quinta-feira, 9 de julho de 2020

Fase IV - Destruição (Phase IV) - 1974

Sinopse:Um fenômeno cósmico parece causar uma mutação nas formigas, tornando-as seres inteligentes. Logo, um grupo de cientistas vai ao deserto para investigar o caso, e encontra estranhas construções.

Direção: Saul Bass

Elenco: Nigel Davenport, Michael Murphy, Wesley Jonathan










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Comentário: O Saul Bass ficou conhecido como o cara que criava os créditos legais dos filmes do Hitchcock (e do Kubrick, e do Otto Preminger e mais tarde do Scorsese). Mas ele foi muito mais do que isso! Mentira, ele foi só isso mesmo. Porééém, em um momento perdido da biografia, o Bass foi um cineasta, daqueles de um filme só mesmo. E dirigiu isso aí, o inusitado Phase IV. 
Os desdobramentos em si são interessantes, mas a maior distinção do filme está nas cenas detalhadas de dentro do formigueiro, que é quando prova seu ponto, demonstrando que as formigas são, sim, mais inteligentes que os humanos retratados, pois dominam a arte cênica de uma forma muito mais habilidosa que o elenco. Na verdade toda a parte "dos humanos" é capenga sim. O que é compensado tecnicamente nos planos detalhadíssimos das formigas em ação. Maldosos poderiam dizer que o Bass teve acesso a alguma material extra do Animal Planet, criou um roteiro e filmou com os amigos o resto num final de semana. Mas acredito que não, pois o conceito parece sim convicto, embora não aproveite em momento todo o seu potencial. 
De qualquer forma, é a obra pouco conhecida e única (em termos de peculiaridade e singularidade de produção do cineasta mesmo) de um artista de importância até subestimada no cinema (se você notar, todos os filmes que o Bass foi responsável pelos créditos têm uma harmonia estética que praticamente sobrepõe a própria identidade visual dele a dos cineastas). 

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Rumo ao Inferno (The Narrow Margin) - 1952

Sinopse: Uma mulher que planeja testemunhar contra mafiosos precisa ser protegida por um detetive em uma viagem de trem de Chicago até o Los Angeles.

Direção: Richard Fleischer

Elenco: Charles McGraw, Marie Windsor, Jacqueline White











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>> Pirate Bay - 885 MB 

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Tem uma pasta no próprio arquivo com legenda em PT-PT (que está supimpa).


Comentário: A brevidade da sinopse se reproduz nos humildes — mas bem aproveitados — 71 minutos de 'The Narrow Margin'. Mas, mesmo nessa duração enxuta, todo noir reserva sempre o risco de o tempo sensorialmente se dilatar e tornar-se aquele mais do mesmo arrastado. Não é o caso aqui, a 1h11min é perfeitamente adequada e funciona no ritmo ampulheta que a trama se propõe.
Tem também um simpático tom pulp, especialmente pela atuação caricata, mas divertida, de Charles Mcgraw e a relação dele com a  personagem interpretada pela Marie Windsor, em especial nas breves investidas às questões morais acerca da situação vivida por eles. A estética também corrobora para o ar vagabundo do filme, que foi um dos primeiros a usar 'câmera na mão'. E esse recurso foi escolhido pelo Fleischer como forma de facilitar a movimentação cenográfica e logística da produção, mas que acabou ajudando na própria dinâmica narrativa, conseguindo encapsular muito bem o ar hitchcockiano na tradicional ambientação de trem. Filmaço.

domingo, 21 de junho de 2020

Pelos Caminhos do Inferno (Wake in Fright) - 1971


Sinopse: Um professor cansado da vida que leva tira folga do trabalho e viaja para encontrar a mulher com quem teve um caso tempos atrás. Mas no caminho passa por uma cidade em que calor é insuportável, e onde todas as pessoas aparentam ser vítimas da perdição. O difí­cil vai ser esse homem sair desse lugar "possuí­do" pela jogatina e pela cerveja.

