quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Um Longo Fim de Semana (Long Weekend) - 1978

Sinopse: Casal de babacas vai acampar na praia, briga, mata bicho, emporcalha tudo, enche a cara e é atacado por uma criatura monstruosa. Ou seja, um documentário sobre um típico fim de semana na Austrália. 

Direção: Colin Eggleston

Elenco: John Hargreaves
Briony Behets












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Comentário: A beleza do horror é a sua simplicidade: os melhores exemplares do gênero sempre partem de uma ideia concreta e podem ser resumidos em uma frase, as vezes até em duas ou três palavras-chave. É o caso de "Um Longo Fim de Semana" e seu conceito: casal (em crise, naturalmente, em um nível que se rolasse um remake moderno toda a trama seria uma METÁFORA sobre RELACIONAMENTOS e LUTO), tenta se reconciliar em um fim de semana idílico em uma praia isolada, começa a emporcalhar e avacalhar com tudo (em atos que vão desde pequenos momentos do dia a dia amplificados pela narrativa cinematográfica, como pisar em uma muda de planta ou jogar uma bituca de cigarro no chão, até momentos exageradamente cômicos como simplesmente ficar dando tiros a esmo no mato ou dar machadas em árvores) até a natureza finalmente dar um basta na farra. Alguém poderia até argumentar ser esse o "Os Pássaros" australiano. Essa pessoa não seria eu, mas certamente alguém poderia.
    Não é nenhuma obra-prima, mas um bem-vindo remanescente da safra clássica original dos ozploitations que nos deram tanta alegria, e também certamente um alento para quem está vendo as atrocidades que hoje em dia chamam de filme; aqui apesar de certos exageros há sutileza no controle da atmosfera - de uma crescente ameaça inexplicável, invisível e inominável. Como é um filme australiano, vale notar que aqui também estão presentes dois elementos comuns a todos os filmes desse país, a saber: a eterna tensão pela possibilidade de um estupro (o que é um feito e tanto para um filme como esse que contém apenas dois personagens) e o massacre de cangurus (a abertura é um canguru sendo atropelado por diversos carros, de diversos ângulos, por muito mais tempo que você julgaria sensato).

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A Noite do Demônio (Night of the Demon) - 1957

AKA CURSE OF THE DEMON 


Sinopse: Ao chegar em Londres para um congresso sobre parapsicologia, cientista americano descobre seu colega morto sob circunstâncias misteriosas. Ele decide investigar o caso, o que o coloca em rota de colisão com o perigoso líder de um seita satânica.

Direção: Jacques Tourneur

Elenco: Dana Andrews
Peggy Cummins
Niall MacGinnis
Maurice Denham
Athene Seyler





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Comentário: Assinado pelo Tourneur, veterano B, do noir ao terror (é dele o "Cat People" que depois sofreu o remake oitentista do Shcrader com trilha do Bowie, filme esse que eu sei lá de que forma assisti na TV quando era muito criança e foi ali que vi a primeira cena de sexo da minha vida, mais especificamente a cena da Nastassja Kinski amarrada na cama, e acredito haver aí uma correlação entre essa memória de infância e hoje eu ser redator desta joça), "Noite do Demônio" é o melhor filme que a Hammer jamais conseguiu fazer (se você chegou aqui desavisado saiba que achamos a Hammer e seus supostos clássicos uma viadagem). As semelhanças são óbvias pelo teor da trama e pela ambientação gótica bretã, mas aqui excede algo que lá faz falta: personagens interessantes e um mistério envolvente. 
    Um filme é tão bom quanto seu antagonista (nesse presente caso explicitamente inspirado no Aleister Crowley), mas é melhor ainda quando tem um herói à altura; aqui há um embate equiparado e lógico entre dois homens que são mestres em suas próprias áreas - na ciência e no oculto - e também dois cavalheiros estoicos que observam toda a etiqueta e os protocolos de seu duelo, com a consciência crescente de que é um caminho trágico sem volta para ambos. O Dr. Holden de Dana Andrews (que é citado na música de abertua do "Rocky Horror Picture Show" aliás), um iluminista, praticamente o Sherlock Holmes investigando o cão dos Baskerville, é honesto o bastante para admitir que está diante de algo genuinamente sobrenatural - mas que também necessariamente obedece um conjunto de regras que pode ser dominado pelo homem; o Dr. Karswell, mesmo com domínio pleno do oculto, sabe que tem diante de si um adversário astuto o bastante para enfrenta-lo no próprio jogo, que termina, aliás, de uma maneira bem espertinha. E no meio disso tem alguma gostosa que os dois disputam mas quem liga. Um belo e enxuto clássico de segunda.