domingo, 19 de agosto de 2012

A Outra Face da Violência (Rolling Thunder) - 1977

Sinopse: Ao voltar do Vietnã, o Major Charles Rane é recebido como herói em sua cidade, sendo premiado por reconhecimento com um carro e uma maleta com moedas de prata. Mexicanos, próximos dali, ao saberem pela mídia, vão atrás do major para roubá-lo. Nesse processo, matam sua mulher, filho e danificam permanentemente sua mão direita. A sede por vingança é então enraizada.

Direção:
John Flynn

Elenco: William Devane
Tommy Lee Jones
Linda Haynes
Lawrason Driscoll




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Comentário: É difícil para "Rolling Thunder" sobreviver em um mundo onde existe "Taxi Driver". Há quem ouse compará-los ainda assim, mas a verdade é que, dramaticamente "Rolling Thunder" só possui alguma profundidade quando copia as melhores ideias de "Taxi Driver" (e não adianta nem querer disfarçar teu personagem de capitão gancho Schrader, tu copiou sim o próprio roteiro, safado), e também porque se beneficia do clima carregado marcante do cinema americano da década de 70, com a atmosfera depressiva pós-guerra e a reflexão a respeito da violência inerente à sociedade. Mas fora isso, quando tenta mostrar seu verdadeiro diferencial, falta a sutileza do filme de Scorsese, e falta a maturidade de outras obras marcantes que discutiram os mesmos temas. O que resta a "Rolling Thunder" é o "exploitation", e nessa área pode ser que realmente se destaque. Sem a intenção de isso soar pejorativo,  apenas um aviso a quem espera encontrar um drama denso, o que o filme não é.
Entrando na discussão do subestimado/superestimado, diria que o filme possui o reconhecimento merecido, há seu grupo de admiradores, mas sua obscuridade nada mais é que o reflexo de sua inferioridade diante de um período tão prolífico do cinema.  Por outro lado, é um apanhado de tudo de melhor da década de 70; Temos vingança como tema,  exploitation como subgênero, o trauma da Guerra do Vietnã, as atuações sóbrias (destaque para William Devane), a violência como culpa e redenção, e acima de tudo um cinema visceral - mesmo que não tão incisivo quanto outros filmes da Nova Hollywood.
Enfim, "Rolling Thunder" pode ter suas falhas,  mas como filme de vingança, tem seu valor, sem comentar o clímax simplesmente do CARALHO, digno de Sam Peckinpah. E ok, talvez lá no fundo podemos dizer que é o "Taxi Driver" dos pobres, mas bem lá no fundo e bem pobre.

Tarantino Recomenda.

sábado, 18 de agosto de 2012

Crimes Temporais (Los Cronocrímenes) - 2007


Sinopse: Ao observar a floresta que rodeia seu gramado, homem vê uma moça nua. Ele vai até o local e a encontra morta. Nesse momento, uma figura misteriosa o ataca (é, a do cartaz). O homem foge e se refugia em um laboratório nas redondezas. Lá, ele encontra uma máquina que acidentalmente o faz voltar uma hora no tempo, criando uma situação fora de controle.

Direção: Nacho Vigalondo

Elenco: Karra Elejalde
Candela Fernández
Bárbara Goenaga
Nacho Vigalondo
      

 




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Comentário: 

         Não há muito que dizer sobre o “Crimes Temporais”: bons filmes falam por eles próprios. Mérito do diretor e roteirista espanhol estreante nos longas Nacho Vigalondo, que conseguiu conceber um roteiro simples em seus elementos (apenas quatro personagens que interagem em três cenários diferentes), e complexo na sua estrutura (composta por três linhas temporais sobrepostas). Na verdade, a complexidade estrutural do roteiro é tão intrincada que pode-se dizer que nunca antes a questão do paradoxo (a viagem no tempo que anula sua própria causa), foi levada a um ponto tão extremo (feito talvez igualado apenas no regular e praticamente inacessível “Primer”, de 2004).
         Aqui entra também o ponto forte da direção: tendo em mãos uma história tão complexa, Vigalondo conduz o filme de forma econômica, dinâmica, bem-humorada e direta, potencializando a força do enredo. A verdade é que “Crimes Temporais” é uma pérola de valor raro no lamentável cenário do cinema dos anos 2000. É um filme feito com paixão e inventividade que desde já garante um lugar no panteão dos filmes de viagem no tempo. Uma obra para ser vista e lembrada com carinho.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Os Demônios (The Devils) - 1971


Sinopse: História real ocorrida na cidade francesa de Loudun, em 1604, quando freiras em um monastério começaram a agir como se possuídas por demônios. A intervenção da Inquisição leva a consequências sangrentas.

