domingo, 16 de maio de 2021

Mansão macabra (Burnt Offerings) - 1976


Sinopse: Ben e Marian conseguem alugar uma mansão por um valor estranhamente baixo e depois que se mudam para a casa Ben começa a ter explosões de violência, enquanto Marian passa a maior parte do tempo no quarto da velha senhora que tem que cuidar mas que ninguém jamais conheceu. À medida que "acidentes" vão acontecendo a casa parece ficar cada dia mais nova, e seus habitantes não tem como sair.

Direção: Dan Curtis


Elenco: Karen Black, Oliver Reed, Bette Davis, Lee Montgomery



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720p - 814 MB >> Link magnético
1080p - 1,84GB >> Link magnético

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Comentário: Não querendo exagerar, mas isso aqui faz O Iluminado parecer um exploitation. Não me entenda mal, o Kubrick é aquela perfeição que todo mundo sabe e O Iluminado tem aquela pretensão de ser o filme de terror definitivo e por isso exige que seja carregado em todos os sentidos (então se torna impraticável a comparação? pode ser, pode ser). Mas se atendo ao enredo, é praticamente a mesma coisa: família se muda para casa (de verão, dessa vez, olha só) e a loucuragem começa a tomar conta de todo mundo. O que tem de diferente mesmo aqui é como tudo funciona na total inversão do filme do Kubrick (num lampejo de retardadice daqueles fãs otários de Kubrick torço que ele tenha assistido esse filme e essa foi uma forma de homenageá-lo, fazendo uma releitura reversa). Desde a troca de cenário e circunstância já mencionada nas estações que ambos se passam, mas principalmente pelas escolhas simbólicas para representar a insanidade progressiva. Em Burnt Offerings não rola cascata de sangue, gêmeas medonhas ou velha sedutora putrefata; o efeito tá em sutilezas de um pai tentando afogar o próprio filho sem perceber e de uma idosa (Bette Davis, sempre memorável, até em pequenas participações) sentindo-se cada dia mais fatigada, por exemplo. Visualmente dá pra se dizer também que qualquer confronto entre os dois filmes é injusta, mas salve um reconhecimento justo ao filme do Dan Curtis é que se ele começa sem personalidade de um quase-filme-de-tv, ao final evolui (creio que dentro do conceito pretendido) para um quase-Bava-modesto nos momentos que flerta com uma estética gótica.
Para acabar com a palhaçada forçada dessa comparação (será mesmo? e aquela última cena, heinhô?), só gostaria de mencionar que a a reação dos personagens (assim como as atuações) são muito mais relacionáveis do que às do filme do Kubrick e seus exageros (perdoe-me). Já para não me render totalmente, cabe criticar o chofer magrelo não tão convincente (especialmente na cena confusa no quarto) e também o clímax, não entre as melhores execuções possíveis.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Pin: Uma Jornada Além da Loucura (Pin) - 1988

Sinopse: Jovem cultiva amizade com boneco anatômico desde a infância. Já crescido, a relação começa a gerar desconfiança de pessoas próximas a ele.

Direção: Sandor Stern

Elenco: Cynthia Preston, David Hewlett (III), Terry O'Quinn








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Comentário: No mundo ideal, Pin teria sido produzido entre a década de 40 e 60, protagonizada por Anthony Perkins ou um genérico e dirigido por algum Hitchcock dos pobres. Temos de nos contentar, entretanto, com as consequências de ser uma produção do final da década de 80, com estética horrorosa, trilha inconveniente e momentos soap opera. Mas é um bom filme, acima da média, envolvente e com bom argumento (até que bem desenvolvido). Subestimado, talvez.

terça-feira, 16 de março de 2021

The Reflecting Skin - 1990

Sinopse: Seth Dove tem apenas sete anos, e vê o mundo por uma ótica muito particular. Seth acredita que sua vizinha é uma vampira, e fará de tudo para impedir o relacionamento entre ela e seu irmão mais velho.