Direção: Ted Kotcheff

Elenco: Chips Rafferty, Donald Pleasence, Gary Bond, Jack Thompson Dick






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720p (777MB)
1080p  (1,6GB)

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ONLINE (Legendado): Youtube


Comentário: O cinema australiano é um eterno oásis de obras-primas, mas que fica isolado no outback de chorume cinematográfico que é o resto do mundo. Já tem documentário que aborda isso, mas sim, com exceção de um que outro Mad Max da vida, que encontram ressonância em grande escala, dá pra dizer que tem muita coisa produzida por lá que ainda hoje é pouco conhecida. Wake in Fright é um dos casos, embora o desconhecimento desse, em específico, seja primordialmente culpa dos próprios produtores, que perderam os negativos por décadas e só foram reencontrar em 2004.
Felizmente que acharam esse negócio! De lá pra cá o filme conquistou o reconhecimento em algum grau e já é alçado ao status de cult. Merecidíssimo. Assistir a Wake in Fright é quase ter uma experiência multidimensional de verdade e sem óculos 3D. Dá para sentir o calor, a sede, o cheiro e praticamente suar junto com o filme. Tematicamente é uma espécie de utopia da escrotidão do universo masculino, onde o protagonista é afundado em uma espiral de bestialidade num falso mundo hospitaleiro e solar, mas que na verdade é só sufocante e primitivo. É só treta, cerveja e aposta.
E já fica o aviso pra separar umas long neck ja que é quase um pré-requisito para conseguir assistir sem salivar, porque é certamente o filme com maior consumo de álcool da história do cinema (embora o tom que prevaleça seja de uma amarga ressaca).
Ah, atenção que tem uma matança real de cangurus que ficou famosa e até hoje gera polêmica. A produção até justificou que foi filmado em um contexto de caça permitida na época. Porém, vale o aviso pro pessoal mais sensível ou que tenha alguma compaixão com animais o que não deve ser o caso de quem acessa esse blog.

sábado, 20 de junho de 2020

A Morte Numa Noite Fria (A Cold Night's Death) - 1973

Sinopse: A atitude estranha de um cientista em um centro de pesquisa localizado no Polo Norte e que realiza experimentos com macacos para um programa espacial, faz com que dois cientistas sejam imediatamente enviados para o local para solucionar o mistério. Assim que se estabelecem na estação, eles encontram o colega morto e percebem que há algo estranho acontecendo.

Direção: Jerrold Freedman

Elenco: Robert Culp, Eli Wallach







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>> Torrent e legenda (730 MB)


Comentário: Estamos falando de um filme de 1h14min, amigos, 1 hora e 14 minutos. Você lembra quando foi a última vez que viu um filme com menos de uma hora e vinte? Nem eu (talvez [REC]). Porém, é feito para TV, então trata-se de uma produção mais humilde e mesmo a duração modesta passa enroscada, quero dizer, o filme é quase chato mesmo sendo tiro curto.
Ainda assim é uma conferida mais do que válida, certamente não se tornará aquela pérola que você recomendará com ar de culto consumidor de obscuridades para seus amigos, mas, de fato, é uma preciosidade esquecida (ou jamais reconhecida).
O conceito é esperto: apenas dois atores, isolados numa locação. Temos o Robert Culp em sua imposição natural de respeito e o Eli Wallach (o eterno feio do filme do Leone) que compensam a falta de elementos cenográficos. Os momentos de tensão são pontuais, mas eficientes e o desfecho é preciso, daqueles de causar um riso de satisfação.
Contudo, os aspectos mais instigantes são a própria atmosfera de paranoia entre os personagens e especialmente a ambientação, que seriam praticamente reproduzidas por John Carpenter 9 anos depois, em "O Enigma do Outro Mundo". Não sei se de fato é uma influência admitida por Carpenter, mas é impossível não notar semelhanças.

