sábado, 5 de fevereiro de 2022

Singapore Sling (Ο άνθρωπος που αγάπησε ένα πτώμα) - 1990

Sinopse: Um homem sem nome procura Laura, a sua mulher misteriosamente desaparecida. Na sua busca, vai parar em uma casa onde uma mãe e filha habitam um ambiente de loucura, depravação e morte. Então ele se vê obrigado a entrar nos jogos de tortura sexual das duas mulheres completamente loucas.


Direção: Nikos Nikolaidis


Elenco: Meredyth Herold, Michele Valley, Panos Thanassoulis




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Comentário: Já seria um avanço fazer vocês gostarem de um filme assim. Digo, daqueles pornôs da Deep Web (que vocês sabem quais são....) pra Singapore Sling já é realmente uma puta evolução. Vai ser uma experiência difícil, um pouco chata, porque é arthouse, e não é só depravação não pra sua decepção, mas sem dúvidas o filme do Nikolaidis tem personalidade. É incômodo por elementos que tangenciam o impacto gráfico, especialmente no ritmo encapsulado da ambientação quase teatral, até pelo senso de humor espirituoso que contradiz a estética.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

O-bi, O-ba - O Fim da Civilização (O-bi, O-ba - Koniec Cywilizacji) - 1985


Sinopse: Em um futuro pós-apocalíptico, quando a Guerra Fria atingiu seu apogeu atômico, o que resta da humanidade vive em um gigante abrigo subterrâneo em condições precárias. A esperança pela vinda da "arca", um veículo aéreo com ares messiânicos, é que o mantém o espírito dos sobreviventes. Um cínico funcionário da burocracia do abrigo começa a suspeitar que há algo mais por trás dessa crença.
 
Direção: Piotr Szulkin
 
Elenco: Jerzy Stuhr    
Krystyna Janda
Kalina Jedrusik    
Mariusz Dmochowski    
Marek Walczewski



 
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Comentário: No que diz respeito a distopias apocalípticas soviéticas com protagonista amargo, um belo exemplar. Talvez menos imaginativo e artístico que "Cartas de um Homem Morto" e outros do Lopushansky, mas bem mais redondinho e menos insuportável que aqueles. A ambientação claustrofóbica e a hierarquia do fim do mundo são muito convincentes. Não há nada de novo ou surpreendente aqui, mas para quem gosta desse tipo de filme, certamente um dos melhores (e mais curtos). Szulkin fez mais três ficções-científicas com essa cara sucateada e essa é a única que presta.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

A Chuva do Diabo (The Devil's Rain) - 1975

Sinopse: Patriarca de uma família é sequestrado por Corbis, o emissário de Satã na Terra, que busca reaver um livro milenar onde estão registradas todas as almas de seus adoradores. Seus filhos vão, um a um, tentar resgata-lo em uma cidade abandonada no deserto convertida em sede do culto macabro.
 
Direção: Robert Fuest
 
Elenco: Ernest Borgnine
Eddie Albert    
Ida Lupino    
William Shatner    
Tom Skerritt    
John Travolta
 





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Comentário: 

    O maior legado de Charles Manson, tirando aqueles assassinatos lá, são as centenas de filmes sobre satanismo da década de 1970. "A Chuva do Diabo" segue um dos mais subestimados e curiosos dessa safra. Fuest usa todos os elementos pulp da sua obra-prima anterior, "O Abominável Dr. Phibes" (hoje mais conhecida por ter sido homenageada pela banda do cara da Prevent Sênior) - da maquiagem fuleira ao vilão carismático - e te joga direto dentro da trama e da mitologia, sem se preocupar em contextualizar nada. Funciona porque já começa frenético, e envolve, se não por outra coisa, pelo mistério de tudo. Trocar a Inglaterra gótica do "Dr. Phibes" pelo deserto americano também é importante porque é fácil imaginar os bundas moles da Hammer pegando o mesmo conceito (um dos melhorzinhos deles, "As Bodas de Satã", tem uma trama muito semelhante) mas fazendo aquela coisa insossa e engessada de sempre. Ao invés disso, Fuest eleva o material com a ambientação de um faroeste espiritual, com uma grandiosidade operística reminiscente do Leone. Mesmo esdrúxulo e capenga (as mascaras de cera e a transformação do Borgnine em bode são muito engraçadas), tudo é levado mortalmente a sério. É curiosa também a atenção aos detalhes da liturgia satânica, que são apresentadas de forma, se não descaradamente simpática, pelo menos ambígua - inclusive, o mesmo satanista que deu a consultoria pro Polanski no "Bebê de Rosemary" não só também deu assistência irrestrita aqui como também faz uma ponta.

