segunda-feira, 18 de março de 2013

Cidade do Vício (The Phenix City Story) - 1955

Sinopse: A população da cidade norte-americana de Phenix, dominada por organizações criminosas, resolve fazer justiça com as próprias mãos e começa uma guerra sangrenta contra a marginália. Baseado em uma história real.


Direção: Phil Karlson.

Elenco: John McIntire
Richard Kiley
Kathryn Grant
Edward Andrews








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Magnet (DVD-rip, legendas em PT-BR inclusas, 1,36 GB)


Comentário: Feito de forma independente, "Cidade do Vício" é um verdadeiro festival de atrocidades que serviria de inspiração para gerações por vir, desde Scorsese (cuja fundação restaurou a obra), até  Tarantino. Filho bastardo do cinema noir, o longa é inovador não só na violência gráfica, que ainda hoje perturba, como também em suas influências do neorrealismo italiano, adotando um estilo documental radical com direito à “câmera na mão”, filmagens em locações reais e cidadãos da cidade de Phenix interpretando a si próprios. Apesar do ritmo datado, “Cidade do Vício” não desaponta a nós reacionários enrustidos.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

The American Astronaut - 2001

Sinopse: As aventuras de um comerciante interplanetário em homérica viagem por um sistema solar remoto, com a finalidade de fornecer à população feminina de Vênus um representante masculino adequado. Enquanto isso, sem saber, ele é perseguido pelo sangue-frio Professor Hess, uma enigmática figura de seu passado.

Direção: Cory McAbee

Elenco: Cory McAbee
Greg Russell Cook
James Ransone
Rocco Sisto
Tom Aldredge







 
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Legenda PT-BR



Comentário: Cinema deixou de ser algo simplesmente subjetivo há muito tempo. Não basta que simpatizemos com um filme do ponto de vista emocional, é necessário  também que ele seja melhor que a maioria que já vimos anteriormente, e semelhante a outros que admiramos . Portanto, quando assistimos a algo como "The American Astronaut", é comum termos dificuldade em formar uma opinião, o que torna difícil a tarefa de desenvolver um simples comentário, mesmo que para um blog desqualificado e miserável como esse.
    Mas, como sempre há alguém à espreita disposto a considerar qualquer opinião... digamos apenas que, se o tal astronauta americano pousasse na terra, possivelmente seria recebido por Tim Curry e Richard O'Brien. Não que "The American Astronaut" tenha as viadage de Rocky Horror (antes que nossos leitores, machos, sintam-se ofendidos pela postagem); pelo contrário, é quase uma versão “hétero” e depressiva do mesmo - a comparação se refere ao fato de ser igualmente criativo, imprevisível e agradavelmente excêntrico.
    O orçamento,  próximo da inexistência, ressalta um aspecto rústico completamente oportuno à produção, e se os números musicais não são lá muito empolgantes, chamam a atenção por serem representados de forma inesperada. Cinema fantástico de dar orgulho do ser humano, o tipo de coisa que não parece ter sido concebida após um processo criativo (mesmo que este provavelmente sob efeitos de drogas), parece simplesmente existir.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O Açougueiro (Le Boucher) - 1970

Sinopse: Diretora de uma escola em uma cidadezinha no interior da França começa um relacionamento amoroso com o açougueiro local, recém saído de uma carreira de quinze anos no exército. Paralelamente, uma série de assassinatos brutais começam a ocorrer na região.


Direção: Claude Chabrol


Elenco: Stéphane Audran
Jean Yanne
Antonio Passalia
Pascal Ferone







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Magnet (HDTV-rip, 5Gb)

Legenda PT-BR 


Comentário: Chabrol, um dos fundadores da novelle vague francesa, dirige "O Açougueiro", um de seus melhores filmes, com uma inesperada calma e despreocupação. O thriller constrói, de forma leve e gradual, a relação entre seus protagonistas enquanto os assassinatos das redondezas começam a sutilmente tomarem forma, seja na fofoca da velharada, seja posteriormente no aumento de policiais vistos em cena - até atingirem proporções intoleráveis. A violência gráfica é quase inexistente (mesmo quando é impossível oculta-la, ela surge de forma implícita), o que talvez a torne mais intensa. Mais uma gostosa obra do Hichcoock dos pobres (ou franceses).


