quinta-feira, 9 de junho de 2022

Blast of Silence - 1961

Sinopse: Em Nova York à trabalho, assassino de aluguel tem de lidar com os estresses da profissão e do dia a dia, como clientes antipáticos, um vendedor de armas obeso e irritante ou ainda uma antiga namorada da escola.
 
Direção: Allen Baron
 
Elenco: Allen Baron
Molly McCarthy
Larry Tucker
Peter Clune
Danny Meehan
 
 
 
 
 
 
 
 
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Comentário: A planta baixa de todos os filmes cômicos sobre assassinos profissionais, desde "Fargo" até "Na Mira do Chefe". É basicamente o matador frio e metódico ao estilo "Samurai" lidando com as banalidades do cotidiano enquanto o pai do Willem Dafoe, em uma narração picareta e que ao mesmo tempo eleva a obra, vai descortinando todo o patético de sua persona. É um filme de autor (o diretor também escreve e protagoniza) quase perdido, feito a preço de banana sob circunstância capengas (foram usadas imagens de testes e arquivos descartadas de estúdios para poupar custos, teve clímax filmado durante um tornado, e por ai vai), que exalta suas qualidades marginais em cada cena. Sofre da mesma doença do "Psicose" (quando um filme foi tão copiado e influente que acaba se tornando clichê de forma retroativa), mas consegue manter a relevante pela escala pequena bem trabalhada, pela inventividade visual e pelo humor miserável que a gente gosta.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Seeding of a Ghost (Zhong Gui) - 1983

Sinopse: Taxista é amaldiçoado após acidentalmente atropelar um bruxo. Quando sua esposa é estuprada e morta, ele recorre ao bruxo para se vingar dos assassinos, mesmo que custe sua própria vida. Aí rola sexo com cadáver, cadáver grávido dando a luz, cabeças voando, uma várzea.

Direção: Kuen Yeung

Elenco: Norman Chu
Phillip Ko
Maria Jo
Jung Wang
Mi Tien







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(não reparem que tem umas falas que não fazem muito sentido - suspeito que inclusive não fazem sentido em chinês também - mas isso não poderia importar menos)


Comentário: De todo o universo grotesco e maravilhoso dos category III, "Seeding of a Ghost" é num todo fraco em relação a seus pares. É certamente menos divertido que outras produções dos Shaw, e não é violento de um jeito chocante como os da Golden Harvest - não que não seja violento, mas aqui a violência é só extremamente desagradável e sórdida. Tirando umas boas cenas de pancadaria, os dois primeiros atos inclusive são bastante esquecíveis. O que justifica a presença desse filme em um blog com padrões tão elevados quanto esse se encontra no terceiro ato. Não quero estragar a experiência, mas vocês podem acreditar quando digo que é um dos terceiros atos mais doentios, nojentos e inacreditáveis de todo o cinema bagaceiro. Confiem em mim. E termina no milésimo de segundo exato pra deixar a fuleiragem queimada na retina.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Nova York - Cidade Violenta (Murderock - Uccide a Passo di Danza) - 1984

Sinopse: Em uma prestigiada escola de dança em Nova York, jovens dançarinas começam a ser assassinadas de forma grotesca. O que se segue é o de sempre, mas mais azulado.

Direção: Lucio Fulci

Elenco: Olga Karlatos
Ray Lovelock
Claudio Cassinelli
Cosimo Cinieri
Giuseppe Mannajuolo








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Comentário: Um dos últimos giallos autênticos, ao menos no que diz respeito à fórmula e regras (tem as luvas, tem a arma pontuda incomum, tem o plot twist sem sentido). Pela sinopse e temas, parece querer imitar o "Suspiria" - foi inclusive pensado como parte inicial de uma trilogia musical -, mas Fulci não tem interesse algum na dança, ainda menos nas personagens. Há aqui aprumo estético (é muito mais estilizado do que o sórdido "Estripador de Nova York", por exemplo), mas no que diz respeito às vítimas, são todas pura e simplesmente carne a ser barbarizada. Corpos que suam, se contorcem, são penetrado. A descoberta do assassino ao fim é particularmente misógina em seu significado, ou seja, tem tudo o que amamos nos italianos. 