Direção: Ken Russell

Elenco: Oliver Reed
Vanessa Redgrave
Gemma Jones
Dudley Sutton







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Magnet (HDTV-rip, uncut, 4gb) Legenda em PT-PT inclusa no arquivo.

 
Comentário: 
Ao morrer, em 2011, o diretor britânico Ken Russell deixou atrás de si uma filmografia extremamente controversa. Mas talvez o filme mais polêmico de toda sua carreira tenha sido este “Os Demônios”, baseado no livro de não-ficção “Os Demônios de Loudun”, de Aldous Huxley. E não é por menos: o filme foi vetado pela Comissão Inglesa de Censura, logo no mesmo ano em que “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick, e “Sob o Domínio do Medo”, de Sam Peckinpah, passaram, sem maiores problemas, pela mesma comissão. A justificativa da junta foi de que enquanto os filmes de Kubrick e Peckinpah usassem a violência como recurso narrativo e artístico, Russel a usou inconsequentemente, apenas pelo choque (como se isso fosse desculpa para proibir qualquer coisa que seja, que “A Serbian Film” o diga, cof cof).
 
Ao contrário do livro de Huxley, Russell preferiu focar a história em seus aspectos mundanos, e não psicológicos e históricos. Então, ao invés de vermos a história das possessões demoníacas na cidade francesa de Loudun em idos da Idade Moderna como um objeto de estudo dos efeitos da repressão para a psique, temos uma análise de como a Igreja e o Estado se valem da religião para dominar os indivíduos. Na trama, o plano sangrento de unificação da França pelo Cardeal Richilieu encontra na figura do padre Urbain Grandier um obstáculo. Carismático e atraente, ele serve como espécie de líder popular informal de Loudun, a última cidade-estado independente da França. Para as freiras do mosteiro local, além de líder, ele é também um sex symbol. A atração e subsequente repressão do desejo sexual pelo padre explodem em delírios de rituais satânicos, possessões demoníacas e automutilações. Richilieu, ciente desses eventos, começa uma campanha para provar que Grandier está em contato com o cramunhão, para assim tira-lo de cena e tomar conta da cidade.
 
Fiz a trama parecer complexa, mas pelo contrário, a maior parte do filme foca justamente no comportamento delirante e insano das freiras endiabradas e é um festival de escatologia, putaria e uma épica celebração do grotesco (falo isso como ponto positivo, claro).

sábado, 11 de agosto de 2012

Exorcismo Negro - 1974

Sinopse: O cineasta José Mojica Marins, criador do personagem Zé do Caixão, decide passar o natal na mansão de campo de alguns amigos. Chegando lá, diversos fenômenos inexplicáveis começam a acontecer. Mojica investiga os acontecimentos e descobre que seu personagem se materializou no mundo real depois de um ritual satânico e que pretende tomar o seu lugar.

Direção: José Mojica Marins

Elenco:
José Mojica Marins
Agenor Alves
Alcione Mazzeo
Ariane Arantes




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ou
Comentário: 

José Mojica Marins é provavelmente um dos artistas mais incompreendidos da história do Brasil. Perseguido de forma sistemática durante a ditadura militar, impedido de fazer seu cinema, viu-se obrigado a sobreviver animando festas e eventos interpretando seu personagem mais famoso, o Zé do Caixão, até o ponto de as novas gerações nem mais saberem que essa figura caricata e vítima de chacota foi, na verdade, um dos maiores cineastas brasileiros que já viveram.
 