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Ritual dos Sádicos aka O Despertar da Besta - 1970

Sinopse: Como parte de um experimento, psiquiatra leva quatro voluntários para assistir a um filme do personagem Zé do Caixão e após isso os droga com LSD para estudar os efeitos do personagem em seus subconscientes. Os delírios dos voluntários, porém, começam a fugir do controle.

 
Direção: José Mojica Marins 

Elenco: José Mojica Marins
Mário Lima
Carlos Reichenbach
Andreia Bryan





 

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Magnet (DVD-rip, 3,58Gb) 

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Comentário: 

O Ritual dos Sádicos” é um experimento bizarro e difícil de ser classificar. O último grande filme de José Mojica Marins é um estudo metalinguístico ousado que, se tivesse sido feito, por exemplo, na Europa, seria uma referência até hoje. Mas foi azar de Mojica ter nascido brasileiro, e nunca saberemos exatamente o impacto que a obra poderia ter tido na nossa formação cultural: apesar de problemas constantes com a censura, o Ritual foi nada menos que o primeiro filme (e um dos únicos) a ter o lançamento sumariamente proibido pela ditadura militar, vindo a público apenas durante a abertura no início da década de 1980 (com o título de "O Despertar da Besta"). Não foi para menos. Apesar da sinopse oficial ali em cima, os primeiros 40 minutos do filme são pequenas esquetes sobre uso de entorpecentes, perversões sexuais (estupro, estupro coletivo, cropofilia, pedofilia, prostituição) e relações de poder. Aliás, a relação de poder  é cripticamente o tema central da obra; diz Mojica ter concebido o argumento do filme após ver um grupo de policiais espancando brutalmente uma mulher grávida no meio da rua.
 
 Já o aspecto meta vem em outra direção. Os espectadores dopados de ácido, após verem os filmes pregressos de Mojica, explodem em comportamentos violentos e erráticos, como se a figura do Zé do Caixão despertasse os piores instintos da plateia. No plot twist, descobrimos que o ácido na verdade era um placebo. O cinema de horror é agente ativo na corrupção da juventude como sempre alegaram os pudicos, ou sua função é justamente servir de válvula de escape para todos os nossos desejos reprimidos?
 
  Seja como for, o veto ao filme arruinou a vida de Mojica, que faliu por ter dinheiro do próprio bolso investido na produção. Daqui para frente, ele seria obrigado a dirigir filmes pornográficos, área em que também se sobressaiu ao realizar o primeiro filme de zoofilia do Brasil, “24 Horas de Sexo Explícito”. Mojica ainda voltaria a usar o personagem de Zé do Caixão em mais dois filmes com essa pegada metalinguística, o ótimo “Exorcismo Negro” e o fraquíssimo “Delírios de Um Anormal”, onde a decadência e a exaustão já são visíveis. “O Ritual dos Sádicos” é o filme que quebrou o espírito de Mojica e cabe a nós, jovens cinéfilos, fazer justiça, apreciando as obras de um cineasta que foi vencido pelo seu tempo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Segredo da Porta Fechada (The Secret Beyond The Door) - 1947

AKA: O Segredo Atrás da Porta

Sinopse: Mulher se casa impulsivamente com milionário misterioso. Ao voltar da lua de mel, ela descobre que seu marido é obcecado em reconstituir cenários de assassinatos famosos. Um dos cômodos de sua coleção, porém, encontra-se trancado. Na busca por descobrir o que há no quarto trancado, a mulher começa a descobrir uma série de segredos e horrores ocultos na vida de seu novo marido.