    Isso aqui é nosso arroz com feijão, mas tem um tempero especial por ser justamente a encarnação final daquele giallo caprichado gostoso (pudera, teve inacreditáveis QUATRO roteiristas) e também por, ao menos num nível técnico, ser o último bom filme de Fulci.

terça-feira, 17 de maio de 2022

O Metrô da Morte (Death Line) - 1972

AKA Raw Meat
AKA Subhuman


Sinopse: Diplomata desaparece em estação de metrô de Londres. Donald Pleasence está no caso mas infelizmente não é ele que luta contra uma turba de canibais mutantes dos subterrâneos. Esse cartaz é extremamente inapropriado ao tom do filme.

Direção: Gary Sherman

Elenco: Donald Pleasence
Norman Rossington
David Ladd
Sharon Gurney
Christopher Lee




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Comentário: O final talvez seja anticlimático demais, principalmente porque, spoiler, o Donald Peasence não precisa vencer na porrada um canibal mutante. Apesar disso, um sólido horror britânico, muito distante do que se produzia por lá na época, e as locações subterrâneas são muito bem aproveitadas, impressionando inclusive por serem reais. Guardo o filme na memória afetiva porque é gostoso demais ver o Pleasence simplesmente se divertindo pra cacete como é nitidamente o caso aqui.

domingo, 15 de maio de 2022

The Scary of Sixty-First - 2021

Sinopse: A vida de duas amigas entra em uma espiral de paranoia e loucura quando elas descobrem que o apartamento que recém alugaram pertencia anteriormente ao notório pedófilo e traficante sexual bilionário Jeffrey Epstein.

Direção: Dasha Nekrasova

Elenco: Madeline Quinn
Betsey Brown
Stephen Gurewitz
Dasha Nekrasova
Mark H. Rapaport








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Comentário: 

    De fato, somos barcos contra a corrente remando incessantemente em direção ao passado, como diria Fitzgerald. O mundo rodou, rodou, e de novo os velhos milicos brochas estão no poder aqui, a Guerra Fria se reconfigura lá. No cinema, essa busca pelo conforto do familiar se manifestou com mais clareza; em Hollywood, reboots, soft reboots e remakes de toda a propriedade intelectual disponível monopolizam as salas, e no arthouse não é diferente - é até pior. Todo dia qualquer mequetrefe faz o que na cabeça dele é o GIALLO MODERNO! A SUBVERSÃO DO EXPLOITATION! A DESCONSTRUÇÃO DO HORROR! Não há exemplo melhor do que o recente "X", do West, mais uma tranqueira da A24 lançada com toda pompa, se propondo a ser O GRANDE RESGATE do slasher setentista e que no fim não só não tem nada de novo ou criativo para oferecer, como também se perde na própria reverência - ironicamente, a um modo de se fazer cinema que jamais respeitou qualquer regra, que jamais criou ícones que não pudesse dessecrar. Pra variar, todo mundo sedento pela aura criativa de outrora caiu no golpe (as pessoas foram capazes de eleger o Hitler, não dá pra ter nenhuma confiança mesmo). O fã inteligente de horror (como eu) não tem mais onde se consolar, já que tudo virou pastiche e qualquer coisa minimamente melhor se transforma no Segundo Advento de Cristo, muitas vezes injustificadamente. 