Confronto no Pavilhão 99 (Brawl in Cell Block 99) - 2017


Sinopse: Bradley Thomas é um ex-boxeador que perde o emprego como mecânico, é avisado pela mulher que é corno no mesmo dia e, em ato contínuo, destrói o carro dela na porrada. Logo depois eles fazem as pazes, se juram de amor e ele decide virar traficante para dar uma vida digna para a mulher e o futuro herdeiro do casal. Eventualmente as coisas dão errado e casualmente ele é obrigado a ser preso e se infiltrar numa espécie de masmorra para assassinar uma pessoa que ele nem sabe se existe.

Direção: S. Craig Zahler

Elenco: Vince Vaughn, Jennifer Carpenter, Don Johnson



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950MB : Torrent (Pirate Bay)
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2GB: Torrent (Rarbg)
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Comentário: Esse filme é basicamente tudo que a Odisséia de Homero tentou ser e não conseguiu. Uma saga épica e catártica protagonizada pelo Vince Vaughn, que começa com ele espancando o carro da própria mulher. Daí em diante, amigos, seguem mais de duas horas de puro deleite narrativo. É um daqueles raros casos que você nem quer tanto ver os personagens tendo suas cabeças esmagadas, ou corpos repartidos ao meio, nem precisava, porque se fosse um filme só acompanhando o dia a dia do Vaughn na prisão já bastava. Mas sim, a violência surge, ainda em mais profusão do que em Bone Tomahawk, embora dessa vez mais caricata, exploitation, quase beirando ao cartunesco.
Só há duas coisas ruins: o carisma de todos os personagens (eu diria absolutamente todos, até aqueles que contracenam por meros segundos), que torna a violência contra eles mais triste do que merecida. E o outro aspecto negativo é que o filme acaba, em algum momento.
Vale aquela dobradinha do Zahler com Bone Tomahawk (ou maratona mesmo, terminando com o Dragged Across the Concrete, que é ótimo, mas inferior aos antecessores).

Rastro de Maldade (Bone Tomahawk) - 2015

Sinopse: Numa cidadezinha do velho oeste já cansado, um xerife mobiliza um grupo de resgate para encontrar a médica da comunidade, sequestrada por uma tribo de canibais. A força-tarefa conta ainda com o ator de Lost, um velho e um cara com a perna bichada.

Direção: S. Craig Zahler

Elenco: Kurt Russell, Patrick Wilson, Matthew Fox, Richard Jenkins









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720p (1,1gb)
1080p (2,2gb)


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Comentário: "Bone Tomahawk" foi desovado lá em 2015, discretamente, como um aparente western B direto para dvd, no mesmo ano que o Tarantino lançava o seu "Os Oito Odiados". Os dois filmes tinham um ator em comum no elenco, o Kurt Russell. Para quem acompanha a indústria, sabe que geralmente atores no perfil do Russell (que são icônicos, mais do que necessariamente talentosos) oscilam entre produções de respeito (raras) e tranqueiras (recorrentes) para faturar o necessário pra pagar as contas e custear algum vício. O que parecia se enquadrar, no caso o "Oito Odiados" sendo a obra virtuosa e Bone Tomahawk para se esconder debaixo do tapete. Acabou que foi o inverso, o do Tarantino gerou aquele tiquinho de decepção na sociedade, enquanto Zahler surpreendeu os desavisados com um western-horror de primeiríssima categoria com potencial de cult. Portanto, o western correto de Russell em 2015 é o Bone Tomahawk.
O filme já abre com uma degola e os primeiros cinco minutos seguem numa sequência de selvageria. A intensidade da arrancada acaba criando uma falsa expectativa de que um festival incessante de gore estaria por vir, mas o que se sucede é, genuinamente (o que é raro!), o desenvolvimento dos personagens, uma dedicação plena narrativa às relações e à história. O elenco também ajuda, além do Russell, tem o cara do Lost e o cara do Invocação do Mal (e no início tem o cara do Rejeitados pelo Diabo). Mas o melhor mesmo é o Richard Jenkins (aquele velho que normalmente faz coadjuvantes).
Tem arrombado que torce o nariz para a lentidão do segundo ato. De fato, é um período longo de conversas e caminhadas, mas é pura e simplesmente a progressão narrativa de um slow-burn horror, que culmina numa explosão de violência contundente, mesmo!
Filmado em 21 dias, com orçamento de U$ 1,8 milhão e usando a clássica western town da Paramount Ranch, Bone Tomahawk é uma daquelas experiências memoráveis dignas de  mostrar para o pai e ver a reação do velho naquela cena (aquela!).
E se já assistiu, vale rever, porque melhora.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