    As desgraças no set não foram poucas (além de ter sido a estreia de John Travolta, foi também supostamente onde ele se converteu à cientologia), e o fiasco de público e crítica (o otário do Ebert colocou na sua lista de filmes mais odiados, junto a todos os slashers e filmes do Carpenter) acabou com a promissora carreira de Fuest. Dali para a frente ele faria apenas televisão (que aliena as pessoas) e nada digno de nota. Ou seja, todo mundo é burro pra caralho desde sempre. Sabe como hoje em dia tudo é estrelado por jovens com cara de criança se passando por heróis? Esse é um daqueles filmes da velha guarda, um bando de idosos feios em um embate entre o bem o mal, como tinha que ser.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Baby Blood - 1990


Sinopse
: Quando uma estranha criatura se move no útero de uma mulher ela se torna uma assassina para alimentar o pequeno terror que cresce dentro dela.

Direção: Alain Robak

Elenco: Alain Robak Voix du monstre (as Roger Placenta), Christian Sinniger, Emmanuelle Escourrou Yanka







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Seguinte, essa versão é dublada em inglês (o idioma original é francês). Mas não faz diferença porque todo mundo atua mal ali. Mas, pra justificar: é a única legenda compatível e único arquivo restaurado em HD.


Comentário: Baby Blood está no limiar de perder o espectador. Vai longe demais, toda hora, mas se suportar aquele tom tosco e o visual grotesco desagradável, gradativamente conquista. É quase um percursor do movimento French Extremity (tipo como dizer que The Stooges é proto-punk). Talvez o que funcione é que, por mais fuleiro que seja em vários momentos, sensorialmente é como se evocasse (involuntariamente) Possessão, do Zulawski. Porque no fundo não deixa de ser um body horror feminino urbano, só que pontuado pelo gore e a fuleiragem. No fim, é aquela coisa quase terapêutica.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Prisão de Cristal (Tras el Cristal) - 1986

 
Sinopse: Klaus, ex-oficial nazista - e se não bastasse, também um pedófilo e assassino de crianças - vive agora preso a um pulmão de ferro, necessitando de assistência constante. Um dia, um jovem misterioso se candidata à vaga de seu cuidador. O que ninguém sabe é que trata-se de um sobrevivente das torturas do oficial, que está não em busca de vingança, mas sim de perpetuar o legado de violência e barbárie de seu abusador.

Direção: Agustí Villaronga

Elenco: Günter Meisner
David Sust
Marisa Paredes
Gisèle Echevarría
Imma Colomer





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Comentário: Villaronga é uma espécie de Almodóvar do mal. Ambos são espanhóis, ambos  consagraram seu domínio narrativo na década de 1980 (Almodóvar lançou o ótimo "Matador", uma homenagem aos giallos, no mesmo ano), e ambos se valem de todo o espectro da sexualidade humana como ferramenta narrativa. Enquanto Almodóvar combina as próprias vivências e exageros satíricos para desconstruir certos signos masculinos, noções de masculinidade e enquanto veículo de empoderamento e autoafirmação da comunidade LGBTQIA+ (isso aqui já tá parecendo reunião de esquerdalha de DCE, desculpa aí leitor), Villaronga vai por outra vertente. Aqui, o prazer secreto, proibido, e o exercício do poder pela sexualidade são fontes de horror inesgotáveis. 
 