    Aqui entra "The Scary of the Sixty-First". Fez algum burburinho por festivais e circuitos limitados, mas não chegou a dividir público e crítica porque ambos foram unânimes em odiar e em sequência esquecer. Depois de todo esse tempo, as pessoas já não são mais capazes de reconhecer um autêntico exploitation nem quando ele está nas suas caras. "Scary" é talvez o único exemplar genuíno do gênero em décadas, principalmente no seu aspecto titular: a exploração, o ato de se apropriar de um fato ou tópico do momento e extrapolá-lo de forma gritante, apelativa e chocante. Aqui, a história gira em torno do legado que Jeffrey Epstein deixou para trás. Para quem pisou no planeta Terra pela primeira vez hoje, Epstein foi o infame bilionário pedófilo e traficante sexual, que diariamente levava à bordo do seu Lolita Express amigos da política, das artes e dos negócios (Weinstein, Spacey, Singer, Clinton, Gates e o filho mais fracassado da rainha são alguns dos íntimos), para sua ilha particular que também calhava de ser um harém para todos os gostos e idades. Epstein foi preso em 2019 e antes que pudesse abrir a boca foi morto na cadeia numa queima de arquivo.

    Se a mídia é sempre discreta ao lidar com essa bomba-relógio, Nekrasova escancara tudo da forma mais grosseira e desrespeitosa possível, para nossa alegria. No seu debut (atrás e à frente das câmeras, como roteirista, produtora, diretora e coadjuvante), ela transforma turbilhão que cerca Epstein em um horror gótico hipster com toda a energia de um adolescente falando que virou ateu na ceia de natal. Duas jovens alugam um apartamento que pode ou não ter pertencido anteriormente à ele, e cada uma é afetada pela descoberta de formas distintas. Uma entra em uma espiral de paranoia, medo e obsessão; a outra parece ser "possuída" (ou libertada?) por um espectro sexual maligno que rende as cenas mais avacalhadas do longa.

    A categorização como exploitation não vem só do zeitgeist delirante da extrema-direita (enquanto se mantém perversamente ambígua no seu próprio posicionamento), mas também da produção de guerrilha. Com orçamento zero, Nekrasova e Quinn (que também assina o roteiro e protagoniza) oferecem soluções criativas e ousadas para contornar suas limitações. Você pode achar o que quiser disso, mas é preciso certa coragem e comprometimento para, por exemplo, se masturbar na maçaneta da casa real do Epstein numa gravação clandestina. "Scary of Sixty-First" e suas criadoras são uma luz de esperança no futuro - ou um último alento antes da morte.

 

 

(apesar de tudo, sabemos que o filme foi enterrado porque eles não querem que você saiba a verdade)

terça-feira, 10 de maio de 2022

Divina Obsessão (Il Miele del Diavolo) - 1986

AKA The Devil's Honey
AKA Dangerous Obsession

Sinopse: Após acidente, músico morre por negligência médica. Sua namorada grávida, inconformada, o sequestra com o objetivo de tortura-lo até a morte. Ela só não esperava que o médico tivesse tendências sadomasoquistas.

Direção: Lucio Fulci

Elenco: Brett Halsey
Corinne Cléry
Blanca Marsillach
Stefano Madia
Paula Molina




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Comentário: 

    Um autêntico Cine Privé, vindo da fase decadente do mestre Fulci, "Devi's Honey" é uma das italianagens mais asquerosas de todos os tempos - ou ao menos aparenta ser. De largada, uma cena icônica onde a protagonista chega ao clímax com as vibrações e baforadas vindas de um saxofone encaixado diretamente em suas, hm, partes (o saxofone inclusive é uma marca da narrativa e da trilha sonora, o que ressalta o ar de pornozão sórdido). Infelizmente depois desse começo espetacular o filme dá uma desacelerada e vira aquela putaria básica de sempre... mas apertem os cintos, porque a narrativa cresce (claro que não como o Bráulio dos nossos leitores homens, já que depois de todos esses anos vendo desenho japonês com o notebook emitindo radiação no colo e dieta à base de hot pocket já se tornaram inutilizáveis seus órgãos reprodutores).

    É a trama de vingança que se espera, em termos de estrutura; o médico negligente que pode ser ou não responsável por uma morte, e a viúva inconsolável que canaliza o luto em violência. Sob a superfície, há todo um subtexto sobre relações de poder: é a viúva que revê o quanto foi abusada e submissa em seu relacionamento, agora tendo prazer em torturar e o poderoso médico sexualmente frustrado que finalmente encontra prazer no papel de vítima -  isso sem contar na culpabilidade ambígua do médico.