O Guerreiro do Futuro (The Ultimate Warrior) - 1975

Sinopse: No futuro (2012, kkkk), uma praga assola o mundo. Sobreviventes ocupam guetos e prédios abandonados de Nova Iorque e se confrontam esporadicamente. Um desses grupos é liderado por Baron (Max Von Sydow), que administra a sobrevivência de todos de forma pacífica, dentro do possível. Nesse grupo, outro personagem que não lembro o nome consegue desenvolver uma semente resistente à praga e que resgata a esperança de muitos, ao mesmo tempo que acentua a escrotidão de outros. Paralelamente, um careca misterioso interpretado pelo Yul Brynner chega para tornar o filme menos genérico.

Direção: Robert Clouse

Elenco: Yul Brynner, Max von Sydow, Joanna Miles


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Pirate Bay (1,3GB)

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Comentário: O enredo é aquele PFzão pós-apocalíptico de sempre, e na verdade o próprio filme não foge muito disso. Mas há um inegável charme subjetivo que faz ele não pertencer à vala comum das tranqueiras do subgênero. Começa pelo elenco, mais qualificado do que o normal, tendo o Von Sydow (dois anos depois do Exorcista e já velho nessa época) e o Brynner (De Sete Homens e um destino, Westworld, etc.) e a própria direção do Robert Clouse (do Operação Dragão), que remete um pouco à estética de um western. Não só isso, alguns caminhos do próprio roteiro flertam com elementos narrativos típicos do faroeste (como o próprio surgimento messiânico do estranho). A trilha sonora é peculiar (no bom sentido) e a ambientação convence, apesar de tudo ser visivelmente barato.
Há também uma economia na própria narrativa que difere um pouco dessas distopias espalhafatosas: é objetivo e vai do ponto A ao B, sem muitos delongas ou reviravoltas. Basicamente, é um filme de sobrevivência mesmo, sem muita frescura.
A violência em si não foge do que se via nos exploitations da época, mas tem momentos marcantes, especialmente o final. Atenção especial para uma das últimas cenas, em que um ratinho aparece de tocaia no esgoto. Aquela ratazana cagou na boca do ator William Smith (infelizmente offscreen 😔).

Possessor - 2020


Sinopse: Uma agente trabalha para uma organização secreta que usa tecnologia para habitar (ou possuir, mas como vocês são burros talvez pensem que seja em outro sentido, sei lá qual melhor termo) corpos de outras pessoas com objetivo de usá-los para cometer assassinatos encomendados.

Direção: Brandon Cronenberg

Elenco: Andrea Riseborough
Christopher Abbott
Sean Bean
Jennifer Jason Leigh








DOWNLOAD (ATENÇÃO, TEM UMA MARCA D'ÁGUA MEDONHA NA PARTE INFERIOR DA IMAGEM, MAS É A ÚNICA CÓPIA DISPONÍVEL, ENTÃO NÃO RECLAMA)


TORRENT - https://yts.mx/movies/possessor-2020

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>> 950MB: Em 720p (menor qualidade né, acho que não preciso explicar)

>> 1080p (esse é mais top, baixa essa versão se você tem o mínimo de decência)