Direção: Philip Ridley


Elenco: Jeremy Cooper, Lindsay Duncan, Viggo Mortensen









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>> 1080p (1,49GB) - Link magnético 
>> 720p (777MB) - Link magnético


Comentário: Tem status de cult e rende até uma idolatria a nível de ser considerado pelos fãs um dos melhores filmes de "terror não-terror" de todos os tempos. Acho um exagero, mas tem muitos méritos e não merecia ser tão desconhecido quanto é.
O flerte de referências vai da composição visual do Days of Heaven, do Malick, com a estranheza dosada do Blue Velvet, do Lynch. Se passa quase inteiramente de dia, sob a perspectiva de uma criança, e transpira saudosismo na ambientação ruralista. Isso tudo tem um propósito de causar a falsa impressão de se tratar de um abordagem leve e nostálgica. Mas é o extremo oposto, o espectador na verdade está inserido no mundo distorcido de uma mente infantil. Isso cria um contraditório curioso (mas disfuncional, particularmente) como experiência cinematográfica, pois é constante a sensação de que a densidade narrativa não encaixa com som, imagem e atmosfera. Os momentos de choque são realmente pesados, embora raramente explícitos. Destaca-se um elemento extremamente grotesco, o qual vou me referir como o 'anjo' imaginário do protagonista — que na história, entretanto, é só mais um dos rompantes pretensiosos do diretor.
O problema que desfavorece o filme — além da falta de conexão pelo desencaixe da coisa toda —, é tentar fingir inteligência com seus ímpetos alegóricos, sendo que na verdade o filme de Ridley fracassa em aspectos bem miseráveis: a trilha é desnecessariamente melodramática e indutiva, as atuações são na maioria capengas e a suposta profundidade é fajuta, pois depende da boa vontade do espectador em querer se esforçar para compreender as metáforas, uma vez que os diálogos em si são vagos, quando não superficiais. No fim, a narrativa não é nem tão inovadora assim. É sim um filme de terror, esperto e pesado, cujo conceito, porém, não foge do básico "fim da inocência".

quinta-feira, 11 de março de 2021

Messiah of Evil - 1973

Sinopse: Garota à procura do pai chega numa cidade litorânea que carrega uma maldição.

Direção: Willard Huyck, Gloria Katz

Elenco: Michael Greer, Marianna Hill, Joy Bang









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>> 2,6GB - Link magnético



Comentário: Carece de acabamento no roteiro, nem tudo se amarra ou se explora devidamente, especialmente com relação ao desfecho e a mitologia que propõe. Porém, sobra atmosfera. Reproduz muito a sensação de desconforto de um pesadelo angustiante, daqueles ambientados à noite em um lugar estranho. Quando digo que sobra atmosfera não sou generoso, de fato é um filme que concentra tudo no clima e se mostra eficiente nisso. Toda a paranoia e estranheza são sensorialmente compartilhadas com os personagens. O uso de cores não chega a ser tão significativo quanto um giallo, mas o suficiente para chamar a atenção. 
Também se observa algumas similaridades, em termos de condução, com Carpenter e tematicamente com Romero. Aliás, falando em Romero, o filme recebeu no Brasil o maravilhoso título de "Zumbis do Mal", que preferi nem vincular na postagem. Talvez tenha sido justamente pela similaridade em alguns aspectos do na época recente "A Noite dos Mortos Vivos", lançado cinco anos antes. Parece que o filme inclusive foi renomeado para The returning of the living dead ao ser relançado anos depois — o que posteriormente seria retratado após ação judicial do próprio Romero.
Pena que os diretores não investiram muito no gênero depois. Do resto da suas carreiras, inclusive, se destacam apenas dois exemplos bizarros: roteirizaram Indiana Jones e a última Cruzada e Howard, the duck (também dirigiram esse!).

terça-feira, 9 de março de 2021

Spirits of the Air, Gremlins of the Clouds - 1989

Sinopse : Félix e sua irmã vivem sozinhos em um outback pós-apocalíptico até a chegada repentina de um estranho em fuga, que descobre que Félix desenvolve projetos de aeroplanos. Ele então passa o ajudar o seu anfitrião a conceber uma espécie de ultraleve que o ajude a ganhar vantagem dos seus perseguidores.