Direção: Fritz Lang

Elenco: Joan Bennett
Michael Redgrave
Anne Revere
Barbara O'Neil



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Magnet (Br-rip, 4,37Gb)

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Comentário: Um dos melhores filmes da fase americana de Lang, "O Segredo da Porta Fechada" é uma cópia descarada do "Rebecca", do Hitchcock. Praticamente o mesmo enredo, a mesma ambientação de horror gótico e, o mais incrível, um final IDÊNTICO. Por que então não ver direto o "Rebecca", perguntará o asno do leitor. Há algo em que Lang sempre se sobressaiu em relação a seus pares mais sofisticados: sua energia pulp e seu orgulho em fazer cinema B. A narrativa ágil combinada com todos os exageros e absurdos do Lang tornam "O Segredo" um longa envolvente e divertidíssimo, ao contrário da outra penca de melodramas que também tentaram pegar carona no oscarizado "Rebecca". Além disso, a liberdade e despretensão da produção garantiram a Lang a possibilidade de acrescentar algumas maravilhosas sequências surrealistas experimentais aqui e ali... que por sinal lembram bastante o "Quando Fala o Coração", também de Hitchcock. A sem vergonhice dos alemães não conhece limites.

domingo, 18 de novembro de 2012

Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver - 1967

Sinopse: O coveiro Zé do Caixão, obcecado pela ideia de gerar o filho perfeito, um ser superior livre de dogmas religiosos ou códigos sociais e que age apenas pelo instinto, rapta diversas mulheres e as submete a brutais torturas. Quem sobreviver estará apta a conceber seu filho. Ele descobre, porém, que entre suas vítimas fatais estava uma mulher grávida. Corroído pela culpa, Zé vai aos poucos enlouquecendo e se tornando cada vez mais violento e imprevisível.


Direção: José Mojica Marins

Elenco: José Mojica Marins
Tina Wohlers
Nadia Freitas
Jose Lobo





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 Magnet (HDTV-rip, 4,21gb)

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Comentário:


Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver” é, sem a menor sombra de sarcasmo, a obra-prima de José Mojica Marins. A continuação de “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” segue o esquema da continuação que é quase um remake de seu predecessor, só que maior em tudo - e é um dos exemplos raros exemplos onde isso efetivamente funciona. Se antes Zé do Caixão era um simples serial killer, agora ele age movido por firmes convicções ideológicas e filosóficas. Se antes agia sozinho, agora conta com um capanga corcunda e deformado no melhor estilo Igor do Dr. Frankenstein. E se antes seu inimigo era sua própria loucura, aqui ele enfrenta, além disso, oponentes de peso: grandes produtores agropecuaristas, conservadores, a Igreja e o maior inimigo de todos, esse fora das telas: a ditadura militar, que vetou o final original e exigiu de Mojica um desfecho cristão edificante (que apesar de tudo, é estranhamente adequado de uma forma involuntariamente sarcástica). (Mais) Um sinal da estupidez dos militares: o personagem de Zé do Caixão, em todo o seu ateísmo fanático e desprezo pela ordem vigente, antes de ser uma crítica subversiva, é o oposto. Zé é um psicopata justamente pela sua falta de Deus no coração - e o final enxertado foi devidamente corrigido no contemporâneo "Encarnação do Mal", para deleite dos aficcionados.

     Tende-se a comparar Mojica com outros cineastas de seu tempo, como Mario Bava na Itália ou Roger Corman nos EUA. Mas há algo que o distancia de todos eles: se Corman fazia filmes de horror em um país cuja indústria cinematográfica sempre viu no gênero seu pilar central de sustentação, e se Bava fazia experimentos visuais em uma Itália cuja produção fílmica está em estado permanente de ebulição, Mojica fazia do horror a sua aventura em um país que mal e porcamente se dedicava ao cinema de gênero como um todo, que dirá de terror (um exemplo do pioneirismo visual de Mojica que não deixa nada a dever para suas contrapartes do primeiro mundo está na sequência colorida em Zé do Caixão sonha ser arrastado ao inferno - feito de gelo, diga-se). Afora o aprumo visual, Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver” é um patrimônio nacional pela sua pura alegria em ser perverso. 

domingo, 11 de novembro de 2012

Até o Vento Tem Medo (Hasta el Viento Tiene Miedo) - 1968

Sinopse: Em um rigoroso colégio interno feminino, jovens são forçadas a passar as férias de verão nas dependências da escola como punição por terem entrado em uma torre abandonada proibida aos alunos. Com o passar dos dias, elas começam a suspeitar que o edifício é habitado pelo fantasma de uma aluna que cometeu suicídio ao passar por um castigo similar no passado.