    "Prisão de Cristal" é um festival de atrocidades e barbaridades expostas com uma seriedade glacial. A frieza não vem só da predominância dos tons azulados da fotografia, mas do frio na espinha que provoca ao espectador. A violência quase nunca é explícita - à exceção de um momento específico onde num ritual voyeristico, Klaus se torna testemunha forçada da humilhação sexual, tortura e assassinato de um menino, em uma das cenas mais perturbadoras de toda a história do cinema -, mas a atmosfera é intensamente desconfortável e doloroso desde a abertura (onde vemos o holocausto da perspectiva de crianças e seus desenhos), e segue numa crescente descontrolada até atingir níveis insuportáveis (eu sou muito macho mas tive que pausar duas ou três vezes o filme pra tomar um ar). 
 
    Com escolhas estéticas que evidentemente homenageiam, entre outros, o mestre Argento, "Prisão de Cristal" é um drama desconcertante, uma abordagem única sobre ciclos de abuso e o que pode haver de pior no trauma: seu legado. É também um dos filmes mais incômodos de todos os tempos, e tenho um fato para sustentar essa afirmação: ele foi banido da AUSTRÁLIA.

domingo, 30 de janeiro de 2022

O Silêncio do Lago (Spoorloos aka The Vanishing) - 1988

Sinopse: Tem lago nenhum nessa porra. A história é sobre um casal que está viajando e tem uma DR. Aí param numa conveniência e ela some. Aí vira o Rastros de Ódio, só que muito melhor.

Direção: George Sluizer

Elenco: Bernard-Pierre Donnadieu, Gene Bervoets, Johanna ter Steege








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Comentário: Paramos de postar por um bom tempo porque nos tornamos refinados. Hoje gostamos de música clássica, bons vinhos, vestir paletós, sapatos Oxford e cachecóis. Nas nossas noites rotineiras, mulheres (magras) nuas nos contemplam, enquanto fumamos, sem camisa, escorados no peitoril da janela. Cinema já não nos interessa tanto quanto literatura. Cansamos de dar lavagem (filmes) para os porcos (vocês). Rimos de vocês (porcos), chafurdando no nosso lixo. Mas voltamos, queremos dar uma lavagem (filmes) com doses homeopáticas de sofisticação, mas escondidas, para não assustar os porcos (vocês). Essa é uma tentativa. 'Ai, mas o filme é muito chato', vai embora então! Aqui é um lugar para porcos com força de vontade! Enfim, filmaço, porra, que filmaço.

sábado, 29 de janeiro de 2022

Premutos - O Anjo Caído (Premutos - Der Gefallene Engel) - 1997

 

Sinopse: Premutos é o primeiro dos anjos caídos. Com o objetivo de conquistar o reino dos vivos e dos mortos, ele reaparece pela história trazendo a peste, a miséria e a guerra. Nos tempos atuais, um jovem começa a ter alucinações onde se vê como o filho de Premutos. Ao encontrar um velho livro pertencente à sua família e frascos contendo um líquido misterioso (maligno) ele desperta uma velha maldição.

Direção: Olaf Ittenbach

Elenco: André Stryi
Christopher Stacey
Ella Wellmann
Anke Fabré
Fidelis Atuma





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Comentário: Claramente o produto de um jovem bem intencionado - e com parcos recursos - querendo emular "Evil Dead", "Hellraiser", 'Braindead" - e infelizmente não ficando à altura de nenhum deles. Nunca atinge todo o potencial, mas tem uma abertura e um fechamento espetaculares em termos goreográficos e escatológicos, um prato cheio para os depravados. O miolo é arrastado, juvenil e inepto demais, mas no geral é um experiência obrigatória para os fãs, e um dos últimos filmes a encapsular aquele espírito libertário, caseiro e transgressor do horror dos anos 80/90. Um artefato arqueológico de uma era que teve um amargo fim.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Armadilha Para Turistas (Tourist Trap) - 1979

Sinopse: Quatro jovens têm problemas no automóvel e vão parar em um velho posto de gasolina numa estrada secundária, onde também funcionam um motel e um museu de cera. Ali, encontram um misterioso homem, o Sr. Slausen que pode ou não ter alguma relação com uma misteriosa figura mascarada que circula pelo local, matando turistas desavisados e transformando-os em manequins/zumbis.