Direção: Alex Proyas

Elenco
Michael Lake
Rhys Davis
Melissa Davis
Norman Boyd




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>> 720p (816MB) - Link magnético

>> 1080p (1,5GB) - Link magnético

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Comentário: Não sei exatamente qual contexto da produção, mas parece ter sido feita logo depois da conclusão do curso de cinema do Proyas. Pelo menos há aquela impressão de se buscar o esmero técnico e a frugalidade narrativa pra se postar como cineasta maduro em ascensão. Mas é exatamente a economia nos diálogos e essa intenção de não se arriscar para não se expor tanto que torna esse filme aí travado. As atuações não ajudam muito também.
No fim, resta uma história de objetivo concreto e nada de muito interessante a se explorar ou refletir sobre os personagens. Basicamente, se resume a um sujeito obstinado e os prejuízos de se conviver com uma irmã retardada num ambiente inóspito.
Não sou tanto entusiasta dessa estética pós-apocalítica desértica, mas certamente tem apelo para quem gosta. Lembra vagamente — embora muito inferior — ao tom ambiental do Colecionador de Almas do Richard Stanley — também lembra um pouco o duvidoso 'Dublê de Anjo', do Tarsem Singh. De qualquer forma, visualmente é interessante sim, principalmente por optar investir no azul e amarelo vibrante e no design de produção espalhafatoso num filme com essa proposta. A trilha sonora, no entanto, é algo injustificável, troço chato da porra (o título também zoado demais, convenhamo).
Pode ser que tenha também algum fã do diretor perdido por aí (será? Mesmo? O Proyas?) e seja interessante conferir esse primeiro trabalho dele. Pra quem não sabe, o Proyas dirigiu o Corvo com o Brandon Lee e o Cidade das Sombras.

sexta-feira, 5 de março de 2021

Pânico e Morte na Cidade (The Night Stalker) - 1972

Sinopse: Um jornalista começa a investigar, em paralelo à apuração da polícia, uma série de mortes de mulheres, crimes que têm como peculiaridade o fato de as vítimas terem o sangue drenado do corpo. Gradativamente, Kolchak defende a tese de se tratar de um vampiro. O que é categoricamente descartado pelas autoridades que, no entanto, passam — a contragosto — a respaldar a teoria do repórter no avançar do caso.

Direção: John Llewellyn Moxey

Elenco: Darren McGavin, Simon Oakland, Carol Lynley, Claude Akins




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>> 1080p - 1,18GB

>> 720p - 623MB

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Comentário: The Night Stalker foi lançado para tv e bateu recorde de audiência em sua exibição na época. Com isso, gerou uma imediata sequência (The Night Strangler, dirigido pelo Dan Curtis, bem divertido também, embora praticamente xerox do primeiro) e logo depois uma série (Kolchak e os demônios da noite), que consagrou de vez o personagem. Talvez essa excessiva popularidade repentina, no entanto, fez com que o filme acabasse soterrado no universo que o sucedeu. Não sei o quanto ele ou a série são conhecidos do público brasileiro, mas sempre é tempo de sugerir para alguém...
Já começo contestando as taxações de 'datado'. Não é. A composição estética é humilde, mas saborosa: é quase um aconchego estar ambientado sob os neons vintage da sempre asquerosa Las Vegas, ainda mais numa textura carregada do visual pulp de uma filmagem feita visivelmente às pressas, reforçada pela narração em tom de pilantra do protagonista.
O mais interessante de tudo é a abordagem detetivesca flertando com o terror (a série, por exemplo, é tida como grande influência para Buffy e Arquivo X). Muitos dos elementos míticos vampirescos (principalmente as regras de como se derrotar um vampiro) hoje esgotados no subgênero, na época estavam fresquinhos e é legal perceber como The Night Stalker é um dos precursores que fundamentaria os trocentos filmes que sairiam dali por diante. 
Kolchak é um personagem carismático principalmente pelo papel contraventor à qualquer figura de autoridade (política ou editorial) e essa irreverência dele é o caldo do filme. Isso é usado inclusive como o elo fantástico. É divertido como o horror é evitado ao máximo pelos personagens "racionais", até que não haja escolha e todos precisam ceder à audácia e ao imaginário do Kolchak. No final ainda rola os payoffs disso também.
Enfim, diversão pura, é como se uma versão urbana setentista do Dracula da Hammer encontrasse o tom de Billy Wilder.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Primavera (Spring) - 2014

