quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Um Longo Fim de Semana (Long Weekend) - 1978

Sinopse: Casal de babacas vai acampar na praia, briga, mata bicho, emporcalha tudo, enche a cara e é atacado por uma criatura monstruosa. Ou seja, um documentário sobre um típico fim de semana na Austrália. 

Direção: Colin Eggleston

Elenco: John Hargreaves
Briony Behets












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Comentário: A beleza do horror é a sua simplicidade: os melhores exemplares do gênero sempre partem de uma ideia concreta e podem ser resumidos em uma frase, as vezes até em duas ou três palavras-chave. É o caso de "Um Longo Fim de Semana" e seu conceito: casal (em crise, naturalmente, em um nível que se rolasse um remake moderno toda a trama seria uma METÁFORA sobre RELACIONAMENTOS e LUTO), tenta se reconciliar em um fim de semana idílico em uma praia isolada, começa a emporcalhar e avacalhar com tudo (em atos que vão desde pequenos momentos do dia a dia amplificados pela narrativa cinematográfica, como pisar em uma muda de planta ou jogar uma bituca de cigarro no chão, até momentos exageradamente cômicos como simplesmente ficar dando tiros a esmo no mato ou dar machadas em árvores) até a natureza finalmente dar um basta na farra. Alguém poderia até argumentar ser esse o "Os Pássaros" australiano. Essa pessoa não seria eu, mas certamente alguém poderia.
    Não é nenhuma obra-prima, mas um bem-vindo remanescente da safra clássica original dos ozploitations que nos deram tanta alegria, e também certamente um alento para quem está vendo as atrocidades que hoje em dia chamam de filme; aqui apesar de certos exageros há sutileza no controle da atmosfera - de uma crescente ameaça inexplicável, invisível e inominável. Como é um filme australiano, vale notar que aqui também estão presentes dois elementos comuns a todos os filmes desse país, a saber: a eterna tensão pela possibilidade de um estupro (o que é um feito e tanto para um filme como esse que contém apenas dois personagens) e o massacre de cangurus (a abertura é um canguru sendo atropelado por diversos carros, de diversos ângulos, por muito mais tempo que você julgaria sensato).

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A Noite do Demônio (Night of the Demon) - 1957

AKA CURSE OF THE DEMON 


Sinopse: Ao chegar em Londres para um congresso sobre parapsicologia, cientista americano descobre seu colega morto sob circunstâncias misteriosas. Ele decide investigar o caso, o que o coloca em rota de colisão com o perigoso líder de um seita satânica.

Direção: Jacques Tourneur

Elenco: Dana Andrews
Peggy Cummins
Niall MacGinnis
Maurice Denham
Athene Seyler





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Comentário: Assinado pelo Tourneur, veterano B, do noir ao terror (é dele o "Cat People" que depois sofreu o remake oitentista do Shcrader com trilha do Bowie, filme esse que eu sei lá de que forma assisti na TV quando era muito criança e foi ali que vi a primeira cena de sexo da minha vida, mais especificamente a cena da Nastassja Kinski amarrada na cama, e acredito haver aí uma correlação entre essa memória de infância e hoje eu ser redator desta joça), "Noite do Demônio" é o melhor filme que a Hammer jamais conseguiu fazer (se você chegou aqui desavisado saiba que achamos a Hammer e seus supostos clássicos uma viadagem). As semelhanças são óbvias pelo teor da trama e pela ambientação gótica bretã, mas aqui excede algo que lá faz falta: personagens interessantes e um mistério envolvente. 
    Um filme é tão bom quanto seu antagonista (nesse presente caso explicitamente inspirado no Aleister Crowley), mas é melhor ainda quando tem um herói à altura; aqui há um embate equiparado e lógico entre dois homens que são mestres em suas próprias áreas - na ciência e no oculto - e também dois cavalheiros estoicos que observam toda a etiqueta e os protocolos de seu duelo, com a consciência crescente de que é um caminho trágico sem volta para ambos. O Dr. Holden de Dana Andrews (que é citado na música de abertua do "Rocky Horror Picture Show" aliás), um iluminista, praticamente o Sherlock Holmes investigando o cão dos Baskerville, é honesto o bastante para admitir que está diante de algo genuinamente sobrenatural - mas que também necessariamente obedece um conjunto de regras que pode ser dominado pelo homem; o Dr. Karswell, mesmo com domínio pleno do oculto, sabe que tem diante de si um adversário astuto o bastante para enfrenta-lo no próprio jogo, que termina, aliás, de uma maneira bem espertinha. E no meio disso tem alguma gostosa que os dois disputam mas quem liga. Um belo e enxuto clássico de segunda.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Aleluia (Alleluia) - 2014