Direção: Carlos Enrique Taboada


Elenco: Marga López
Maricruz Olivier
Alicia Bonet
Norma Lazareno.




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Magnet (VHS-rip - é, fazer o que..., 700Mb)

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Comentário: Não chegar sequer perto da obra-prima de Taboada, "Veneno Para As Fadas", mas é um excelente exemplo de como uma direção firme pode salvar um roteiro medíocre (aquela coisa de sempre de casarões assombrados por fantasmas vingativos). Econômico até o talo, Taboada ainda permite sequencias maravilhosas (o pesadelo da abertura e quando uma das jovens faz um dos strip-teases, mas aqui estou avaliando os fatores puramente técnicos) nessa pequena fábula moral sobre opressão. Influência direta para Del Toro, Cuarón e Iñárritu, "Até o Vento Tem Medo" também é muito veladamente sobre homossexualidade em um colégio interno para moças, então tem isso.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Homem Que Odiava as Mulheres (The Boston Strangler) - 1968

Sinopse: Serial killer aterroriza a cidade de Boston. O governo federal intervém no caso e coloca o detetive Frank McAfee (Henry Fonda) à frente das investigações. Mas Frank é um investigador da Receita Federal, não habituado a esse tipo de crime. A situação se complica porque o serial killer, o encanador John Bottoml (Tony Curtis), possue dupla personalidade e não sabe que é o assassino. Baseado em fatos reais.

Direção: Richard Fleischer

Elenco: Tony Curtis
Henry Fonda
George Kennedy




 
 
 
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Comentário:

       O que chama a atenção logo de cara em “O Homem Que Odiava As Mulheres” é que trata-se de uma das últimas relíquias do sistema de estúdios americano, já em seus anos finais graças às mudanças de paradigma impostas pela Nova Hollywood. Anda assim - ou por isso mesmo - está plenamente ciente das transformações sociais de sua época ao trazer para a tela uma quantidade até então chocante de violência gráfica, e uma abordagem científica incomum da psicológica, sem tabus (a referência até então era evidentemente o "Psicose" de Hitchcock). Fleischer parecia estar a par também de tendências cinematográficas: o filme bebe claramente da fonte dos recém surgidos giallos italianos, e inova tecnicamente com um interessante uso da tela dividida - levada ao seu limite.

      Outra característica inovadora do filme é seu clima documental, seco, sóbrio, que em sua obsessão pela recriação dos mínimos detalhes, acaba resultando em um filme que muitos podem acusar de ser frio e desapaixonado - e não poderiam estar mais enganados. “O Homem Que Odiava As Mulheres” talvez seja o marco inicial do true crime americano e seu legado é sentido até hoje (David Fincher, por exemplo, deve tê-lo visto umas boas vezes nos seus anos de formação), não apenas pela abordagem moderna mas também por ir a um lugar onde pouquíssimos filmes ousaram ir: literalmente (e eu não estou usando a palavra “literalmente” à toa) dentro da mente de um serial killer.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Calafrios (Shivers) - 1975

AKA: Orgy of the Blood Parasites
AKA: The Parasite Murders
AKA: They Came From Within
AKA: Frissons 

Sinopse: Moradores de um condomínio de luxo isolado são atacados por um verme que os transforma em zumbis sedentos por sexo e violência.