Sinopse: Após a morte de sua mãe, o inconsolável Evan vai afogar as mágoas com seus amigos no bar onde trabalha. No entanto, ele se envolve numa briga que acaba fazendo com que seu chefe o demita. Sem rumo e com a possibilidade de ser perseguido por seu novo desafeto, Evan decide viajar para fugir de seus problemas. Numa pequena e turística cidade costeira na Itália, ele conhece e se interessa por uma linda e misteriosa mulher. Logo se torna claro que ela possui segredos obscuros que podem destruí-los.

Direção: Justin Benson e Aaron Moorhead

Elenco: Lou Taylor Pucci Evan, Nadia Hilker Louise, Augie Duke Jackie



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>> 1080p - 1,65GB

>> 720p - 813MB

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Comentário: Seria muito conveniente fazer analogias entre Spring e um punhado de filmes. Das associações mais fáceis: Antes do Amanhecer do Linklater e A Experiência (de sei lá quem dirigiu isso). Ou mesmo remeter alguns elementos a Cronenberg e Lovecraft. Mas a verdade é que o filme de Benson e Moorhead é um legítimo filme de Benson & Moorhead para quem já assistiu alguma coisa da filmografia deles: peculiaríssimo em abordagem e visualmente incômodo, mas isso até que superado nossos próprios vícios industriais estéticos cinematográficos.
Começa como uma aparente história de broderagem e luto e nesse breve período já convence pela honestidade da relação entre os dois personagens. Segue então para um road movie bon vivant (brega né, tô ligado) culminando num romancezinho indie pretenso ao natural, ou seja, aquela referência do Antes do Amanhecer se aplica neste momento. Claro que antes disso já surgem esporadicamente os elementos sobrenaturais, inicialmente de maneira homeopática formatada, mas logo, em osmose, o horror formulaico insere-se no cinema amortecido de Benson e Moorhead, transformando-se em algo único. Para o espectador menos boboca vale aquela refletida da escalada narrativa e de como o filme consegue concentrar e desenvolver tanta coisa e tanta gente em tão pouco tempo. Mas o coração da parada é o eixo de tudo ser a interação dos personagens e de como a história gira ao redor disso.
O espectador brasileiro acostumado a comer massa com salsicha obviamente torce o nariz pra esse tipo de filme, mas pros desiludidos que acham que o cinema já acabou há bastante tempo, dá aquela revigorada de encher os olhos.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

A Casa com Janelas Sorridentes (La Casa Dalle Finestre Che Ridono) - 1976

 Outro título: The House of the Laughing Windows 

Sinopse: Stefano, um pintor, viaja até um vilarejo para restaurar uma pintura de São Sebastião sendo torturado. Depois de um tempo no vilarejo, Stefano descobre que algo não esta certo.