            Semi-analfabeto, sem conhecimento teórico ou técnico sobre cinema e sem ter onde cair morto, Mojica produziu, de dentro um estúdio improvisado em uma sinagoga abandonada, em um país sem tradição de horror, ao menos duas obras-primas entre 1963 e 1967: “À Meia Noite Levarei Sua Alma”, filme de origem do personagem Zé do Caixão, e sua continuação, “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver”. A partir deste, a bronca de Mojica com a censura começou: o governo exigiu um novo final “redentor”, onde o personagem Zé do Caixão, quase a personificação do überman nietzscheano, se arrepende de seus pecados e clama sua crença em deus. A situação piorou com seus próximos filmes: “O Estranho Mundo do Zé do Caixão”, de 1968, foi mutilado até o talo, e “O Ritual dos Sádicos”, de 1970, que deve ter sido demais para os miolos dos militares, foi simplesmente proibido.
             
     Mesmo com tantos problemas, Mojica ainda gozava de grade fama e relativo prestígio popular no início da década de 70 por conta de um programa de TV que apresentava na Rede Bandeirantes, o sugestivo “Além, Muito Além do Além” (uma cópia sem vergonha do "Alfred Hitchcock Presents" e "Além da Imaginação", lógico). Por conta disso, e também na carona do filme “O Exorcista”, Mojica foi convidado para reviver sua mais famosa criação em um filme que tinha como tarefa inglória competir com a película norte-americana naquele que seria seu trabalho mais "profissional", “Exorcismo Negro”. 
 
            Apesar de contar com um orçamento folgado e de uma equipe técnica experiente, elementos até então inéditos na carreira do diretor (e talvez justamente por causa disso), "Exorcismo Negro" não chega nem perto da qualidade artística dos seus predecessores, charmosos em sua tosquice. Ainda assim, é um filme extremamente corajoso dentro da produção cinematográfica brasileira da época (e até de hoje em dia, já que o cinema brasileiro, como todos vocês sabem, dá dois passos para trás a cada passo para frente). A história toda gira em torno do personagem Zé do Caixão criando vida e, como um Frankesntein do terceiro mundo, tentando destruir seu criador. No primeiro encontro entre criador e criatura, Mojica (que interpreta ambos papéis) mostra-se descrente e imagina que tudo não passe de uma alucinação, ao que Zé do Caixão responde “Mas qual é o problema? Você não acredita no que você faz?”. Essa pegada metalingüística gera questionamentos muito interessantes sobre a figura do realizador, sobre símbolos (no sentido junguiano do termo) e, principalmente, sobre o poder recriador da realidade do cinema (questões abordadas de forma semelhante no fraco "Delírios de Um Anormal", de 1978). 
 
         Por outro lado, é triste observar a imagem que Mojica tentava criar para si mesmo na ficção. Se na vida real ele era completamente ridicularizado pela crítica, no filme ele é tratado como um grande mestre do cinema nacional por jornalistas e intelectuais. Se na vida real Mojica tinha que dormir no estúdio por não ter condições de alugar um apartamento, no filme ele passa as férias em uma luxuosa mansão no interior. Se na vida real, Mojica mal sabia escrever o próprio nome, no cinema ele é um estudioso de psicologia e especialista em literatura inglesa, além de um exímio enxadrista. Não bastasse isso, Mojica nunca veria sua projeção do mundo das ideias tomar forma na vida real: apesar de certo reconhecimento internacional, por aqui Mojica ainda é alvo de escárnio e é lembrado, no máximo, por suas unhas compridas. Cabe a nós, como cinéfilos sérios, corrigir isso. Cabe a nós resgatar o legado do único diretor de filmes de terror sólidos do cinema brasileiro. Nosso país precisa de nós. Do contrário, será a vitória póstuma da censura, dos militares. E esse é um preço alto demais a se pagar.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Espinhos (Splinter) - 2008

Sinopse: Encurralados em um isolado posto de gasolina por um voraz parasita que transforma suas vítimas em hospedeiros mortais, um jovem casal e um presidiário fugitivo devem trabalhar juntos para encontrar uma maneira de sobreviver ao terror primitivo

Direção: Toby Wilkins

Elenco: Jill Wagner
Paulo Costanzo
Rachel Kerbs
Shea Whigham







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Magnet (Br-rip, 1,25Gb)