Direção: David Cronenberg

Elenco: Paul Hampton
Joe Silver
Lynn Lowry
Allan Kolman

 



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Comentário:

        Em seu primeiro longa, David Cronenberg, o santo padroeiro deste blog, já mostrava ao mundo todo o seu poder como realizador. Partindo de um sexploitation de quinta categoria, Cronenberg consegue elevar o conceito básico, primeiro não intencionalmente com seu tradicional horror biológico (na ocasião do lançamento o mundo estava prestes a entrar em uma nova era de pânico com o surgimento da AIDS, algo que ressoa aqui pelo agente causador da epidemia de zumbis ser [um verminho] sexualmente transmissível) e, segundo, ao contrapor os mortos-vivos capitalistas de Romero com seres alegremente tesudos.
          Cronenberg não pôde fugir do gore e da carnificina usual do gênero, mas ela aqui é reduzida ao seu mínimo e no lugar chama a atenção o retrato estranhamente positivo do contágio. Os moradores do condomínio de classe média alta (ambientação saída direto de um romance do J. G. Ballard), antes burgueses azedos e engessados, após a infecção, parecem passar por um processo de libertação; ao invés de sedentos de carne humana, tornam-se hiper libidinosos, alegremente sencientes e sedentos pelo próximo contato carnal. Não à toa, os último combatentes, os "heróis", são  justamente os personagens mais reacionários imagináveis. O clímax - literal - longe de retratar o mundo acabando com um estrondo, termina num gemido; após uma orgia digna de Roma em plena decadência, todos os personagens saem felizes e satisfeitos prontos para levarem a revolução sexual ao resto dos subúrbios frígidos.
         Se Romero usou a alegoria dos zumbis para apontar contradições inerentes das sociedades neoliberais, Cronenberg deu um passo à frente para abraçar (ou zombar) da revolução sexual que tomou o ocidente de assalto entre as décadas de 1960 e 1970. Num mundo onde as forças conservadoras novamente tomam os holofotes - e onde os zumbis estão mais banais do que nunca -, "Calafrios" é um bem-vindo antídoto.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Alucinações do Passado (Jacob's Ladder) - 1990

Sinopse: Veterano da Guerra do Vietnã passa a sofrer alucinações pertubadoras relacionadas a um combate em que foi gravemente ferido. Ele descobre que outros combatentes envolvidos no episódio estão tendo os mesmos sintomas. Eles então decidem descobrir a verdade sobre o que realmente aconteceu aquele dia.

Direção:
Adrian Lyne

Elenco:
Tim Robbins
Elizabeth Peña
Danny Aiello
Jason Alexander
Eriq La Salle


 




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Comentário:
É difícil falar sobre as qualidades de “Alucinações do Passado” sem entregar seu "final surpresa” manjado - ainda que nem o filme tente nos esconder a verdade. Independente dele, a espiral de paranoia em que o personagem de Tim Robbins (em atuação vigorosa, diga-se) se afunda é construída de forma cuidadosa e sufocante, com a atmosfera de um pesadelo. Se por um lado há um elemento espiritual explicito na trama, Lyne bebe também da fonte dos thrillers políticos setentista do auge da Era Nixon quando entra o elemento de filme-denúncia, focando em experimentos realizados pelo exército norte-americano durante a Guerra do Vietnã tanto em prisioneiros vietcongues quanto em seus próprios soldados. Não importa qual caminho o espectador queira seguir, o do drama existencial ou do filme de conspiração, “Alucinações do Passado” é um vencedor nos dois.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Viagens Alucinantes (Altered States) - 1980

Sinopse: Cientista sintetiza droga utilizada em rituais por tribos mexicanas. Para fins experimentais, ele consome a droga e se tranca em um tanque de imersão, que o deixa completamente isolado do mundo exterior. O objetivo é atingir os mais profundos níveis do inconsciente, para assim descobrir o "homem primordial", a origem da mente humana. O experimento, porém, foge do controle.

Direção: Ken Russell

Elenco: William Hurt
Bob Balaban
Blair Brown
Drew Barrymore





 
 
Comentário: Foram poucos os filmes em que Ken Russell não teve controle total sobre sua obra. “Viagens Alucinantes” é um deles e, por isso, talvez sua obra mais acessível. Russell notoriamente é conhecido por seus longas surtados e extremos, mas como aqui foi contratado às pressas (substituindo Arthur Penn, demitido já durante a produção) foi forçado a maneirar - o que funciona a favor do filme. Na onda dos experimentos com psicotrópicos em ambientes controlados de Timothy Leary e Aldous Huxley, e combinando elementos da psicologia jungiana, o roteiro é uma instigante reflexão sobre os limites do poder do inconsciente e da herança espiritual da humanidade... e como isso pode levar uma pessoa a virar um macacão assassino urrando pela noite.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A Sentinela dos Malditos (The Sentinel) - 1977