Direção: Pupi Avati

Elenco: Lino Capolicchio, Francesca Marciano, Gianni Cavina









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Comentário: Para quem tem apreço por giallos e já acabou o estoque de possibilidades, considerando ser um subgênero limitado de exemplares realmente notáveis, pode muito bem investir uma incursão por esse semi-giallo/gótico, que não tem lá muitos dos elementos principais (sem luvas, navalhas ou violência gráfica constante), mas se diferencia pela condução envolvente. Na história, um restaurador (uma espécie de versão italiana canastra de James McAvoy) é chamado para uma cidadezinha de interior italiana para recuperar uma obra toda lanhada numa parede da igrejinha local. A imagem, bizarra por si, obviamente resguarda um contexto macabro de sua concepção, que o McAvoy dos pobres vai aos poucos descobrindo enquanto transa com as forasteiras da região. 
A começar pela ambientação, já temos algo diferente, foge bastante do ambiente urbano e concentra tudo no vilarejo, quase um giallo rural. Como disse, nada de luvas de couro ou gore, tem sim cenas pontuais violentas, como a abertura estilizada e instigante e naturalmente no clímax também, mas são praticamente os únicos momentos de violência mais explícita. O foco mesmo é o suspense, e a história é interessante o suficiente para manter a atenção. E lá pro fim ainda tem uma reviravolta divertida. Único problema é que o filme não aproveita totalmente as justificativas para o núcleo violento e perde a oportunidade de explorar algumas possíveis analogias com a arte, que tinham potencial!

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

O caçador de bruxas (Witchfinder General) - 1968

Sinopse: Na Inglaterra do século 16, Matthew Hopkins, um cruel e violento auto-intitulado caçador de bruxas tortura e executa jovens inocentes por supostos envolvimentos com bruxaria. Um homem, Richard Marshal, está determinado em acabar de vez com o reinado de sangue de Hopkins.

Direção: Michael Reeves

Elenco: Vincent Price, Ian Ogilvy, Rupert Davies, Hilary Heath






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Comentário: A sinopse de Witchfinder General é tão boa que eu decidi não colocar ela na íntegra para vocês não se empolgarem tanto. Não que o filme dê margem para muita empolgação, pois nas primeiras cenas já dá para notar o nível paupérrimo da produção, cujo figurino e o próprio tom da coisa, embalado pela presença — e voz david lynchiana — sempre zoada de Vincent Price (nunca entendi o apelo, sinceramente), dão um ar de Corman dos pobres (se é que é possível). É tão galhofa a pretensão de seriedade que não seria estranho que a qualquer momento surgisse o John Cleese para anunciar a chegada da inquisição do Monty Python. 
Tão logo, no entanto, começam a rolar cenas de muito mau gosto — em 35 minutos três personagens transam com uma mesma mulher, como forma de demarcar claramente a personalidade de cada um dos homens, é sério. E sessões de tortura progressivamente tornam-se mais gráficas e explícitas (uma em especial surpreende, envolvendo uma fogueira). 
É um filme com muito potencial não alcançado e mal escalado, mesmo assim, é inegavelmente bom e corajoso em muitos aspectos. Muito se fala de tensões que envolveram o diretor e Price, que notória e publicamente nunca foi a escolha para o papel. Entende-se a frustração do cineasta, considerando a canastrice destoante que ele empregou ao personagem. Ainda assim, o Price considerava essa a melhor atuação da sua carreira (...).
Na época, o filme foi sucesso de público e fracasso de crítica. Com o tempo, angariou o status de cult, especialmente pela controvérsia e pelo fato de o diretor morrer meses antes do lançamento, aos 25 anos. 
Está previsto para breve um remake, dirigido pelo John Hilcoat (responsável pelo ótimo western Proposition, de 2005), o que não deixa de ser promissor em razão do já mencionado potencial desperdiçado. 


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

A um passo do abismo (Over the edge) - 1979

Sinopse: Nova Granada é uma comunidade planejada onde Ritchie White (Matt Dillon), Claude Zachary (Tom Fergus) e Johnny (Tiger Thompson) vivem em harmonia com outros adolescentes e suas famílias. Contudo, o que foi desenhado para ser correto e organizado acaba mudando...