Direção: David Schmoeller


Elenco: Chuck Connors, Jocelyn Jones, Jon Van Ness, Robin Sherwood



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Comentário: Reúne piores elementos de Massacre da Serra Elétrica e plagia na cara dura várias coisas de House of Wax. Combinamos, não é lá uma equação muito convidativa. Mas funciona! Tudo isso porque assume a responsabilidade de tentar lançar o serial killer mais abobado de todos os tempos, e consegue. Não bastasse isso, ele tem poderes telecinéticos, o que torna tudo divertidamente inventivo — pense, a versão masculina caipira de Carrie retardada mental. Irresistível.
Vá lá, o início é meio arrastado, mas o final é puro entretenimento.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Miracle Mile - 1988

Sinopse: Após um desencontro com Julie, uma garçonete por quem está apaixonado, o jovem Harry entreouve uma conversa telefônica e descobre que a guerra nuclear entre EUA e União Soviética foi deflagrada e os mísseis serão detonados em uma hora. Segue a jornada frenética de Harry em busca de Julie pela última madrugada antes do fim do mundo.

Direção: Steve De Jarnatt
 
Elenco: Anthony Edwards
Mare Winningham    
John Agar    
Lou Hancock    
Mykelti Williamson
 
 
 
 
 
 
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Legenda PT-BR


Comentário: Da safra memorável de horror e ficção-científica americana da década de 1980, um ponto fora da curva. O pouco celebrado "Miracle Mile" é uma mescla insólita entre terror apocalíptico e comédia romântica ("Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo" é seu herdeiro light), que funciona surpreendentemente bem. Projeto de paixão de novato Jarnatt, que chegou a bancar cenas adicionais do próprio bolso - e que jamais voltou a fazer algo relevante -, o roteiro rolou pelos estúdios por quase dez anos, passando de segmento do filme do "Além da Imaginação" ao completo abandono pelo final depressivo do qual Jarnatt não abria mão. Ainda bem. É a intensidade - e a esperteza engraçadinha - do desfecho que dá credibilidade a todo o tom trágico e frenético do romance dos protagonistas. 

                   "Miracle Mile" é aquela miscelânea que tem tudo pra dar errado - mas que funciona. Embalado por uma das últimas trilhas do lendário Tangerine Dream, todos os atos se costuram de maneira perfeita, da comédia romântica simpática, à busca alucinada por Los Angeles com ares de filme de ação, ao final obrigatório das ruas tomadas por hordas homicidas de todos os apocalipses já imaginados. Uma preciosidade excêntrica, produto envergonhado dos grandes estúdios que só poderia ter sido feito nos anos 80 e entregue com um cuidado quase artesanal. Pena que o leitor daqui não tem e nem vai ter namorada, porque seria nossa recomendação pra uma sessão amorzinho e tal.

Mermaid Legend (Ningyo Densetsu) - 1984

Sinopse: Migiwa é uma ama - as tradicionais mergulhadoras que buscam pérolas na costa japonesa, conhecidas por sua aptidão excepcional de fôlego e nado. Quando o marido de Migiwa é assassinado por se recusar a vender sua terra para a construção de uma usina nuclear, Migiwa planeja sua vingança. Quer dizer, "planeja" é um termo forte; ela parte para matar tudo e todos.
 