    A questão é que por ter sido concebido e vendido para o mercado de soft porn, a profundidade narrativa é reduzida ao seu mínimo em detrimento do erotismo. Pelo mesmo motivo, sua duração é diminuta (1h20 apenas, por isso mesmo que fiz a legenda). Assim, "Devil's Honey" viola a regra do "quanto mais curto melhor" e talvez tenha perdido aí a chance de ser celebrado por sua originalidade (a cena final, inclusive, é surpreendentemente poética e inteligente, merecendo até estar em um filme melhor). Não tenho a menor dúvida de que se fosse produzido na França, por exemplo, com um desenvolvimento melhorado e um pouco mais de classe, seria até hoje alvo de debates constantes nas reviews dos letterboxds (ou filmows) da vida por sua abordagem complexa da sexualidade humana. Por outro lado, os aspectos criativos são mais marcantes aqui porque deles nada se espera num filme dessa laia. Se isso é bom ou não, fica a cargo de cada um decidir.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Encounters of the Spooky Kind (Gui da Gui) - 1980

Sinopse: Para se casar, poderoso aristocrata decide assassinar o marido de sua amante, um atrapalhado camponês. Ele contrata um bruxo para cometer o crime por meio de magia negra, mas o corno encontra um aliado inesperado.

Direção: Sammo Kam-Bo Hung

Elenco: Sammo Kam-Bo Hung
Fat Chung
Lung Chan
Ha Huang
Tai-Bo







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Comentário: Escrito, dirigido e estrelado por Sammo Kam-Bo Hung, "Enounters" é da vertente mais aventuresca e amigável dos category III, ao estilo "História Chinesa de Fantasmas". Como sempre, é uma mistureba de gêneros, notadamente aqui o horror, filmes de kung fu e comédia. Nessa última, ao contrário de todos os seus contemporâneos, se sobressai por um motivo: a clara influência sobre Hung do humor físico low-key (na medida em que esses filmes escandalosos podem ser) de Buster Keaton. Seu personagem é uma figura simpática nas suas fragilidades, que apesar da aparente inépcia, guarda em si uma inesperada astúcia diante do inacreditável. E tal qual Keaton, Hung exala uma criatividade artesanal, mantendo o padrão de nojeira dos seus pares, mas aqui chamando mais a atenção pela inventividade do que pelo gore.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Alguém me Vigia (Someone's Watching Me) - 1978

Sinopse: Ao receber uma ligação de um perseguidor, Elizabeth, em desespero, se joga da janela do apartamento 4320 e comete suicídio. Algum tempo depois, Leigh Michaels, em fuga de Nova York devido a um amor não correspondido, compra o mesmo apartamento. Começa, pouco a pouco, uma perseguição psicológica que leva Leigh à beira da loucura.


Direção: John Carpenter


Elenco: Lauren Hutton, Adrienne Barbeau, Charles Cyphers, David Birney 



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Legenda


Comentário: Não dá pra dizer que foi um filme treino para o Carpenter porque foi produzido na mesma época que o Halloween, então ele já estava se vangloriando de reconhecimento. Também não dá pra dizer que é um filme subestimado, porque embora consistente, é descartável (só lembrei que existia porque morreu essa semana um dos atores). Mas dá pra dizer que compreende uma fase mais atmosférica da variada filmografia dele, até por ter sido lançado no ano do Halloween. Também dá pra dizer que com uma rápida análise se percebe que o jovem Carpenter era um tarado, porque o voyeurismo era uma temática constante.

O domínio da direção se ressalta. Havia, inconscientemente, uma disputa para quem seria o herdeiro oficial do Hitchcock, aparentemente, pois na mesma época o Giallo se consolidava, surgia o Carpenter, o Spielberg flertava com o suspense, entre tantos outros. Foi um período prolífico e, ainda que tenha sido produzido para a TV, Someone's watching me se destaca em termos de direção. E é daqueles filmes tão redondinhos que acaba imediatamente após o desfecho do clímax, sem enrolação.

terça-feira, 3 de maio de 2022

O Olho do Diabo (Eye of the Devil) - 1966

Sinopse: Aristocrata francês precisa retornar para o centenário vinhedo de sua família, que passa pelo terceiro ano seguido de uma severa seca. O vilarejo, contudo, guarda estranhos costumes e rituais pagãos que colocam sua vida e de sua família em risco.
 