Sinopse: Clássico malandro, Michel seduz a mulherada pra depois dar o golpe do baú. Até que dá o azar de aplicar numa tal de Glória,que acaba se apaixonando de um modo obsessivo e começa a fazer o que você já deve imaginar o quê.

Direção: Fabrice Du Welz 

Elenco: Laurent Lucas, Lola Dueñas







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Magnet (Br-rip, 1,72GB)

Legenda


Comentário: Imundo e fedorento, como a própria essência do cidadão médio francês ou do frequentador médio do blog, Alleluia é um filme de estética tão desagradável que deve ter sido objeto de uma bronha poderosa do Cláudio Assis se ele assistiu.
O diretor é o mesmo do Calvaire (que tá aqui), que eu nem lembro de nada, mas recordo vagamente de também ser impactante visualmente. No caso do Alleluia, por mais que a granulação distraia mais do que tudo, a composição estética é bem interessante se você se der ao trabalho de notar.
O único problema é a progressão narrativa, que redunda muito depois do primeiro ato, mas é o risco que sempre se corre quando se tenta transformar um argumento limitado desse tipo num filme. A história, aliás, é inspirada livremente em fatos de um casal lá que eu nem sabia que existiu.
Acaba que a sujeirada foi tanta que o próprio diretor teve que dar uma arregada depois disso. Pelo que vi acabou tomando um banho e fazendo só uns filmes meia-boca e bem limpinhos. Pena.

A Arte do Caos (Verbrannte Erde) - 2024

Sinopse: Doze anos após sua fuga de Berlim (no final de 'Nas Sombras'), o ladrão profissional Trojan retorna em busca de novos trabalhos.

Direção: Thomas Arslan

Elenco: Misel Maticevic, Marie Leuenberger, Alexander Fehling, Tim Seyfi







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 Link Direto + Legendas Exclusivas


ComentárioEu sei que você não viu o primeiro filme ali linkado na sinopse, eu sei. Eu também não esperava por isso, afinal, não envolve nenhuma temática escatológica que você busca por aqui. Mas vou insistir, vou tentar porque um dia você vai entender que a vida não se resume a sangue e fezes.

E pensa só, esse é um filme que certamente ninguém dos seus amigos tetudos viu, então você pode soltar o nome dele de maneira displicente numa conversa sobre cinema só pra humilhar esses otários e mostrar que seu repertório cinematográfico é muito mais vasto.

Apesar do primeiro filme ter ficado na obscuridade, o fato de ganhar uma sequência tantos anos depois e ter uma terceira parte confirmada mostra que pelo menos uma pessoa cultua essa... franquia. No caso, quem tá desperdiçando dinheiro investindo nessas produções.

Embora seja voltado para um público mais nichado e cada vez mais reduzido (fãs de literatura policial clássica), a ironia é que termos aqui a representação mais fidedigna do ladrão Parker, personagem icônico criado pelo Richard Stark e que, embora possua dezenas de adaptações (e tá vindo mais uma pelo Shane Black), nunca teve um retrato fiel e justo às suas características principais tanto quanto nessa trilogia, que acaba sendo uma fanfic.

E, de novo, uma fanfic sofisticada (mais sofisticada), madura (mais madura) e apurada (mais apurada)

Isso implica também numa abordagem silenciosa, que acaba representando o anti-cinema quando se refere a thrillers desse perfil. Mas é isso, fazer o que, no cinema de hoje resta fazer o trabalho de garimpo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

O Que Há Para Jantar? (Parents) - 1989

Sinopse: Em um pacato subúrbio americano na década de 1950, criança começa a suspeitar que seus pais possam ser canibais.