Legenda PT-BR

Comentário: Em tempos das vacas magras, eis que surgiu um porcão-espinho robusto e charmoso. "Splinter" é um terror autêntico em extinção do qual sentimos falta. Terror psicológico simples e eficiente. Até mesmo a  fotografia "nervosa" funciona neste caso, dando um aspecto mais repugnante à criatura e disfarçando o baixo orçamento. A direção consegue encontrar a atmosfera certa, nos aproxima da situação pondo os personagens diante da iminência da morte ao confrontar o desconhecido, e a sensação de claustrofobia de estar preso no meio do nada dentro de uma minúscula loja de conveniências. Ou seja, o básico e eficaz. Sangue bem pontuado, aberrações que trazem boas lembranças de filmes passados, atores esforçados, bom roteiro, bons personagens, história nova com estrutura clássica, diretor que saca das coisas e é isso. Sem frescura, rápido e divertido.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Aconteceu Perto da Sua Casa (C'est Arrivé près de Chez Vous) - 1992

Sinopse: Dois jovens documentaristas acompanham a rotina de Ben, um rapaz espirituoso, sofisticado, inteligente, sedutor, e  serial killer.


Direção: Remy Belvaux, Benoît Poelvoorde, André Bonzel

Elenco: Benoît Poelvoorde
Jacqueline Poelvoorde-Pappaert
Nelly Pappaert    
Hector Pappaert






 

Download:


Magnet (Br-rip, 1,59Gb)

Legenda PT-BR


Comentário: Filmaço.


Tarantino curte.





terça-feira, 17 de julho de 2012

Aftermath - 1994


Sinopse:
Só mais um dia de trabalho no necrotério.


Direção:
Nacho Cerd


Elenco:
Ángel Tarris
Jordi Tarrida
Pep Tosar
Xevi Collellmir
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Magnet (AVI, 170Mb) 

Legenda PT-BR (convenhamos, que nem precisa...)


Comentário: Não há muito o que comentar. É um clássico caso de "cumpre o que propõe". fim da história.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Vôo Noturno (The Night Flier) - 1997

Sinopse: Richard Dees (Miguel Ferrer), um jornalista de um tablóide sensacionalista sai em busca de um aviador misterioso que pilota à noite e vai fazendo vítimas pelos aeroportos onde passa. Dees decide refazer o caminho macabro percorrido pelo piloto e acaba se envolvendo demais.

Direção: Mark Pavia

Elenco: Ashton Stewart
Beverly Skinner
Elizabeth McCormick
Miguel Ferrer







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Magnet (DVD-rip, 1,50Gb)
 
Comentário:  
 
    Se não um dos melhores, o mais subestimado com o selo "Stephen King", e como boa parte das adaptações do autor, foi originalmente uma produção televisiva - da HBO!!! -. Esse fato, aliás, é pouco conhecido do público (não só o fato, como também o filme, diga-se), mesmo ele apresentando deficiências típicas, e  tendo o Miguel Ferrer no elenco - ator que coadjuvantou (verbo coadjuvantar) muita coisa da TV na década de 90, incluindo "Dança da Morte", "Tales from the Crypt", e "Twin Peaks".
    Portanto, sendo feito para TV, e que custou 1 mísero milhão, podemos dizer que é acima da média, embora não seja um grande filme, tem uma boa direção, e o roteiro consegue ser muito bem sucedido ao esticar o conto de King. E pra quem curte um anti-heroísmo, Miguel Ferrer (o protagonista!!!!!!), leva o conceito ao limiar entre anti-herói e filhadaputice extrema. E sua atuação é surpreendente...mente igual a todas as outras.
    Enfim, o filme agrada a maioria dos fãs do King, tanto que o Mark Pavia tá adaptando mais umas história do mestre atualmente - é só vocês darem uma procurada se quiserem. sei que não querem.-, mas veja de boa, eu comentaria outras coisas se não fossem spoilers, apesar da sociedade ter se esforçado bastante para revelar o máximo que pôde (como a capa do VHS nacional que estragava tudo), mantenho minha dignidade, então fica um último conselho: procurem não irem atrás de informações sobre o filme. Ah, e se prepare para torcer o nariz pro final, maldita mania sr. King.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Lisa e o Diabo (Lisa e il Diavolo) - 1973

Sinopse: Lisa é uma turista em visita a uma antiga cidade. Quando ela se perde, acha uma velha mansão que lhe serve como pousada. Logo ela se envolve numa jornada maligna guiada por Leandro, o mordomo da mansão.