Direção: J. Lee Thompson 

Elenco: Deborah Kerr
David Niven
Donald Pleasence
Sharon Tate
David Hemmings







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Comentário: Entretenimento suave para os fãs de folk horror. Precede em uns bons anos o "Homem de Palha" na sua temática de rituais agrícolas sombrios, e é conduzido por uma atmosfera de horror gótico a lá Hammer (mas melhor que aqueles) muito bem construída. Grande elenco (Donald Pleasence fazendo o que sempre faz, um David Niven incomumente melancólico, o debut da Sharon Tate) e clímax surpreendente na ousadia.

domingo, 1 de maio de 2022

Efeitos Especiais (Special Effects) - 1984

Sinopse: Proeminente diretor de cinema mata uma aspirante a atriz e grava o ato. Sadicamente, ele decide usar a sequência real do assassinato em seu próximo filme, e começa a procurar outra atriz fisicamente semelhante para assumir o papel. E sim, o cartaz é bizonho, saca aquela mulher zoada ali nunca entendi isso.
 
Direção: Larry Cohen

Elenco: Zoë Lund    
Eric Bogosian
Brad Rijn
Kevin O'Connor    
Bill Oland







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Comentário: Das centenas de cópias, digo, homenagens ao "Um Corpo Que Cai" feitas na década de 80, certamente uma das mais sinceras e menos retardadas. Parte, por exemplo, do mesmo conceito que o "Dublê de Corpo" do De Palma, lançado em simultâneo, mas ao contrário daquele não é uma afetação desesperada e patética. Apesar de suas influências, "Efeitos Especiais" é acima de um tudo um exploitation honesto e amigável - apesar de toda sua imundície e sordidez - graças a direção eficaz do sempre confiável Cohen. O filme consegue até mesmo resistir à tentação de se tornar aquela crítica metalinguística cansada de sempre - coisa que o De Palma se atira com gosto -, mantendo no máximo um aceno ao fato de que todo cineasta é essencialmente um sociopata. Vale notar também o humor cruel de que o herói acabe sendo o marido caipira abusivo e violento, e de um dos finais mais cínicos de todos tempos.

sábado, 30 de abril de 2022

The Dreaming - 1988

Sinopse: Arqueólogos descobrem tumba aborígene centenária escondida em caverna da Austrália. Logo, todos os pesquisadores e pessoas que tiveram contato com os estranhos artefatos guardados lá começam a sofrer de aterrorizantes alucinações.

Direção: Mario Andreacchio

Elenco: Arthur Dignam
Penny Cook    
Gary Sweet
Laurence Clifford
Kristina Nehm








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Comentário: Resultado de uma produção turbulenta e arrastada, de onde pulou fora o diretor e roteirista original por, nas suas palavras, o produtor ter tornado sua "elevada obra artística" em um "filme B". Por essas e outras, teve estreia em um número limitado se salas de cinema e depois se tornou disponível apenas enquanto filme para TV, selando sua obscuridade. Agradecemos então a este produtor! "The Dreaming" é basicamente o "The Last Wave" dos pobres, onde a atmosfera maravilhosamente trabalhada e o tema da herança maldita da raça branca e seus genocídios planeta afora operam a favor de basicamente um slow burn onírico rumo a uma matança final esculhambada - no bom sentido. Um daqueles filmes muito particulares, em um ponto intermediário entre um folk horror do Eggers e um ozploitation de quinta, que te levam a outro ritmo e que dizem (ou fingem dizer) muito sem dizer nada.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Balada Para Satã (The Mephisto Waltz) - 1971

Sinopse: Myles Clarkson, um músico frustrado, cai nas graças de Duncan Ely, um moribundo virtuoso do piano, e de sua enigmática filha, Roxxane. Conforme os três se tornam mais íntimos, a esposa de Myles começa a suspeitar que pai e filha têm intenções macabras.
 