Direção: Bob Balaban

Elenco: Randy Quaid
Nick Laemle
Mary Beth Hurt
Sandy Dennis











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Comentário: Pelo cartaz, pela sinopse e, principalmente, pela década da sua produção, é quase automático imaginar "Parents" como um dos tantos horrores B sobre um grupo de crianças se unindo para lutar contra adultos malignos, algo no estilo "Esquadrão Monstro"... ou "Goonies". Nada poderia estar mais longe do que de fato esse filme é; uma espécie de fábula onírica inclassificável na sua estranheza, com um quê de lynchiano (aproveitando a conexão com o presunto, é o segundo de dois filmes da década de 80 cuja trilha é orquestrada pelo Badalamenti - outro presunto - e que contém uma cena onde um voyer perseguido por um psicopata se refugia dentro de uma dispensa). "Parents" talvez tenha um PARENTESCO kk mais próximo ao clássico "Mensageiro do Diabo" na sua narrativa distorcida pelo prisma da infância, mas ao contrário daquele, aqui sobra espaço para especulações sobre seus temas (pode ser uma história sobre abuso, sobre legado, sobre a América ou o que mais tiver na cartela do bingo).
    A direção de Bob Balaban (um daqueles character actors que você viu em todos os filmes mas nunca consegue lembrar de um específico) esbanja estilo (não é apenas aqui, mas a cena da dispensa citada anteriormente é simplesmente a maior homenagem já feita aos giallos italianos por um americano, o De Palma que se foda) e esbanja também interpretações inquietantes, apesar de escorregar bastante no ritmo (mal chega na marca da hora e vinte, e mesmo assim seu terço final exige esforço para ser assistido) e do seu final tanto faz. Dito isso, "Parents" é um daqueles feito sob medida para este blog, nenhuma obra-prima, mas excêntrico o suficiente para ter merecido mais atenção à época de seu lançamento. Certo que sofreu por parte das audiências do mesmo preconceito que eu o impus, algo que, como o nome já fiz, é um pré conceito.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

E Agora, José? (A Tortura do Sexo) - 1979

Sinopse: Nos anos de chumbo, José, secretário de um grande industrial, é preso acidentalmente por agentes da repressão. É o começo de uma orgia de violência que destruirá não a ele como a todos ao seu redor. O intelecto, porém, pode ser a última arma contra a barbárie.

Direção: Ody Fraga

Elenco: Arlindo Barreto (o Bozo!! sério)
Luiz Carlos Braga
Pericles Campos
David Cardoso
Henrique Martins







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(O único jeito de ver isso aqui é uma ripagem de VHS... uma indignidade mas a qualidade até que está razoável)


Comentário: Esse é pra quem quer filme sobre a ditadura mas sem as viadagens tipo "Ainda Estou Aqui", onde o José titular paga pra comer catadora de lixo, lê poesia enquanto participa de orgias bissexuais e declama Drummond no pau de arara, coisa de macho. Ironias típicas do cinismo deste blog à parte, "E Agora, José?" é a transubstanciação da pornochanchada em cinema político fisiológico; é a representação definitiva das consequências corpóreas do totalitarismo no cinema brasileiro - é bem superior, por exemplo, ao "Pra Frente Brasil", tido normalmente como a referência da área -, algo melhorado também por ter um protagonista carismático (apesar de ser petista) e, algo que muito falta ao nossos filmes, senso de humor. Se as cenas de violações sexuais e tortura foram feitas tendo um ideal de manifesto em mente, ou só para tirar uns trocos do público bagaço do cinemas pornô da Boca do Lixo, fica à interpretação do leitor (mas com certeza é a segunda opção).

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Internato derradeiro (La residencia) - 1969

Também conhecido como: The house that screamed /  A Casa dos desejos

Sinopse: A senhora Fourneur (Lilli Palmer) é diretora de um colégio interno para senhoritas na França do século 19. Seus métodos rigorosos não são apreciados pelas estudantes. O clima sufocante da instituição fortalece nas internas a crença de que as três alunas que desapareceram sem deixar vestígios conseguiram, por sorte, fugir do internato. O que elas não sabem é que algo horrível está acontecendo enquanto tudo segue dentro da conservadora rotina da "residência".