Direção: Toshiharu Ikeda
 
Elenco: Mari Shirato     
Kentarô Shimizu     
Jun Etô     
Seiji Miyaguchi     
Junko Miyashita
 
 
 
 
 

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Comentário: Para o gosto de alguns, um filme chato pra cacete no seu desenvolvimento (normalmente quem reclama desse tipo de coisa é o espectador ameba e tal, mas nesse caso específico confesso que posso engrossar o coro), e também tem aquela bizarrice das bolas foscas cobrindo as partes íntimas da protagonista (coisa de japonês). Porém todo sofrimento será recompensado: "Mermaid" nos brinda com um dos clímaxes mais sanguinolentos, selvagens e anárquicos da história do cinema. É um banho de sangue desenfreado capaz de fazer melar a cueca de todos nós doentes e depravados. Um espetáculo memorável e inesquecível, confiem em mim, quando foi que eu menti pra vocês?

domingo, 23 de janeiro de 2022

Síndrome do Mal (Rampage) - 1987

Sinopse: Apesar de católico e contrário à pena de morte, promotor se vê obrigado a pedi-la para um assassino irrecuperável chamado Charles Reece, que foi pego pela polícia após deixar uma trilha de cadáveres mutilados.


Direção: William Friedkin


Elenco: Michael Biehn, Alex McArthur, Nicholas Campbell, Deborah Van Valkenburgh







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VHSRip (3,2GB) - Legenda embutida>> Magnet Link


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Informações sobre o arquivo: Exclusividade do blog. Esse filme é um inferno para se encontrar na internet e as legendas disponíveis são incompatíveis. O que fizemos para resolver: ripamos de um dvd, que por sua vez era uma conversão do VHS lançado no Brasil na década de 80. As boas notícias: tem legenda embutida e por mais VHS que seja, creio ser a melhor cópia disponível do filme na rede mundial de computadores. Ah, na hora de ripar mantive os trailers originais para a experiência ser mais plena. Bom filme, seus reaças, porcos!



Comentário: Se um dia você enfim encontrar seu pai biológico, leitor, talvez esse filme seja apropriado para fazer uma sessão com ele. Primeiro, a alta carga de violência desagradável certamente deixará ambos excitados. Segundo que no final, sendo vocês dois reacionários, poderão comentar como esse filme prova que a "justiça é falha e esse pessoal dos Direitos Humanos...". 
O que salva Rampage é a estrutura e o argumento (indiferente da posição do filme). Mas no geral é medonho, apesar da direção correta, em termos de condução. A trilha do Morricone passa também, embora seja uma das menos inspiradas. Fora isso, serve mais como pegadinha. Todo mundo que chegou até aqui foi enganado por algum arrombado que disse que era um dos melhores filmes do Friedkin só porque é obscuro. Repasse. 

Curiosidade/Spoiler: não bastasse essa porra ser um manifesto reacionário descarado, não satisfeito, o Friedkin decidiu reeditar anos depois porque aparentemente achou a mensagem sutil demais. Não assisti essa versão alternativa, mas segue descrição do blog diadafuria.wordpress.com: "No final do filme, logo após o discurso sobre sair da prisão, não há mais o suicídio do personagem central, e sim uma carta mandada à família de um dos mortos, convidando-os a aparecer para uma visita, e um letreiro informando o espectador que o tal serial killer poderá sair da cadeia em seis meses, caso seja liberado pelos psiquiatras".

Para vossa tristeza, não é essa versão que trazemos. 

sábado, 22 de janeiro de 2022

Alucarda - A Filha das Trevas (Alucarda - La Hija de las Tinieblas) - 1977

Sinopse: A órfão Justine chega a um convento no México no final do século XIX e se torna objeto de afeição da misteriosa Alucarda. Enquanto a relação de ambas se intensifica, o contato com um grupo de ciganos nos arredores faz despertar em ambas forças demoníacas.

Direção: Juan López Moctezuma

Elenco: Claudio Brook    
David Silva    
Tina Romero    
Susana Kamini    
Lili Garza 







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Comentário: 

    Não se deixe enganar pelos primeiros minutos, que parecem ter sido gravados nos estúdios do Chaves - "Alucarda" é um nunsploitation dos bons, e com uma coisa ou outra a dizer. Na carona do estilo "freiras surtadas" do controverso "Os Demônios", "Alucarda" constrói a atmosfera do claustro como um delírio febril, onde tudo é intenso, imediato e fantástico, algo ressaltado pelos diálogos artificiais e efeitos surreais grotescos (sem falar no orçamento diminuto). 