Legenda PT-BR

Comentário: Segundo filme do filho do Cronenberg (o primeiro foi um chatão que não lembro o nome e parecia dirigido por aqueles estudantes de cinema brasileiros). Desta vez,  diferente do natimorto cinematográfico que foi o debute, Possessor é um suspiro de esperança sobre o futuro do rapaz.
Tipo de experiência desagradável que por algum motivo (distúrbio, obviamente) tende a agradar o público que frequentava esse blog. O conceito aparenta ser uma daquelas premissas do Christopher Nolan, mas não tem nada daquele escândalo técnico não, o negócio é bruto e rústico. Daria para dizer que é um argumento do Nolan executado pelo John Hyams (já viram Soldado Universal 3 e 4? Assistam, seus arrombados). Tem uma atmosfera que me remeteu também ao Nicolas Refn, mas sem a parte sonolenta.
Estética nublada, com aquela ambientação sonora reduzida comum ultimamente, e um tom melancólico que indica ser dirigido por alguém que possivelmente cresceu ouvindo grunge e xingando a mãe. Mas o que chama mais a atenção é a violência mesmo, tem um pouco do body horror do paizão, mas é muito mais incisiva, quase realista demais, incômoda.
Portanto, não espere tanto daquele baboseira sci-fi moderna pretensiosa, esse é mais diretaço mesmo, sem aquela higienização e preciosismo técnico dos filmes da A24. Possivelmente a obra mais sólida que você verá do gênero por um bom tempo.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

The Plague Dogs - 1982

AKA Brasil: Os Cães Plagueados (???)
 
Sinopse: Dois cães usados como cobaias em um laboratório do governo britânico escapam do cativeiro e tentam se reconectar com seus instintos selvagens para sobreviver. Enquanto isso, o exército começa uma caçada para encontra-los, pois eles podem ser portadores da peste bubônica.

Direção: Martin Rosen

Elenco: John Hurt
Christopher Benjamin
James Bolam
Nigel Hawthorne






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Comentário: É uma pena que "The Plague Dogs" tenha permanecido relativamente obscuro, ao menos para o público brasileiro, mesmo depois do caso envolvendo os beagles do Instituto Royal. Seu visual miserável, suas cenas violentas e o clima perturbadoramente triste, e iminentemente trágico, são mais eloquentes do que qualquer debate sério. E falar sobre "The Plague Dogs" é uma tarefa difícil quando boa parte de seu impacto reside em sua simplicidade, seja na trama ou no traço apressado, e por vezes até mesmo tosco. Com poucas falas, é impossível não se envolver com os cães Rowf e Snitter, vítimas de circunstâncias que jamais poderão compreender, lutando pela condição mais básica da natureza: a liberdade. Boa pedida pra criançada.

domingo, 30 de junho de 2013

O Estrangulador de Rillington Place (10 Rillington Place) - 1971

Sinopse: A história real de John Christie (Richard Attenborough), síndico de um condomínio na Londres da década de 1950 e um dos maiores serial killers de todos os tempos. É também a história de Tim Evans (John Hurt), marido de uma das vítimas, que se torna o único suspeito da onda de assassinatos.

Direção: Richard Fleischer

Elenco: Richard Attenborough
John Hurt
Judy Geeson
Pat Heywood  









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Comentário:

     "O Estrangulador de Rillington Place" representa o ponto culminante na obsessão de Richard Fleischer pelo serial killer, evidenciado em filmes como "O Estrangulador Misterioso", de 1949, "Estranha Compulsão", de 1959 e "O Homem Que Odiava as Mulheres", de 1968. O grau de sofisticação atingido aqui, contudo, pode ser justamente o seu maior defeito e o elemento que o condenou ao ostracismo. A exemplo de seu predecessor de 1968, a recriação minuciosa dos fatos tal qual ocorreram atinge níveis obsessivos. O tom documental glacial, a atmosfera generalizada de miséria e degradação, a ausência de qualquer vestígio de senso de humor e, principalmente, de empatia acabam tornando assistir Rillington Place um ato apenas para os que tem estômago. Quem sabe o legado de Fleischer seja justamente o de que esse assunto não tem a menor graça. Por essas e outras, em especial graças aos desdobramentos inacreditáveis do enredo, este é um pequeno filme notável.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Cidade do Vício (The Phenix City Story) - 1955

Sinopse: A população da cidade norte-americana de Phenix, dominada por organizações criminosas, resolve fazer justiça com as próprias mãos e começa uma guerra sangrenta contra a marginália. Baseado em uma história real.