Direção: Narciso Ibáñez Serrador

Elenco: Lilli Palmer, Cristina Galbó Teresa, John Moulder-Brown, Maribel Martín Isabelle


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Comentário: A ambientação não é atrativa para os seguidores deste blog: garotas no auge da ebulição sexual confinadas em uma residência. Sei que nosso leitor médio preferiria um cenário com homens peludos no auge da ebulição sexual e que estranhamente lembrem fisicamente o próprio pai, mas é isso, nem tudo pode ser como você quer!
La residencia é uma pérola gótica do diretor do ¿Quién puede matar a un niño?. É uma espécie de proto-giallo sóbrio do Mario Bava, evocando momentos de tensão sexual e requintes de fascismo (calma, calma, não se empolgue, é de uma perspectiva narrativa, dos personagens). Embora o drama prevaleça quase até toda a primeira metade, a tensão nunca cessa e tecnicamente o negócio é conduzido com maestria.
A restauração desse filme certamente o elevou a um patamar estético justo ao que sua atmosfera requer. Enfim, pouco a se dizer, mas assistindo o início quem saca já vai entender que tipo de filme é. E se dessa perspectiva ele parece manjado, não se preocupe, o clima e o charme da coisa toda são alto nível.

terça-feira, 21 de maio de 2024

Nenhum Passo em Falso (52 Pick-up) - 1986

Sinopse: Empresário fracassado que vive às custas de sua esposa, uma proeminente política em pleno processo eleitoral, começa a ser chantageado por uma trupe de pornógrafos. Mesmo tendo muito a perder, o empresário decide peitar os chantagistas. 

Direção: John Frankenheimer

Elenco: Roy Scheider
Ann-Margret
Vanity Vanity
John Glover
Clarence Williams III
Ron Jeremy






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Comentário: Junto ao "Jackie Brown", talvez a adaptação que melhor capta o espírito do Elmore Leonard - apesar da diferença na qualidade das obras ser abissal. É aquela traminha Supercine de sempre (os jovens de hoje sequer entendem essa referência?), mas a direção sórdida do Frankenheimer imprime simultaneamente um clima imundo irresistível e o máximo que o horror da estética oitentista pode oferecer, incluindo aí muita cocaína e um elenco recheado de célebres astros pornô - do Ron Jeremy, que hoje cumpre pena por assassinato, às atrizes que, naturalmente, acusaram abertamente o Frankenheimer de assédio durante a produção... e quem poderia esperar boas práticas empresariais da Canon? Os mais familiarizados com o tom do Leonard (eu próprio confesso que jamais li seus livros, mas vi adaptações deles de sobra) sabe que boa parte da graça tem a ver com seus personagens profundamente falhos e involuntariamente hilários, e ver o Roy Scheider mandar todos eles pro espaço é um belíssimo entretenimento.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

O Elevador Assassino (De Lift) - 1983

Sinopse: é isso aí mesmo, quer que eu explique o que

Direção: Dick Maas

Elenco: Huub Stapel
Willeke van Ammelrooy
Josine van Dalsum
Liz Snoyink
Wiske Sterringa











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Comentário: Ok, o tema é autoexplicativo, mas é preciso esclarecer algumas coisas. A principal é que "O Elevador Assassino" não é uma paródia, ou um terrir. Não é também um lixo metalinguístico babaca que nem o "Rubber". É um autêntico trash que tem a coragem não só de explorar ao máximo a própria premissa, mas também de se esforçar na justificativa. Você acha que o elevador está possuído? Nada disso, a explicação consiste em bio-chips de proteína que... err... se tornam sencientes, enfim. Outra coisa que pareceria ridícula é a ideia de que mais de uma pessoa poderia ser assassinada pelo mesmo elevador. Digo, depois de um tempo as pessoas se dariam conta que usar esse elevador é cilada, não? Se bem que né, no Brasil os retardados não só elegeram o Bolsonaro como por pouco não fizeram de novo... De qualquer forma, as repetições de atrocidades aqui são ao menos justificadas por uma gigantesca conspiração (de industriais japoneses) que tenta acobertar as falhas da nova tecnologia motivados por GANÂNCIA.
    É também muito engraçado (não involuntariamente, mas pela sinceridade mesmo) que o protagonista seja um técnico de elevadores amargurado, com o casamento por um fio, cujo predecessor foi internado em um hospício por chegar perto demais da verdade. Ou seja, um autêntico thriller policial, mas com um elevador no papel de serial killer. A coisa toda é muito dinâmica, o humor funciona, o gore é inesperadamente intenso e bem bolado e o clímax espetacular. "Elevador Assassino" pode ser lembrado com escárnio, mas a piada está com os idiotas que não foram capazes de ver suas qualidades autênticas.
 