Direção: Jonathan Kaplan

Elenco: Matt Dillon, Michael Eric Kramer, Pamela Ludwig






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Comentário: Hoje em dia se tem algum reconhecimento é por ter sido o filme favorito (ou um dos) de Kurt Cobain. Deve ter sido a primeira experiência mind-blowing dele kkk.
Não vou entrar em detalhes, mas é sim uma grata surpresa e deve ter chocado jovenzitos que na época foram ao cinema achando se tratar de um inofensivo entretenimento adolescente naquele pré-cinema incendiário hormonal da década de 80. É até curioso como o filme insinua um tom espirituoso juvenil até, a partir de reviravolta, tornar-se gradativamente sombrio e no fim ser quase um gatilho para a arruaça. Não dá para entender se a obra, como discurso, toma o lado da provocação ao repertório moralista da época ou se não passa de um alerta reacionário para pais das gerações constituídas pós-Guerra do Vietnã. Não que isso importe, de qualquer forma.

A lenda de Boggy Creek (The Legend of Boggy Creek) - 1972

Sinopse: No formato "mockumentary", expõe relatos de experiências traumáticas vividas por moradores dos arredores de Fouke, no Arkansas, que desde meados da década de 1950 são assombrados por criatura.


Direção: Charles B. Pierce


Stars: Willie E. Smith, John P. Hixon, Vern Stierman 





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Comentário: Infelizmente o falecido diretor não pôde apreciar o estupendo resultado da restauração do seu próprio filme e que certamente superaria qualquer pretensão que ele mesmo teve quando o concebeu em todo vigor estético que seu miserável orçamento de U$ 100 mil possibilitou na época. E aí que tá mais um privilégio de vivermos nessa maravilhosa era dos computer, que além de nos permitir ter acesso irrestrito para revisitar  esse vídeotambém garante que filmes medíocres e insignificantes para o cinema mundial conquistem um privilégio desproporcional de ter sua estética totalmente restaurada e continuem a ser consumidos por otários quase 50 anos depois.

Ok, obviamente estou sendo injusto, porque esse blog JAMAIS postaria um filme ruim. O que prejudica The Legend of Boggy Creek é justamente, entretanto, suas limitações orçamentárias e a direção sem qualquer traquejo para o terror ou suspense, que tornam momentos de tensão sonolentos e as aparições esporádicas do monstro quase que uma sketch do João Kleber envolvendo sustos e pessoas fantasiadas de gorila. 

Contudo, há um charme genuíno que ressarce as capenguices técnicas. Começa pela já mencionada estética que dá a textura merecida à ambientação do Arkansas e suas similaridades geográficas com o Mississippi (que fica ali nos arredores) e isso remete a todo imaginário culturalmente estabelecido e vinculado a campos inóspitos e pântanos sugestivamente assustadores daquela região. Mas os elementos que realmente credenciam o filme a um status cult — mas de um nicho bem específico, eu diria voltado especialmente para um público de tetudos cabeludos com rabo de cavalo — é a aura folclórica que as atuações autênticas dos capiais (que seriam moradores da região que de fato alegam ter vivenciado o que relatam) e a narração elegante e rebuscada de Vern Stierman. É como se o locutor, que diz ter crescido nas redondezas, de fato o tivesse e quando adulto deixado a cidade, adquirido a oratória necessária para voltar e tornar narrativa a lenda da tal criatura que assombra por décadas os seus conterrâneos. E são os poucos os filmes que conseguem de fato convencer em propostas como essa, como é o caso deste. Porém, mesmo esse mérito acaba sendo meio que um auto-boicote, pois a insistência do filme em dar sustentação à lenda por meio dos relatos acaba se tornando um recurso repetitivo e já lá pelo sexto testemunho você se sente ouvindo a prima da sua avó contando a mesma história, mas sem um clímax satisfatório. 