Direção: Phil Karlson.

Elenco: John McIntire
Richard Kiley
Kathryn Grant
Edward Andrews








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Magnet (DVD-rip, legendas em PT-BR inclusas, 1,36 GB)


Comentário: Feito de forma independente, "Cidade do Vício" é um verdadeiro festival de atrocidades que serviria de inspiração para gerações por vir, desde Scorsese (cuja fundação restaurou a obra), até  Tarantino. Filho bastardo do cinema noir, o longa é inovador não só na violência gráfica, que ainda hoje perturba, como também em suas influências do neorrealismo italiano, adotando um estilo documental radical com direito à “câmera na mão”, filmagens em locações reais e cidadãos da cidade de Phenix interpretando a si próprios. Apesar do ritmo datado, “Cidade do Vício” não desaponta a nós reacionários enrustidos.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

The American Astronaut - 2001

Sinopse: As aventuras de um comerciante interplanetário em homérica viagem por um sistema solar remoto, com a finalidade de fornecer à população feminina de Vênus um representante masculino adequado. Enquanto isso, sem saber, ele é perseguido pelo sangue-frio Professor Hess, uma enigmática figura de seu passado.

Direção: Cory McAbee

Elenco: Cory McAbee
Greg Russell Cook
James Ransone
Rocco Sisto
Tom Aldredge







 
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Legenda PT-BR



Comentário: Cinema deixou de ser algo simplesmente subjetivo há muito tempo. Não basta que simpatizemos com um filme do ponto de vista emocional, é necessário  também que ele seja melhor que a maioria que já vimos anteriormente, e semelhante a outros que admiramos . Portanto, quando assistimos a algo como "The American Astronaut", é comum termos dificuldade em formar uma opinião, o que torna difícil a tarefa de desenvolver um simples comentário, mesmo que para um blog desqualificado e miserável como esse.
    Mas, como sempre há alguém à espreita disposto a considerar qualquer opinião... digamos apenas que, se o tal astronauta americano pousasse na terra, possivelmente seria recebido por Tim Curry e Richard O'Brien. Não que "The American Astronaut" tenha as viadage de Rocky Horror (antes que nossos leitores, machos, sintam-se ofendidos pela postagem); pelo contrário, é quase uma versão “hétero” e depressiva do mesmo - a comparação se refere ao fato de ser igualmente criativo, imprevisível e agradavelmente excêntrico.
    O orçamento,  próximo da inexistência, ressalta um aspecto rústico completamente oportuno à produção, e se os números musicais não são lá muito empolgantes, chamam a atenção por serem representados de forma inesperada. Cinema fantástico de dar orgulho do ser humano, o tipo de coisa que não parece ter sido concebida após um processo criativo (mesmo que este provavelmente sob efeitos de drogas), parece simplesmente existir.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O Açougueiro (Le Boucher) - 1970

Sinopse: Diretora de uma escola em uma cidadezinha no interior da França começa um relacionamento amoroso com o açougueiro local, recém saído de uma carreira de quinze anos no exército. Paralelamente, uma série de assassinatos brutais começam a ocorrer na região.


Direção: Claude Chabrol


Elenco: Stéphane Audran
Jean Yanne
Antonio Passalia
Pascal Ferone







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Magnet (HDTV-rip, 5Gb)

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Comentário: Chabrol, um dos fundadores da novelle vague francesa, dirige "O Açougueiro", um de seus melhores filmes, com uma inesperada calma e despreocupação. O thriller constrói, de forma leve e gradual, a relação entre seus protagonistas enquanto os assassinatos das redondezas começam a sutilmente tomarem forma, seja na fofoca da velharada, seja posteriormente no aumento de policiais vistos em cena - até atingirem proporções intoleráveis. A violência gráfica é quase inexistente (mesmo quando é impossível oculta-la, ela surge de forma implícita), o que talvez a torne mais intensa. Mais uma gostosa obra do Hichcoock dos pobres (ou franceses).