Sinopse: Em Nova York Alison Parker, uma modelo, namora Michael Lerman, um advogado. Apesar dele querer casar, ela decide que precisa ter no momento um espaço só seu e assim aluga um apartamento, onde no último andar mora um padre cego, que tem uma vida totalmente reclusa. No novo lar tem dificuldades para dormir, por causa de flashbacks da sua tentativa de suicídio. No entanto, o mais alarmante é o surgimento de alguns ?vizinhos? que, gradativamente, se descobre que são todos assassinos que já morreram.

Direção: Michael Winner

Elenco: Ava Gardner
Chris Sarandon
Cristina Raines

 
 
 
 
 
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Comentário: "Sentinela dos Malditos" é daqueles que nos faz repensar quais aspectos técnicos são realmente essenciais para um filme ser minimamente decente. O amadorismo tanto da edição quanto da fotografia são dignos de uma produção televisiva ruim; mas para um suspense o que basta é ter um roteiro envolvente e assim manter o interesse do espectador até o final, que é quando normalmente reserva o que tem de melhor. E nisso o filme sem dúvidas corresponde; mantém a história sob o controle o tempo todo, joga a música certa nos momentos certos, e termina com um clímax legal - e além de tudo dá um exemplo de bom senso e ensina uma boa forma de economizar dinheiro de produção ao utilizar pessoas deformadas reais, ao invés de maquiagem, para representar as criaturas do inferno; muita sensatez e bom gosto do sr. Winner, um verdadeiro vencedor.
    Outro detalhe que vale atenção é o elenco, só para citar alguns nomes, temos Eli Wallach, Jeff Goldblum, Christopher Walken, Ava Gardner, Martin Balsam, entre outros; e todos muito bem aproveitados (se juntar todas as falas deles, não deve dar nem uma página do roteiro; a participação mais relevante de Christopher Walken, por exemplo, é quando ele atende um telefone). Enquanto isso, um Chris Sarandon pra lá de canastra com  bigodinho sensual co-protagoniza com uma atuação vergonhosa, mas felizmente  a menina principal dentucinha é bem gatinha e manda bem. Enfim, em meio a alguns defeitos, o saldo geral é bem positivo, até por que filmes com tramas diabólicas dificilmente deram errado na década de 70.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Inquilino (The Lodger - A Story of The London Fog) - 1927

AKA: O Pensionista

Sinopse: Em Londres, um serial killer conhecido como “O Vingador” passa a atacar mulheres jovens e loiras. Enquanto isso, Jonathan Drew se hospeda na pensão do casal Bounting. Jonathan costuma sair em noites de névoa e também guarda a foto de uma moça loira em seu quarto, o que leva os Bounting, e principalmente, o detetive Joe Chandler, noivo de Daisy, filha dos Bouting, a suspeitar de que ele possa ser o assassino.


Direção: Alfred Hitchcock


Elenco: Ivor Novello
Marie Ault
Arthur Chesney
Malcolm Keen



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Comentário:O Inquilino” é o primeiro thriller de Alfred Hitchcock, e também sua primeira obra-prima. A narrativa visual é o cinema mudo em seu auge; uma era em que os filmes, apesar de incompletos pela ausência do áudio, eram mais cinematográficos do que jamais voltariam a ser. Aqui Hitchcock também estabelece economia nas inserções textuais da mesma forma que depois reduziria as falas ao seu nível mais utilitarista no cinema sonoro. O pioneirismo imagético aqui se justifica pela complexidade do roteiro: diversas linhas temporais narrativas sobrepostas e um final anticlimático perfeito. Fracasso na ocasião de seu lançamento, hoje é celebrado como um dos pilares de fundação da gramática cinematográfica, numa época em que ser cineasta era, sobretudo, ser um artesão.