Ah, e pontos pela chamada nos cartazes, "pelo amor de deus use as escadas!", que sempre me faz gargalhar.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

As Taras da Sétima Monja (La Settima Donna) - 1978

AKA THE LAST HOUSE ON THE BEACH 


Sinopse: Três rufiões invadem um convento recluso litorâneo (no... Brasil?), estupram as jovens freiras, matam uma com empalamento vaginal e depois são mortos e deu. Esse título brasileiro é de extremo mau gosto.

Direção: Francesco Prosperi

Elenco: Florinda Bolkan
Ray Lovelock
Flavio Andreini
Sherry Buchanan
Stefano Cedrati





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Comentário: Rip-off italiano, como TANTOS, do "Aniversário Macabro" do Craven, é o que se espera de um rape revenge sólido. Imundície sórdida, violência gráfica misógina que atinge níveis quase insuportáveis, atuações anti-naturais bizonhas, trilha fuleira com sintetizador, várias gatinhas, aquela dublagem mal feita e um final glorioso. É curto também. É o feijão com arroz da casa da mãe (apesar de que muitos aqui devem ter nascido na zona kk) que vocês doentes tanto gostam.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

O Último Mundo dos Canibais (Ultimo Mondo Cannibale) - 1977

Sinopse: Grupo de garimpeiros (tipo os bolsonaristas) é emboscado por uma tribo de canibais nas Filipinas. O resto já dá pra imaginar.

Direção: Ruggero Deodato

Elenco: Massimo Foschi
Me Me Lai
Ivan Rassimov
Sheik Razak Shikur










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Comentário: Você leitor do blog, que tem certa idade, que agora passa os dias observando os cabelo caírem e as crianças brincando no parque - seja para refletir sobre as escolhas que levaram à sua própria solidão e fracasso, seja por que pintou um clima tipo o Bolsonaro - volta e meia deve lembrar nostálgico de quando a internet começou a engatilhar no Brasil, naqueles tempos em que a vida era mais calma e os dias repletos de DESCOBERTAS, de POSSIBILIDADES. Excitados pelo universo que a banda larga e o Orkut abriram, muitos de nós viravam dias colados no computador (como era bom ter a internet em um lugar fixo, como um mundo paralelo, e não essa distopia grotesca), pesquisando em fóruns e blogs (esse próprio começou em 2010) tudo aquilo que as videolocadoras de bairro nunca puderam nos oferecer. Essa segmentação permitiu termos na intimidade do lar aquela mesma sensação de pegar uma cópia do "Faces da Morte" nas mãos, aquele misto de repulsa, constrangimento, medo, uma curiosidade incontornável por algo que parecia proibido.
    Foram nesses anos que muitos de nós assistiram notórias obras obscuras ou banidas do horror, e nada mais natural que a normalização desse acesso tenha nos dessensibilizado de apreciar parte do gênero. "O Último Mundo dos Canibais", da trilogia do Deodato composta por "Holocausto Canibal" e "Inferno ao Vivo" (esse é ruim), chama a atenção porque consegue, de alguma forma, resgatar esse senso de exotismo de outrora. O naturalismo claustrofóbico e incomum de suas locações, o elenco "desconhecido" (incluindo indígenas que parecem efetivamente explorados pelos produtores brancos), a violência hiper realista, a qualidade duvidosa do restauro da imagem e a semelhança com seu sucessor mais famoso 
    É mais tradicional que o "Holocausto" em termos formais, um clássico filme de sobrevivência, que surpreende pela sobriedade. Direto, sem firula, brutal, "Último Mundo" não decepciona de forma alguma no gore, e é curioso por ainda tentar ser uma ponte entre o público civil e nós, degenerados. Se trata da sexualidade e antropologia de forma ligeiramente mais contida, isso definitivamente não se aplica à questão da violência contra animais, que se aqui é reduzido em número, compensa pelo sadismo (fica aqui, falando a sério, o alerta para um momento específico envolvendo um crocodilo que dá vontade de desligar a tv). A ameaça inerente do estupro, a trilha sonora bizonha e sonoplastia incrível (no sentido de efetivamente não ser crível) dão o toque de italianagem final. 
    Esse é para os eternos saudosistas do horror; esse último mundo canibal é também o nosso último refúgio.

