie Bardanzellu    
Antonio Casagrande





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Comentário: Uma excentricidade. Não é que o Fulci não tenha feito filmes sérios ou dramas na sua filmografia esquizofrênica (nesse quesito, "O Segredo do Bosque dos Sonhos" é uma das maiores obras-primas do cinema italiano), mas nunca nos termos de "Beatrice Cenci". É um drama de época baseado em fatos reais (a história de Beatrice é muito viva no folclore italiano e foi adaptada inúmeras vezes), com toda pompa e circunstância, mas que de forma linear e segura se degenera até tornar-se um torture porn grotesco, com todas as assinaturas do mestre (globos oculares sendo cortados como uvas? temos!). É também um mérito incomum que aqui Fulci desenvolva suas vítimas com humanidade e, quase, sensibilidade. Não deixa de ser aquele exploitation sórdido de sempre, mas há pelo menos autoconsciência na sua misoginia (talvez até mesmo uma denúncia), e os atores não são apenas manequins ou pedaços de carne a serem estripados. Fulci inclusive considerava esse seu melhor filme (apesar de eu suspeitar que ele dizia isso mais como provocação). Ah, e a protagonista é gatinha viu.