    É também uma espécie de resposta à misoginia do "O Exorcista". Já foi apontado por alguns que lá a possessão pode ser encarada como uma metáfora para o despertar sexual feminino - que precisa ser contido à força por figuras patriarcais. Aqui, a selvageria latino-americana subverte totalmente essa lógica. É o amor puro entre Justine e Alocarda que fazem as duas se tornarem sacerdotisas do cramunhão, em contraste com a vida repressiva do convento, e é justamente o catolicismo que torna esse despertar para os prazeres da vida em algo destrutivo e macabro. Em um toque particularmente comovente, é o amor cristão genuíno de uma terceira jovem freira - e não a farsa institucionalizada da Igreja comandada por padres furiosos - que poderia ter salvo todos de um final ÉPICO em selvageria, uma "Carrie" que registra toda sua crueldade como só um  filme que não tem nada a perder consegue.

    É uma história de freiras lésbicas adoradoras do diabo com aquele clima transgressor chinelão gostoso, um final espetacularmente sanguinolento e 1h18(!!!) de duração, eu não sei mais o que vocês podem querer.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Nemesis: O Exterminador de Andróides (Nemesis) - 1992

Sinopse: No futuro (2027, pode acontecer!!!), Alex Rain é um policial parte homem, parte máquina que atua em Los Angeles combatendo terroristas cibernéticos. Quando seus superiores lhe incumbem de eliminar a líder do grupo de ciborgues, Alex começa a desconfiar e ninguém se importa com a trama, essa é a verdade.


DireçãoAlbert Pyun. 


Elenco: Olivier Gruner, Tim Thomerson, Cary-Hiroyuki Tagawa








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Comentário: O John Woo já contou que aprendeu a teoria do cinema basicamente roubando um monte de livro na infância. Dá pra dizer que Nemesis é talvez um vislumbre do que seria o John Woo se não houvesse roubado esses livros e fosse um analfabeto de qualquer conceito artístico. Talvez, inclusive, seja a definição da filmografia do Albert Pyun. E olha que não é nem demérito, porque dá pra sentir a sinceridade. 
O filme mais famoso do Pyun é o Ciborgue, com o Van Damme (possivelmente o melhor filme protagonizado pelo próprio, inclusive), mas Nemesis é certamente sua obra máxima. Além de ser O Pyun no prime de sua versão John Woo retardado, é o suco de tutti-frutti da década de 90: cabelos horrorosos, óculos escuros em tudo que é lugar com design medonho e ação abusando de slow motion, faíscas com ricochetear dos tiros, e cenas de impacto tipo personagem escorregando em barranco (duas vezes, um de lama e outro de terra) enquanto atira contra os inimigos. O enredo é só refugo de coisas que deram certo em filmes mais rebuscados da década anterior. O nível de infantilidade assumida é tão descarado que, de uma sequência pra outra, os personagens vão de uma fábrica abandonada, pruma floresta tropical, depois uma cachoeira, depois uma montanha de neve, e imediatamente prum vulcão ativo. Tudo isso em menos de 10 minutos. Pra fechar com chave de ouro rola uma cena de embate com um stop motion esforçado.
No início da década de 90, Nemesis já era amálgama e molde para o que viria a ser a estética da ação nos anos 90. Talvez aí haja um reconhecimento que nunca atribuímos ao filme de Pyun, possivelmente também porque a década de 90 acabou sendo o aterro do cinema com a popularização do VHS.
De qualquer forma, serve como experiência pessoal definitiva sobre qual é a sua opinião sobre a década, porque os primeiros segundos do filme já são uma pancada sensorial que vai resgatar tudo de nostálgico ou traumático que lhe remete os anos 90.