Direção: Mario Bava

Elenco:Alessio Orano
Alida Valli
Elke Sommer
Telly Savalas








 
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Comentário: Após o sucesso comercial de Barão Blood (1972), foi concedido a Mario Bava liberdade criativa  para desenvolver seu próximo projeto. Mas, ao mostrar o resultado final, a carta branca foi revogada, pois distribuidores consideraram "Lisa e o Diabo" "difícil" demais para seus interesses comerciais. O diretor então foi forçado a modificar seu filme, e aproveitando-se do sucesso de "O Exorcista", a famosa picaretagem italiana entra em cena, e o enredo é modificado e torna-se uma cópia lastimável do filme de Friedkin. Lançado em 1975, ganhou o título "La Casa dell'Esorcismo", e foi justamente execrado pela crítica.
    Bava viria a morrer alguns anos depois, e não pôde receber os devidos elogios à sua verdadeira obra, assim como ocorreu com "Rabid Dogs", mas na década de 1980, "Lisa and the Devil" teve sua versão original lançada, e assim recebeu seu merecido reconhecimento como a obra-prima que é, um pesadelo filmado de forma magistral, cada plano uma obra de arte, personagens otimamente construídos, destacando-se  Leandro, que esconde-se confortavelmente sob a função mordomo, e diverte-se sendo o espectador e tireteiro de toda a desgraça vivenciada por Lisa.
   Considerado por alguns como a obra-prima de Bava, ainda não é tão conhecida hoje em dia, obviamente grande parte em decorrência de não ter sido lançado adequadamente, mas também culpa de cinéfilos que ainda não exaltam o nome de Bava o suficiente para elevá-lo ao patamar que merece. Aprecie.

domingo, 8 de julho de 2012

Zardoz - 1974

Sinopse: O Vortex é uma luxuriante e exclusiva comunidade, formada por cientistas e intelectuais imortais completamente preservada do contato com o mundo exterior. Do lado de fora do Vortex, existe um mundo desolado arrasado pela guerra e poluição, povoado pelos Brutos, selvagens primitivos e assassinos que adoram um deus arerrorizante, Zardoz. Mas um bruto rebelde (Sean Connery) está decidido a sobreviver seguindo suas próprias leis, que podem ameaçar o equilíbrio da civilização e... possivelmente destruí-la.


Direção: John Boorman

Elenco: Sean Connery
Bosco Hogan
Charlotte Rampling
Christopher Casson 



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Magnet (Br-rip, REMASTERED, 1,28Gb)

Legendas PT-BR

 

Comentário: Eis nosso herói

 
E por incrível que pareça é de um filme sério que estamos falando. Mas sim, essa caracterização sensualíssima do personagem de Connery quase põe tudo a perder - e se isso servir de incentivo, saiba que esse não é o seu pior momento, pois lá pro final do filme, o sr. Connery surge vestido de noiva. Mas, mais difícil do que não desistir de tudo após ver a combinação bigode-sunga vermelha-rabo de cavalo-botas, é aguentar os primeiros 5 ou 10 minutos, que dão a impressão de que algo muito ruim está por vir. Só que não. O que temos na verdade, é um dos filmes mais subestimados da história, de um dos diretores mais subestimados da história, John Boorman (de "Deliverance"!). 
Portanto, prefiro pensar que os primeiros minutos sejam para testar o espectador, teste ao qual somente os inteligentes resistirão. Então seja inteligente, pois acima de qualquer crítica social que presta, "Zardoz" é uma ficção-científica genuína, e um dos expoentes do experimentalismo da última Era de Ouro de Hollywood.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Todas as Cores do Medo (Tutti i Colori del Buio) - 1972

Sinopse: Mulher em recuperação pela perda do bebê num acidente de carro está sempre dividida entre o tratamento do marido farmacêutico e do chefe da irmã, psicanalista. Completamente fragilizada, acaba se envolvendo com uma seita macabra.