Direção: Paul Wendkos

Elenco: Alan Alda
Jacqueline Bisset
Barbara Parkins
Bradford Dillman
Curd Jürgens







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Comentário: É uma cópia sem vergonha do "Bebê de Rosemary", mas invertendo aí a ótica, que agora é masculina (portanto melhor). Também é aquela reinterpretação previsível e manjada do Fausto, mas se eleva quando comparado à safra de exploitations satanistas dos anos 70, principalmente, pelo texto afiado. Os diálogos espertinhos no estilo bate-volta das comédias da Era de Ouro conseguem transformar todos esses simulacros vazios de seres humanos em personagens carismáticas e até divertidas, o que beneficia a escalada dramática do segundo e terceiro ato (apesar de algumas cagadas, como a morte da filha que serve a nada e não tem impacto emocional algum). Encanta também a ambientação atmosférica que capta com grande astúcia a decadência das burguesias suburbanas pós-Manson, mas o que salva a coisa toda mesmo é o final, que se não é inteligente como o do filme seminal do Polanski, é pelo menos tão ou mais ousado quanto.


quarta-feira, 27 de abril de 2022

The 20th Century - 2019

Sinopse: Na virada do século XX, o jovem aristocrata Mackenzie King precisa enfrentar uma série de desafios na luta para se tornar líder do Canadá - entre eles, a repressão de desejos fetichistas bizarros, seu amor secreto por uma revolucionária e o próprio processo eleitoral, que consiste em provas fatais de onde apenas um candidato sairá vivo.
 
Direção: Matthew Rankin
 
Elenco: Dan Beirne    
Sarianne Cormier
Catherine St-Laurent
Mikhaïl Ahooja
Brent Skagford




 
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Comentário: 
 
    Quando uma obra absurda é comparada ao Monty Python, de forma elogiosa, você sabe que é cilada porque a única coisa ao estilo Monty Pyhton que já funcionou, em qualquer época e lugar, foi o próprio Monty Python. Na maioria dos casos, o humor nonsense depende de uma fórmula delicada demais para ser bem-sucedido (em primeiro lugar, precisa ser engraçado, coisa que 90% dos pretensos discípulos do quinteto inglês não chega nem perto). Dito isso, "The 20th Century" é a exceção que confirma a regra.

    O longa canadense funciona não necessariamente por ser hilário (apesar de genuinamente engraçado quando precisa), mas por satirizar o exercício selvagem do poder nas suas mais diversas manifestações - o fascismo, o nacionalismo, a monarquia, a guerra - de forma tão grotesca e estilizada a ponto de se tornar um delírio febril, onde tudo que nos é conhecido aqui opera sob a lógica de um pesadelo - é inclusive bastante assustador num todo. Novamente, é algo arriscado, mas que aqui cativa porque há um excelente desenvolvimento de personagens - que seguem humanos nas suas características, mesmo que pertencendo a um mundo artificial e deformado - e, principalmente, por sua grandeza estética.
 
    Raros filmes conseguiram criar um universo particular tão deslumbrante, original, criativo e hipnótico com, visivelmente, tão parcos recursos. A jornada de Mackenzie King (pense num jovem João Dória vivendo uma aventura no Canadá do South Park) transcorre em um mundo anguloso que homenageia toda a história do cinema, do expressionismo alemão (você leitor pode fazer esse comentário para impressionar sua mãe ou pai ausente, já que namorada/o vocês não tem), à era de ouro de Hollywood, às vanguardas das décadas de 60/70 e ao horror aveludado dos anos 80. E o melhor de tudo é que, por sua curta duração, termina muito antes de cansar.

    Como muitas coisas na vida, "The 20th Century" é um para poucos, mas garanto que esses poucos estarão bem servidos.