No fim, o balanço pende bem mais para o positivo e de qualquer forma vale pela sua importância, porque além de explorar uma então rara linguagem de falso documentário, serviu de inspiração para outros filmes utilizarem o famoso "As cenas a seguir são registros reais, etc., etc.", apropriado, por exemplo, em o Massacre da Serra Elétrica dois anos depois. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

O Canto de Jimmie Blacksmith (The Chant of Jimmie Blacksmith) - 1978

 

Sinopse: Baseado na história real de Jimmie Governor, um aborígene que  enfrenta dificuldades ao tentar se inserir à sociedade branca e racista australiana. Aí o que se espera acontece...


Direção: Fred Schepisi


Elenco: Tommy Lewis

Freddy Reynolds

Ray Barrett

Jack Thompson



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Comentário: Sem querer requentar a bajulação ao cinema australiano e a lamentação do quão depreciada é sua importância, exaltemos apenas como cada filme - entre os relevantes - reivindicou uma particularidade no auge do ozploitation. E todos se complementam de tal forma que, no final, tanto a maior chinelagem ao mais pretenso à sofisticação apresentam nível igualitário de inspiração. 
O Canto de Jimmie Blacksmith pertence, por exemplo, a uma categoria mais bocejante: a da autorreflexão histórica. Mas é só tempo de aguentar a contextualização necessária, que basicamente consiste em mostrar a insistência do aborígene Blacksmith em inserir-se na dominadora sociedade branca australiana e na ainda mais insistente intolerância que recebe como resposta.
O que se procede é uma série de inevitabilidades que desembocam na violência como único meio. Momento que percebemos o agente silencioso atuante nesse tempo todo: a montagem magistral do filme, que faz transitar  diferentes perspectivas dos personagens e aí sim alcança eficiência no seu propósito de representação histórica, ao simbolizar a violência como justificativa, catarse e reação. Aí é quando se dividem os espectadores no velho ultimato "de que lado você está?": daí cabe a você escolher se concorda com os fascistas cuzões, com a burguesia dissimulada ou com o aborígene revolucionário.


quinta-feira, 9 de julho de 2020

Fase IV - Destruição (Phase IV) - 1974

Sinopse:Um fenômeno cósmico parece causar uma mutação nas formigas, tornando-as seres inteligentes. Logo, um grupo de cientistas vai ao deserto para investigar o caso, e encontra estranhas construções.

Direção: Saul Bass

Elenco: Nigel Davenport, Michael Murphy, Wesley Jonathan










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Comentário: O Saul Bass ficou conhecido como o cara que criava os créditos legais dos filmes do Hitchcock (e do Kubrick, e do Otto Preminger e mais tarde do Scorsese). Mas ele foi muito mais do que isso! Mentira, ele foi só isso mesmo. Porééém, em um momento perdido da biografia, o Bass foi um cineasta, daqueles de um filme só mesmo. E dirigiu isso aí, o inusitado Phase IV. 
Os desdobramentos em si são interessantes, mas a maior distinção do filme está nas cenas detalhadas de dentro do formigueiro, que é quando prova seu ponto, demonstrando que as formigas são, sim, mais inteligentes que os humanos retratados, pois dominam a arte cênica de uma forma muito mais habilidosa que o elenco. Na verdade toda a parte "dos humanos" é capenga sim. O que é compensado tecnicamente nos planos detalhadíssimos das formigas em ação. Maldosos poderiam dizer que o Bass teve acesso a alguma material extra do Animal Planet, criou um roteiro e filmou com os amigos o resto num final de semana. Mas acredito que não, pois o conceito parece sim convicto, embora não aproveite em momento todo o seu potencial. 
De qualquer forma, é a obra pouco conhecida e única (em termos de peculiaridade e singularidade de produção do cineasta mesmo) de um artista de importância até subestimada no cinema (se você notar, todos os filmes que o Bass foi responsável pelos créditos têm uma harmonia estética que praticamente sobrepõe a própria identidade visual dele a dos cineastas).