Direção: Sergio Martino

Elenco: George Hilton
Edwige Fenech
Ivan Rassimov
Julián Ugarte





 
 
 
 
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Comentário: Martino tinha lá de suas picaretagens, mas era especialista quando se tratava de giallos. Apesar de hoje um tanto obscuros, há em sua filmografia pelo menos três (leia-se quatro) filmes que poriam ciúmes em Argento e até no próprio Bava - e sem dúvida, inveja em De Palma. Um desses, talvez o mais famoso, é "All The Colors of the Dark". Italianagem setentista típica, visualmente um dos giallos mais expressivos da década de 1970, e com a linda Edwige Fenech no auge de sua beleza. De inaceitável mesmo só as lentes de contato azuis do "vilão", que são risíveis e nem mesmo podem se utilizar da desculpa de ter envelhecido mal, porque trata-se de algo atemporalmente brega e tosco. Mas desculpável, não é sempre que as breguices italianas funcionam, afinal. Imperdível aos fãs do giallo raiz.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Aterrorizada (The Ward) - 2010

Sinopse: Trancafiada em um hospício, uma jovem é aterrorizada por um fantasma. Não, você não precisa de uma sinopse mais detalhada.

Direção: John Carpenter

Elenco: Amber Heard
Mamie Gummer
Lyndsy Fonseca
Danielle Panabaker









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Comentário: É até irônico pensar que, o cara que há mais de 40 anos foi precursor do slasher, e testemunhou o "seu" subgênero ser copiado incansavelmente até culminar em um desgaste quase irrecuperável, faz agora o retrocesso, utiliza-se de elementos já obsoletos de outro subgênero que sofreu uma rápida banalização nos últimos anos, e as repete ao criar a trama mais genérica que até o mais ameba dos cinéfilos saca a grande reviravolta.
    Triste ver Carpenter se render a essa fórmula tão medíocre, muitos diriam. Mas tratemos esse filme como apenas uma restauração do velhote, o desenferrujar de alguém que perdera o encanto pelo cinema e retorna aos poucos, sem grandes pretensões e apenas fazendo um cinema limpo, ou como o próprio disse "... an old school horror movie made by an old school director".
    Convencional à sua própria maneira, Carpenter constrói um suspense sem grandes surpresas para os mais atentos, ou para quem já assistiu algum outro filme semelhante - aliás, há um filme com a mesma, exatamente a mesma, revelação, mas não direi qual é, afinal não tornemos o previsível mais visível -, mas a direção continua eficiente, principalmente em seu início, e o roteiro é redondinho e envolvente, apesar de tudo. A recriação da década de 70 nos faz pensar que, se o filme não só se passasse na década de 70, como fosse feito nessa época, certamente hoje seria um clássico, mas infelizmente não é o caso, tanto que  foi largado de qualquer maneira direto pra DVD, e detratado por cinéfilos médios que reduzem o filme ao seu final "previsível".

domingo, 27 de maio de 2012

Beyond the Black Rainbow - 2010

Sinopse: Num futurístico ano de 1983, a jovem Elena vive aprisionada num laboratório experimental pelo enigmático Dr. Barry Nyle, que desenvolve uma complexa experiência psicológica. Nyle tem um objetivo místico-espiritual: a busca da “paz interior” por meio de uma delirante e alucinógena jornada em estilo LSD controlada por uma sinistra tecnologia à base de drogas.

Direção: Panos Cosmatos

Elenco: Sara Stockstad
Eva Allan
Scott Hylands
Michael Rogers





 
 
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Comentário: Interessante filme canadense, dirigido por Panos (Panos, é.) Cosmatos (Panos Cosmatos, isso mesmo),  filho do falecido George Cosmatos, diretor de uma ou outra tranqueira cult da década de 80.  Mas o Cosmatos filho, por sorte, pouco lembra o pai,seu cinema é muito mais inteligente, e narrativamente parece um tantinho o Cronenberg de Videodrome. Impressiona a belíssima estética, com influências que vão de "2001 - Uma Odisséia no Espaço" e uso de cores à lá Argento - me refiro ao cara que dirigiu Suspiria, não esse clone maligno que usa seu nome e faz um monte de merda hoje em dia.

    Mas o melhor de tudo é a atmosfera retrô, trilha sonora e fotografia reproduzem o exato clima que marcou o cinema de décadas passadas, sem soar deslocado, é de fato como se tivesse sido feito na década de 70/80, e só agora seus negativos foram encontrados. Tem alguns problemas de ritmo, desfecho imbecil, e trama desnecessariamente intrincada (talvez para disfarçar o pouco roteiro), mas visualmente compensa não só seus próprios defeitos como também a escassez de filmes autorais com personalidade que somem cada vez mais no gênero. Uma ótima estreia, diretor de muito potencial, e filme com muito potencial para tornar-se cult futuramente.