sexta-feira, 1 de março de 2024

Em Rota de Colisão (Stuck) - 2007

Sinopse: mendigo preso no para brisa de carro

Direção: Stuart Gordon 

Elenco: Mena Suvari
Stephen Rea
Russell Hornsby
Rukiya Bernard
Carolyn Purdy-Gordon











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Comentário: O último do mestre Stuart Gordon está bem longe da nojeirada que o consolidou, mas o que diferencia esse suspense fuleiro é, justamente, sua bagagem do body horror, que "eleva" (mas não muito) o que seria, na mão de qualquer outra pessoa, um Supercine esquecível. A trama baseada em fatos reais é isso aí mesmo, o mendigo fica preso no para brisa de uma cracuda - como está maravilhosamente ilustrado nesse cartaz digno de caixa de dvd de balaio das Americanas -, e a história se desenvolve como uma espécie de filme de sobrevivência (da perspectiva do mendigo, Stephen Rea, ator de filmes muito melhores, que entrega tudo de si) e uma comédia de erros sem graça (da perspectiva da cracuda e seu namorado tentando sem sucesso resolver a situação enquanto os dias passam). A mão do Gordon, contudo, é sentida especificamente nos momentos em que é detalhado o estado fisiológico da vítima, momentos pontuais que dão um tempero especial por serem dolorosamente gráficos (em uma cena particularmente chocante o coitado tenta tirar o um pedaço de carro que perfura seu abdômen, com resultados porcos). É um filme que não funciona plenamente em nada do que se propõe, mas que é assombroso o suficiente para ser uma despedida digna do Gordon.

Aproveitando o ensejo, fica aqui a recomendação também de outro da fase tardia do Gordon, "Edmond", sobre a jornada de empoderamento de um bolsonarista retardado (pleonasmo) cuja conclusão lógica se reflete também na vida real.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

The Appointment - 1982


Sinopse
: Cortando caminho por um bosque enquanto volta para casa, uma garota é abduzida por uma força malígna invisível. Três anos mais tarde, outra menina e sua família são afetadas pela mesma força – primeiro em sonhos que soam como premonições, depois de maneiras assustadoramente reais.


Direção: Lindsey C. Vickers

Elenco: Edward Woodward, Jane Merrow, Samantha Weysom







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Torrent + Legenda (exclusiva de novo)


Comentário: A cena inicial é surpreendente. Do tipo que inevitavelmente você já se pega perguntando o que teria levado esse filme a ser tão obscuro. O transcorrer, no entanto, justifica: sutil demais para ter o mínimo de apelo para fãs retardados do cinema de horror. E quando digo sutil demais, não estou sendo generoso, vai por mim, talvez esse seja o filme de terror mais sutil da história do cinema.
Trata-se de mais um daqueles atmosféricos, como um interminável sonho febril. Muitas vezes, e aqui está um ponto negativo bem considerável, as cenas de suspense duram até demais, alguns bons segundos excessivamente esticadas. E não dá nem para questionar "porra, cadê o editor pra cortar isso?", porque se percebe que a direção tem muita, muita personalidade, o que torna a dilatação dessas cenas perdoáveis.
Falando na direção, que pedrada. Tratando-se de um debute, é monumental. Porém, infeliz e inacreditavelmente, foi a única obra do diretor. Hoje em dia o filme é bastante desconhecido, até por ter sido perdido por décadas (aquela coisa de sempre), mas já é relativamente cultuado, às vezes até desproporcionalmente por cinéfilos bocós (aquela coisa de sempre).
E já antecipando, burros do jeito que vocês são, vou explicar a história em linhas gerais: a menina, filha do casal protagonista, é uma representação de uma espécie de "bruxa", que conjura seus poderes malignos a partir de eventos/pessoas que a incomodam. Ou seja: a menina da cena inicial, por ser sua rival e o seu pai, por faltar ao concerto, acabaram sendo vítimas. No caso, a essência do argumento é a seguinte: e se uma bruxa incorporasse em uma adolescente num contexto moderno e essa acabasse usufruindo dos seus poderes em situaões mesquinhas tipicamente vivenciadas por uma adolescente? Interessante né?